Sua vida e os memes

Uma frase pode mudar uma vida. Obama se tornou o primeiro presidente negro dos Estados Unidos com “Yes, we can”. Tiririca se elegeu com o “pior do que tá não fica”. Gabriel Diniz chegou ao sucesso com “o nome dela é Jenifer, eu encontrei ela no Tinder”. Dougras teve um milhão de acessos com “eu sou o Dougras, você não é o Dougras”, ficou famoso e ganhou dentes novos. E por aí vai.

Os memes chegaram pra ficar, mandam no mundo e se você examinar bem, na sua vida também. Humor é mais do que mera diversão, é coisa séria, importante uma das maiores necessidades sociais e individuais da sociedade de massas, porque sem senso de humor sucumbimos ao estresse e à depressão.

Você passa o dia se incomodando no trânsito, no trabalho, tem estresses com chefias, com vizinhos, com familiares, com conhecidos de todos os tipos. Sem válvulas de escape você enfarta ou desenvolve outra doença. Está comprovado cientificamente que a depressão inibe o sistema imunológico e desse modo proliferam os tumores. Os oncologistas foram os primeiros a notar que os pacientes deprimidos desenvolviam ou tinham recaídas em casos de câncer.

O conceito de “meme” foi criado por um neo-darwinista, Richard Dawkins, no livro “O Gene Egoísta”. Genes são a menor parte de matéria viva capaz de se reproduzir, e os Memes, por analogia, são a menor parte de memória capaz de se reproduzir também. Os vírus, por serem os organismos mais simples, são os que mais se reproduzem. Os memes, que são os “pedaços de memória” mais simples, são os que mais se reproduzem também – por isso se fala em “reprodução viral”, que uma frase “viralizou”. Memes não são só de humor, mas, pela necessidade emocional de humor que temos, esses são os mais populares deles.

Se você já teve um apelido do qual não gostou, já sofreu o pior efeito de um meme, enquanto os outros se divertiam por lhe incomodar. Se você já foi feliz com alguma frase, alguma resposta bem dada a alguém, conheceu a felicidade de ter produzido um bom meme. Não são só frases, é claro, também podem ser imagens, quaisquer tipos de sons – lembram do gemidão que viralizou via whatsapp?

Em séculos passados era chique ser “pernóstico”, falar difícil, ser considerado de uma “elite” acima da “ plebe”, dar grandes discursos que se ninguém entendesse lhe qualificaria mais ainda (o remanescente disso é o “textão” nas redes sociais). Agora a moda é outra, a simplicidade, por uma necessidade de comunicação de massas. Sobrevivem os mais adaptados, então se adapte à comunicação direta, que é a dos memes.

Luis Fernando da Silva Borges criou um grupo de divulgação científica “em forma de fake news”. Os memes são um fato científico e isso muda sua vida.

Montserrat Martins é médico psiquiatra, autor de Em busca da Alma do Brasil

Facebook do autor | E-mail: montserrat@tjrs.jus.br

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