Caríssimos professores: seus métodos disciplinares, com os meus filhos, estão liberados

Infelizmente, também atingimos a “nutellalidade”, quando o assunto aponta sobre a educação dos nossos filhos.

Primeiramente, nunca menospreze um professor. É através dele que são formados médicos, jornalistas, administradores, advogados, enfim, antes de você ter qualquer profissão, jamais se esqueça de que você passou por um. Consequentemente, não vejo uma especialização mais louvável do que esta.

Logo, não há necessidade de comentarmos sobre os seus salários, ridículos, para educar os nossos maiores tesouros: filhos.

Posteriormente, também seria redundante em escrever o tamanho da pressão que carregam, pelas queixas de alguns pais de alunos e também pela Direção de algumas escolas, que os reprimem por qualquer ato.

Os tempos são outros. Antigamente conhecíamos um professor pela expressão do seu rosto. Hoje em dia esta geração, digamos mais “moderninha” de alunos, não conhece sequer os seus próprios pais. Imaginem se acatarão algumas ordens de um “desconhecido”?

Tendo como norte que a “primeira” educação deve vir de casa, lhes pergunto: “é correto acreditarmos que tal premissa realmente vem acontecendo? Se sim, por qual motivo presenciamos alunos agredindo professores, desobedecendo algumas ordens e fazendo o que bem entendem dentro da sala de aula”?

Ora, se professores não podem, com moderação, reprimir os nossos filhos bem cedo, então o mínimo que esperam é que eles já venham doutrinados de suas casas. Parece-me uma conta rápida e fácil de fazer.

Sabemos como funciona a cabeça de uma criança, não é mesmo? É óbvio que não. E mesmo que sejamos os melhores pais e educadores, elas podem derrapar na escola. E o que teria de tão absurdo um professor dar-lhe um pequeno castigo? Algo moderado em que lhe mostrasse que aquela atitude estava inadequada? Um jeito de apresentar que o acontecido não seria mais tolerado? Enfim…

A tendência de estarmos criando verdadeiros bibelôs é real. Seres humanos sem limites e regras. Crianças com uma predisposição a não aceitar nada e ninguém. Adolescentes que não suportarão ouvir um “não” e acharão como saída, a deplorável “força bruta” para resolverem os seus problemas. Transtornos obtidos lá atrás, quando os seus pais não o repreendiam ou censuravam os limites repassados por seus professores.

A “conta final” de suas atitudes ou falta delas pode levar anos para aparecer, porém, um dia baterá em sua porta e os seus filhos pagarão juros inegociáveis.

Realmente vivemos num mundo invertido: professores podendo pagar o preço da sua admissão, apenas por querer educar, enquanto que alguns pais sentem-se ofendidos por seu filho, sem linha, receber um castigo.

Às Direções das escolas, se estiverem “ouvindo”, digo: tenham muito cuidado ao receberem uma queixa de pais revoltados, pelo simples fato do seu “filhinho” ter sido deixado de castigo. Se vocês dispensarem um professor exclusivamente por este motivo, cuidado: podem estar perdendo um excelente educador, por uma família que não dispõe de qualquer barreira ao filho.

Acredito, sem titubear, que um castigo modesto, moderado e lúcido, jamais deva trazer algum mal ou prejuízo futuro, a quem quer que seja. Assim como creio, friamente, que gerações “nutellas” estão aparecendo e muito. Elas não escolhem escolas, classes sociais ou cor.

Senhores professores: os meus filhos são seus e agradeço pela educação que vocês os disponibilizam. Se eu falhar como pai, e devo pecar outras vezes, sei que poderei contar com o seu esforço.

Ainda temos uma chance de reverter este quadro: eduque ou não interfira.

© Marcelo Oxley

Facebook do autor | E-mail:marceloesporteucpel@yahoo.com.br

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