Bruna, nossa querida e talentosa menestrel do calçadão da XV

De Mateus Saraiva, com Redação

Bati um papo com a Bruna Santos, nossa cantora-sorriso.

Bruna, de 23 anos, busca o sustento diário nas manhãs e tardes de quem passa pelas ruas do centro de Pelotas.

Ela veio ao mundo em Porto Alegre, cresceu na pequena cidade de Amaral Ferrador e, aos 18 anos, resolveu ampliar o horizonte.

Com o objetivo inicial de fazer Engenharia de Controle e Automação em Pelotas, mudou, começou faculdade de Música, ainda em curso, para aperfeiçoar o dom que descobriu menina, quando tinha apenas oito anos.

Vem de uma família de músicos. “Pai e avô foram referências para o despertamento da música”, diz ela.

Essas mulheres lindas que frequentam O Sobrado

Quando chegou a Pelotas, há dois anos, Bruna procurou emprego em diversos lugares, em vão, mesmo sendo jovem. Como não encontrou vaga, tirou o violão do estojo e foi cantar na rua, em geral ao lado da Livraria Mundial, no calçadão da XV.

Quem passa por ali não consegue deixar de reparar em Bruna, nossa menestrel de rua mais talentosa.

É bonita, canta com afinação, a voz tb é bela, e distribui tal fartura de sorrisos que a gente fica até sem graça por um mau humor nosso.

Há sentidos vários nas percepções de sua figura, sorrisos como demonstração de fé na vida, da alegria de desfrutar da juventude e da aventura, coisas assim, mas que pode ser entendido também como uma desforra da felicidade à indiferença prática, já que continua precisando cantar na rua.

Ela recebe muitas moedas, e agradece o gesto com uma reverência de maneiras reais, no sentido das realezas de fato, com sua pequena figura esguia, pequena como um bisqui, uma boa moça vitoriana que viajou no tempo até nossos dias.

“São muitos os amigos que fiz através da música. Não há nada mais gratificante que poder ver a vida de uma maneira simples, eu consigo ver. Eu me doo para a vida, vou em direção a ela. O tempo passa, se não tomamos uma atitude, nada muda”.

Frequentemente pessoas formam grupos em torno dela, em geral mulheres, para conversar, cantar junto e dançar.

Menestrel: na Idade Média, artista da corte ou ambulante que, a serviço de senhores, recitava e cantava poemas em versos, freq. com acompanhamento instrumental.

Bruna. Foto de Mateus Saraiva

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