A lição de dona Conceição dos Mil Sambas

Ontem a gente publicou uma matéria sobre dona Conceição, a compositora de Pelotas. Dona Conceição dos Mil Sambas está na terceira idade, fase em que não é incomum a pessoa experimentar a sensação de desprezo social, daí o prazer da gente, ao publicar, ter sido duplo, reconhecer o talento e sua permanência vívida em uma pessoa vivida, mil vivas também!!!

Quando a gente fala em ‘desprezo social’ se refere aos jovens do mercado de ambiente ultra competitivo, onde em princípio se exige o exímio aguçamento das faculdades mentais, além da plenitude dos talentos, um célere mundo quase “desumano” em termos da atenção ideal, aquela que dispende tempo para pessoas e coisas que muitas vezes não sabem se vender, até mesmo vergonha de vender sentem, apesar de sua qualidade singular.

Novo mundo do trabalho

Na revolução em curso no mundo do trabalho, impulsionada a toque de inovação, é compreensível que as individualidades quase desapareçam na corrente de compartilhamentos de qualidades complementares. (Aliás, se tu pensar bem, curiosamente vai ver que o mundo em rede segue princípios comunistas de trabalho, tudo é construído em conjunto por todos, ainda que se busque tirar o melhor que existe nas pessoas para diferenciar o produto).

A vida é farta em talentos de idade avançada que, por motivos igualmente de natureza competitiva, a gente não vê, faz que não vê, até que, como um justiceiro, alguém vê e nos faz ver. Foi o caso de dona Conceição. E, mesmo que não fossem mil os seus sambas, ela continuaria tendo valor, já que poesia não se mede em números, ao menos na primeira intenção.

Conceição tb faz parte do mundo compartilhado das mil e uma conexões.

Dona Conceição, tesouro escondido na Vila Castilho

Solidão

Nada é mais solitário do que o trabalho, quando é feito solitariamente.

Por injusto, a pessoa, sozinha, sente que tem menos valor.

Idosos eram mais solitários antes das redes sociais. Continuam um pouco assim, na verdade, porque têm maior dificuldade de lidar com novas plataformas, criadas como que para lhes desafiar a mente, como palavras cruzadas em diagonal, de trás para frente.

Se o mundo é para ser compartilhado, que seja com todos, em qq idade.

Porque, simplesmente, “onde há vida, há esperança”.

Não é mesmo?

Todos têm algo de bom a oferecer.

© Rubens Spanier Amador é jornalista.

Facebook do autor | E-mail: rubens.amador@yahoo.com.br

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