Democracia em vertigem, o filme, segundo Déborah Schmidt

Documentário sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, considerado um dos reflexos da polarização política e da ascensão da extrema-direita no poder, lançado pela Netflix, Democracia em Vertigem conquistou elogios da crítica após sua estreia no Festival de Sundance, tanto que o jornal New York Times o colocou na lista dos 10 melhores filmes do ano até agora.

Logo em seu início, a diretora Petra Costa assume com clareza seu posicionamento político, enquanto critica alianças e práticas políticas condenáveis adotadas pelo PT. Assumindo um tom mais pessoal, ela narra os principais momentos da política brasileira nos últimos anos, mas faz questão de relatar sua própria experiência durante este período.

A diretora fala sobre a sua infância, a ascensão de Lula e do PT e ilustra a polarização nacional através de sua própria família, composta por avós empreiteiros, de direita, e por pais militantes de esquerda.

Petra Costa se posiciona como personagem e como narradora, com sua voz doce e mansa, entrevistando a própria mãe ao lado de Dilma, visto que ambas foram presas pela ditadura. Petra também dá voz para as pessoas nas ruas e aos membros do congresso. O documentário avança na história, mostrando a eleição de Jair Bolsonaro e as decisões de Sérgio Moro.

A produção conta ainda com o cinegrafista Ricardo Stuckert, o fotógrafo oficial de Lula. Vemos, então, flagrantes de Lula cumprimentando Dilma no instante em que foi anunciada sua primeira eleição, o último dia de Lula e Marisa no Planalto e Lula falando ao telefone que ia ser nomeado ministro da Casa Civil (depois vetado pelo STF). Além disso, momentos de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo antes de se entregar à Policia Federal.

A extraordinária montagem mostra uma sequência curiosa de Michel Temer na cerimônia de posse de Dilma e o olhar de indignação da mesma diante do Congresso na audiência do impeachment. Sem contar nas belíssimas imagens feitas no Palácio da Alvorada e outras com uso de drone que são de tirar o fôlego.

Qualquer que seja sua posição política, todos concordamos a imensa transformação do Brasil a partir de 2013, quando as manifestações populares tomaram conta do país e dividiram a sociedade.

Fatos que iniciaram o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, a tomada de poder de Michel Temer, a prisão de Lula e a eleição de Jair Bolsonaro fazem parte da narrativa, que termina antes dos vazamentos das conversas do então Juiz Federal e atual Ministro da Defesa Sérgio Moro com o procurador Deltan Dallagnol.

Mesmo que não concorde com sua abordagem, Democracia em Vertigem é um filme necessário para quem busca repensar a recente história brasileira. Confrontar as diferenças faz parte da democracia, embora a nossa esteja extremamente frágil. Cabe ao espectador analisar e fazer sua própria leitura.

© Déborah Schmidt estudou Administração de empresas

Facebook da autora | E-mail:deborahschmidt@hotmail.com

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