Os “Poderes Ocultos”

O fascínio por “poderes ocultos”, que a humanidade tem há milênios, gerou milhares de filmes com todos os tipos de poder, para o mal (feiticeiros e outros super-vilões) ou para o bem (os super-heróis, ou os magos). Há inúmeros rituais de “evocação do mal”, inúmeras formas de espíritos malignos que seriam chamados por fórmulas ou palavras secretas.

O que dizem os estudiosos desses assuntos? Arthur Conan Doyle, criador do Sherlock Holmes, foi um historiador britânico e escreveu “The History of Spiritualism”, em 1926, no qual analisava os fenômenos de mediunidade e os casos de charlatanismo. Em 1857 Alan Kardec havia lançado o Livro dos Espíritos, no qual os “poderes do mal” são atribuídos à boa fé e ingenuidade dos homens primitivos ou então ao charlatanismo, pois não haveria fórmulas mágicas nem poderes sobrenaturais evocados por elas. Os fenômenos tidos por “sobrenaturais” teriam uma explicação científica e por volta de 1850 a ciência que surgia promissora nesse sentido se chamava “Magnetismo”.

Muitos fatos parecem mágicos até entendermos, como na história do Caramuru, em cujo tiro de espingarda os índios viram o poder do trovão. Os fenômenos do “Magnetismo” de 1850 hoje são vasto campo de estudos, que vão da Física até a Medicina. Estão presentes nos exames de imagem (Ressonância Magnética) e até na linha de frente do combate ao câncer com “nanopartículas magnéticas” dirigidas contra os tumores.

A ciência desvenda o invisível nas ondas sonoras e luminosas, assim surgiram o rádio e a televisão – não parecem mágica? A radiação, do Raio-X à radioterapia. As tecnologias com raios laser e infravermelhos, com usos desde a Medicina até usos militares.

Você já pensou quantas “mágicas” a ciência desvenda, ou cria, como no caso da Holografia? Hoje a Física Quântica muda nosso conceito de matéria, que se inter-converte em energia – algo difícil de compreender, mas análogo às transformações da água que muda do estado sólido (gelo) para o líquido e sendo aquecida vira vapor.

No auge da moda dos Pokémons, questionei por que meu filho decorava os “tipos” e mutações daqueles bichos, se eles nem existiam de verdade. Do alto dos seus 7 anos ele me explicou, didaticamente: “Você não sabe que as pessoas precisam de fantasia?”.

Por mais “milagres” que consigam realizar a Física, a Medicina e outras ciências, a ciência menos desvendada é o psiquismo da única espécie que destrói o seu próprio habitat natural, colocando em risco a sobrevivência da própria espécie.

Montserrat Martins é médico psiquiatra, autor de Em busca da Alma do Brasil

Facebook do autor | E-mail: montserrat@tjrs.jus.br

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