A Epopeia Bolsonárica na “Disney trumpiana”

Se não mencionei antes, menciono agora: os dois maiores defeitos humanos, a meu ver, são a ignorância (a mãe de quase todos os males, dentre os quais a vulgaridade parece ser a filha dileta da vez, em nossas terras, pelo menos) e a ingratidão.

Quanto à segunda, não pretendo tecer maiores considerações, dado que o escopo do presente texto é tentar, minimamente, naquilo que respeita o limite dos engulhos que me provoca ter de abordar o tema, analisar a epopeia patética e desastrada do “presidante” Jair B. aos EUA, o que me remete inequivocamente à primeira.

Ao que tudo indica (e as lives via Facebook, assim como os fartos “cursos” ministrados via WhatsApp pelos correligionários daquele que chamam de ‘mito’ são prova viva), o retardo mental pode manifestar-se em 50 tons de verde e amarelo, aprendemos do modo mais doloroso no último ano e meio.

O tour de force às avessas de Jair B. pelos Estados Unidos teve desde “rega-bofe” com o seu “Rasputin”, O.d.C., sob os auspícios do inominável Steve Bannon (espécie de José Bové da extrema direita americana), no solo da Embaixada brasileira em Washington, à vexatória entrevista ao canal oficial do conservadorismo americano, a Fox News (com direito à matéria introdutória que simplesmente expôs Jair B. em todos os aspectos que compõem sua grotesca figura, como a homofobia, e os elos com milícias no Rio de Janeiro – aguardemos os Bolsonaristas tacharem a Fox News de comunista, acaso haja, entre eles, alguém que compreenda inglês o bastante para assistir à matéria que antecedeu a desastrosa entrevista).

As medidas concretas que Bolsonaro adotou em solo americano são de eficácia extremamente duvidosa, a considerar a balança comercial com os americanos, e a não reciprocidade da flexibilização das medidas adotadas pelos EUA: não há perspectiva de contrapartida equivalente por parte deles em relação à dispensa de vistos de turistas americanos em solo brasileiro; a cessão da Base de Alcântara para os americanos parece um flerte perigoso com uma guerra com a Venezuela (o que fere o princípio constitucional do Brasil ser uma pátria não intervencionista); a lamentável generalização dos imigrantes brasileiros ilegais, no afã de adular Trump; a absurda (para dizer o mínimo) visita à CIA (inteligência do governo americano) para tratar da… Venezuela! Enfim, são tantas as atrocidades da trupe Jair B. et caverna que até mesmo Paulo Guedes emergiu como um “farol” em meio à treva bolsonárica.

Bolsonaristas e bolsonaristas

O saldo final, e aqui ataco a ignorância, como prometido (não faço propaganda enganosa como a Bettina Rudolph e a EmpiriCUs) é: aqueles que não se informam via WhatsApp ou Facebook, e que tem um mínimo de discernimento (proteínas no cérebro?), se dão conta de que a epopeia à “Disney trumpiana” foi um Pluct Plact Zum: não foi à lugar nenhum. E o pior: Jair B. ainda se empenhou na reeleição de Trump, dizendo, pasmem!, que caso o republicano não seja reeleito, ele, B., “aceitará o resultado das urnas”… Há alternativa? É risível: além de não reconhecer o sistema eleitoral que o elegeu, agora Jair B. abre margem a questionar o sistema americano, que por sinal, pauta-se pelo voto impresso que ele tanto venera…

A ignorância do presidente e seus filhos e ministros, em larguíssima medida, é esperada: nada ali apontava o oposto, e à mera menção à “ameaça comunista” desafia o bom senso de quem ultrapassou a quinta série do ensino fundamental…

A prova indelével do mar de lixo havaniano (não me refiro à capital cubana) bolsonárico é que o eleitorado bolsonarista é tão estúpido e bitolado que não tem a capacidade de reconhecer sequer as gafes que o próprio Jair B. admitiu, como quando voltou atrás na declaração xenófoba contra os próprios brasileiros. Se orgulham de seu mito, de terno e coturnos, caneta Bic, camiseta falsificada do Palmeiras, tudo regado a pão com leite condensado sem prato (daí a vulgaridade, a filha dileta…).

Antevejo mesmo nesse texto os comentários “inteligentíssimos” de “chora mais”, “Lula está preso babaca” e “mito”. Não que eu vá lê-los, é que a ignorância comporta em si uma previsibilidade (ao menos em se tratando dos correligionários do capitão) insuportável. Aguardemos agora o desenrolar do trâmite da reforma da previdência, à Guedes.

Robert Mencken é brazilianista

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