Reino Unido decidirá sorte de Assange

O Reino Unido vai decidir se vai extraditar Julian Assange, preso hoje, em resposta a alegações do Departamento de Justiça de que ele conspirou com a então analista de inteligência dos EUA Chelsea Manning para baixar quatro bancos de dados confidenciais do Exército americano.

O ativista pode pegar até cinco anos de prisão nos EUA se for condenado por conspiração para invadir computadores.

A advogada dele, Jennifer Robinson, disse que eles vão lutar contra o pedido de extradição. Ela disse que o que ocorreu estabelecia um “precedente perigoso”, pelo qual qualquer jornalista poderia enfrentar acusações dos EUA por “publicar informações verdadeiras”.

Inicialmente, acreditava-se que a prisão não estaria relacionada aos vazamentos, mas às acusações de abuso sexual feitas por duas mulheres contra ele na Suécia – Assange afirmava que as acusações seriam uma invenção no contexto de uma “caça às bruxas” orquestrada pelos EUA contra o WikiLeaks. Ele também teria violado as leis dos Estados Unidos ao publicar documentos secretos do governo americano.

O ativista havia se refugiado na embaixada para evitar a extradição para a Suécia ou, ainda, para os Estados Unidos, mas acabou surpreendido com a suspensão do asilo.

‘Violações’

A prisão ocorre um dia após o WikiLeaks ter anunciado que havia descoberto uma operação de espionagem das atividades de Assange na embaixada do Equador.

O atual presidente do Equador, Lenín Moreno, vinha limitando as ações permitidas a Assange no interior da representação diplomática.

Segundo o correspondente da BBC James Landale as autoridades equatorianas já tinham vetado o acesso à internet a Julian Assange e tinham acusado o cofundador do Wikileaks de estar desenvolvendo atividade política, o que não é permitido àqueles que têm o pedido de asilo atentido.

O presidente do Equador disse que retirou o asilo de Assange depois de ele ter violado repetidamente regras internacionais. O governo também suspendeu a cidadania equatoriana concedida ao ativista.

Em vídeo publicado em sua conta no Twitter, Lenín Moreno, disse que a conduta de Assange era “desrespeitosa e agressiva”. Moreno acrescentou que o WikiLeaks publicou declarações “hostis e ameaçadoras”.

O ex-presidente do Equador Rafael Correa, que atendeu em 2012 ao pedido de asilo feito por Assange, criticou a decisão.

“Lenín Moreno […] revelou ao mundo sua miséria humana, entregando Julian Assange à polícia britânica – não somente um asilado, como também um cidadão equatoriano”, disse Correa.

Para o ex-presidente, a decisão de entregar Assange à polícia britânica “põe em risco a vida dele e representa uma humilhação para o Equador”.

O WikiLeaks, por sua vez, tuitou que o governo do Equador agiu ilegalmente ao encerrar o asilo político de Assange “em violação do direito internacional”.

O secretário de Estado para Assuntos Internos do Reino Unido, Sajid Javid, confirmou, também via Twitter, a prisão de Assange: “Posso confirmar que Julian Assange está agora sob custódia da polícia e vai responder à Justiça no Reino Unido. Gostaria de agradecer ao Equador por sua cooperação e à polícia por seu profissionalismo. Ninguém está acima da lei.”

Assange tem 47 anos e havia se recusado a deixar a embaixada, alegando que seria extraditado para os Estados Unidos para interrogatório sobre as atividades do WikiLeaks.

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