Para reitor, apresentação do Future-se, ‘apressada’, deixou dúvidas no ar

O reitor Pedro Hallal criticou o Ministério da Educação por ter elaborado o Programa Future-se sem consultar os reitores federais. Ele vê na pressa de apresentar o Programa uma reação ao desgaste do MEC, segundo ele, o Ministério pior avaliado na Esplanada e, por isso, ansioso por sair das cordas mostrando trabalho.

Hallal criticou a apresentação do Programa em si, sem o detalhamento necessário a uma compreensão clara e total, projetando, assim, dúvidas no ar.

Para o reitor, é incompreensível um anúncio do peso do Future-se, que promete a criação de um Fundo Especial de investimento nas instituições federais de ensino inicialmente composto por R$ 107 bilhões, se o governo não consegue nem mesmo dar garantia hoje de R$ 2 bilhões para manter as verbas previstas para 2019, quantia contingenciada pelo MEC há alguns meses.

“Na UFPel, nós temos dinheiro para manter a Universidade em funcionamento normal por mais 30 ou 45 dias; depois disso, a exemplo de outras instituições, começaremos a enfrentar problemas na oferta e manutenção dos serviços”, alertou Hallal, para quem o Future-se peca, ainda, ao tratar a educação exclusivamente pelo viés econômico – vinculando o investimento nas Universidades ao interesse do mercado, desconsiderando a oferta geral de cursos e a questão pedagógica.

Apesar de suas críticas, o reitor avisou que vai incentivar a comunidade acadêmica a participar da Consulta Pública – sobre o Programa Future-se – lançada pelo governo federal. Mas lamenta que a consulta tenha sido proposta no período de férias na Universidade, quando a comunidade está desmobilizada.

Hallal registrou pontos positivos do programa, embora com certo tom de ironia. 

Disse, por exemplo:

“O MEC, que dizia haver balbúrdia nas universidades, agora reconhece as universidades no seu devido valor”.

“O Future-se prevê uma coletânea de medidas que, em alguns casos, na prática, já viraram ações na UFPel, como a destinação de recursos para centros de pesquisa e inovação, a participação em parques tecnológicos, a criação de startups, a aproximação com empresas etc”.

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