O Sannyasin que trago em mim

Sannyas é um processo milenar, um dos poucos sobreviventes a um dos maiores temores do homem moderno, o tempo.

Sanyasa é o nome dado para uma característica ancestral, uma qualidade singular que permeia a personalidade de alguns seres que passeiam levemente pelas areias do tempo.

Independente de país, da língua que fala ou de sua visão perante a religião, universo, Deus…

Por toda parte podemos ver aquele homem ou mulher que caminha solitário, que busca se desprender, aquele ser destituído de posses materiais. Alguns o chamam de asceta, buscador, ou melhor, um sannyasin.

Verbalmente, são apenas nomes e terminologias que utilizamos para descrever algo insubstancial, algo que não conseguimos compreender com facilidade: o sentimento daquele que transcendeu ao mundo.

Ao ouvirmos histórias sobre o passado, costumamos nos deparar e, curiosamente, admirar figuras que foram acometidas por esse sentimento, como por exemplo Diógenes, o cínico, um filósofo que morava num barril e vivia como mendigo nas ruas de Atenas, homem detentor de uma sabedoria tão profunda que nem mesmo Alexandre, o Grande encontrou respostas quando sugerido que se afastasse do sol que iluminava as faces de Diógenes, ou outros, como por exemplo Siddharta Gautama, Confúcio, Lao Zi, Jesus, dentre muitos outros mestres ao redor do globo.

Sannyasin significa aquele que renunciou a todo o apego com relação ao mundo.

Sannyasa é uma das quatro estações mentais

Para a religião hindu, dentro do sistema tradicional indiano, o sannyasa é um dos quatro estados que compõem a caminhada da vida humana sobre a terra. O último estágio, no qual ele se desliga da vida material, buscando nada mais que a iluminação espiritual.

Nesse último estágio, o sannyasin já não tem residência fixa, não mantém relações familiares, apenas se alimenta e volta sua atenção para seu interior.

Com a Globalização, o mundo foi se conectando. Conhecimentos, experiências e tradições foram se misturando e influenciando países e culturas.

Osho

Osho

No final do século XX entra em cena um homem diferente, um homem que tinha como objetivo unir o polo ocidental com o polo oriental, queria implementar a ideia de um ‘Novo Homem’ no mundo. Seu nome era Bhagwan Shree Rajneesh, o perigoso Osho.

Com a chegada de Osho ao Ocidente, um choque cultural era iminente.

Instalado no Oregon, ele modificou um pouco as diretrizes do sannyas. O neo-sannyas tinha agora menos obrigações perante a sua própria consciência. Osho adaptou o sannyas a termos mais praticáveis para o homem ocidental, nascido e criado por um sistema materialista.

Agora, as obrigações do sannyas haviam sido reduzidas a quatro condições.

Primeiro, os sannyasins tinham que utilizar todas as roupas de coloração ocre; de tom alaranjado. Todo o guarda-roupa dos seguidores de Osho deveriam ser constituídos de um espectro limitado as cores quentes.

Outra condição era utilizar um mala com a foto do mestre, e realizar 21 dias seguidos de meditação dinâmica.

Antes da próxima condição, faço uma um convite ao leitor…

De olhos fechados, respire profundamente por algumas vezes.

Outra condição era a mudança de nome. O que significa isso? Qual a necessidade? Perguntas que talvez ocorram ao leitor.

Antes da quarta condição, peço atenção a dois pontos importantes quanto a isso.

  1. A mudança de nome tem o intuito de propiciar a desidentificação do sannyasin com a simbologia, a religião, as ideologias e toda a bagagem que seu nome carrega. O sannyasin é um buscador, o que ele busca é se a libertação escondida por trás de se encontrar, essa liberdade é subproduto da desidentificação com o passado.
  2. O segundo ponto é uma reflexão simples, o nome pelo qual você se apresenta, toda sua simbologia, não foi escolha sua, e sim de seus pais. A mudança de nome não era condição obrigatória, o sannyasin poderia receber um novo nome e integrar a seu nome de batismo. Por exemplo, se seu nome era Manuel, e posteriormente recebesse o sannyas, passaria a se chamar “Swami’ Manuel, Swami, que em sânscrito significa mestre de si mesmo.

Por último, a quarta condição – mais importante – era de que o sannyasin de Osho fosse um meditador, uma pessoa comprometida com o autoconhecimento e com a espiritualidade.

Mais tarde, Osho decidiu manter como única apenas esta última condição – porque, sem a meditação, a pessoa fica muito mais vulnerável ao que é desencadeado pela sociedade.

Finalizou com palavras de Osho:

‘“De nenhuma maneira uma pessoa que não tenha coragem suficiente sequer para ser um homem comum pode ser um sannyasin. O fato é que sannyas não quer dizer escapar do mundo. Sannyas quer dizer transcender ao mundo. Sannyas é transcender as próprias crenças, se rebelar contra o mundo falso e ir de encontro a sua própria verdade. Sannyas é a transcendência do fogo e do calor deste mundo. Apenas aquele que o transcende completamente se torna digno. Sannyas não é uma oposição ao mundo ou uma fuga dele. O sannyas é o resultado de uma compreensão total do mundo e das lutas pelas quais alguém passa.”

Osho.

Vartan Reisen Amador

Facebook do autor

Obrigado por participar.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.