Coletivo faz manifestação para apuração do exames de pré-câncer

Coletivo Mobilização Pela Vida das Mulheres Pelotenses, que realizará ato-vigília no final da tarde desta sexta-feira (12) para marcar a data, envia o texto abaixo:

A denúncia da fraude nos exames pré-câncer completa um ano que se tornou pública através da imprensa no próximo dia 12 trazendo à tona um problema que de lá para cá só agravou.

Nos últimos doze meses, a população de Pelotas viu uma dezena de investigações serem abertas ou anunciadas sem que nenhuma delas tenha chegado a uma conclusão.

A denúncia que já partiu com a morte de Greice Dóro (UBS Bom Jesus), vitimada pelo câncer de colo do útero com seu papanicolau falso-negativo em mãos, foi acompanhada por mais dois falecimentos, Emanuele dos Santos (UBS Balneário dos Prazeres) e Ieda de Ávila (UBS Bom Jesus).

Dona Ieda foi o caso que originou a desconfiança dos servidores da UBS Bom Jesus sobre a padronização dos laudos, algo que já vinha sendo detectado bem antes de 2017 (data do memorando revelado pela imprensa em julho de 2018) e era paciente padrão – realizava seu exame preventivo anualmente e era acompanhada pela equipe de saúde. Já doente e tratando o câncer, dona Ieda realizou novo papanicolau que de novo atestou “nenhuma alteração”. Dona Ieda tinha feridas visíveis a olho nu no colo uterino.

Doze meses da denúncia, três mortes, inúmeras mulheres doentes, quatro laboratórios diferentes na realização das análises e a Prefeitura não alterou nada na rotina da Secretaria Municipal de Saúde, seja na comunicação com os servidores para facilitar a identificação de problemas seja no acolhimento de mulheres doentes vítimas dos falsos-negativos.

A Prefeitura também não tomou providências para contratar o laboratório de nível 2 (verificar a qualidade do serviço prestado pelo laboratório de nível 1, que analisa amostras de papanicolau), conforme determina a Portaria Federal 3.388 e conforme constatou a auditoria realizada pelo SUS a partir da denúncia da Mobilização Pela Vida das Mulheres. Disse a prefeita Paula Mascarenhas, em audiência com a MOB (9/11/2018), que a portaria nunca foi cumprida, dando a entender que se sente desobrigada de cumpri-la.

Mais grave ainda. A Prefeitura não fez o esforço de mutirão para a realização dos exames pré-câncer em todas as mulheres susdependentes em idade preventiva que assim o desejarem, fazendo com que a sombra de que mais mortes possam ocorrer permaneça.

Para marcar a data, lembrar as vítimas, clamar justiça para elas e para todas as mulheres que adoeceram por causa dessa fraude e exigir que a Prefeitura tome providências assumindo suas responsabilidades como gestora da saúde pública municipal, realizaremos Ato-Vigília do Calçadão até a Prefeitura a partir das 17h, faça chuva ou faça sol. A concentração está marcada para 16h30 na esquina das ruas Andrade Neves com Voluntários da Pátria.

Abaixo, o cartaz da convocação.

Obrigado por participar.

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