Breve biografia de Pelotas, em seus 207 anos

Pelotas completa 207 anos neste domingo.

Vendendo carne salgada, charque como alimento para negros cativos no litoral, conheceu o apogeu econômico, ao ponto de ter um banco só seu, o imponente Banco Pelotense, com filiais em improváveis cidades capitais, de porte.

No decorrer da riqueza, viu-se presenteada por muitos bens culturais de valor, por obra de um mecenato zeloso do sal, lustros em oposição ao sangue dos matadouros, em que pelejavam negros feitos cativos.

Assistiu erguerem sobre si soberbos residenciais, em voga na antiga Europa, fabulosos teatros e impagáveis espetáculos de fidalguia idem, escolas de educação de notável gabarito.

Aos poucos, do apogeu descendo, conheceu a necessidade, embora não aceite admiti-la em público, não ostensivamente, devido ao orgulho cevado no tempo dos bois gordos.

Seus abatedouros foram abatidos.

Seu banco quebrou.

Seus velhos teatros agonizam em pé.

Sua crônica social perdeu a distinção de outrora.

Para manter nutrida a autoestima, há décadas serve-se da doçaria portuguesa em doses de endorfina sobre bandejinhas de papel, conjuntamente com o imprescindível trabalho suado de todos os seus comerciantes, seus prestadores de serviços, seus profissionais liberais, e seus novos empreendedores, sobretudo das áreas da construção e educação, que suprem a carência com inovações de mérito nacional.

Parabéns, Pelotas!

© Rubens Spanier Amador é jornalista.

Facebook do autor | E-mail: rubens.amador@yahoo.com.br

Chega de saudade

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