Prefeitura conta história de jovem venezuelana para afirmar que ‘Pacto pela Paz cria oportunidades para imigrantes em Pelotas’

Paula na formatura do Projeto Start do Pacto Pelotas Pela Paz – Foto Michel Corvello

Do site da prefeitura |

Há um ano e meio, o Brasil passou a ser o novo lar de Alma Villamediana, jovem venezuelana de 17 anos que, junto com sua mãe, pai e irmão mais novo, deixou o país de origem em busca de novas oportunidades. Os desafios de aprender um novo idioma, se acostumar com uma cultura diferente e conhecer outras pessoas e lugares ficaram pequenos quando comparados à coragem da menina que chegou ao país decidida a crescer e empreender. 

Foi durante a visita da prefeita Paula Mascarenhas ao Instituto Assis Brasil, onde Alma estuda desde o início do ano, que ela ouviu falar pela primeira vez do Start: um projeto do Pacto Pelotas pela Paz, idealizado para apostar nas potencialidades da juventude pelotense, preparando os jovens para o mercado de trabalho e para a vida.

Na ocasião, Paula se dirigiu ao auditório lotado para dizer que os jovens querem entender quem são, buscam autonomia e independência e que, quando conseguem, se fortalecem.

A divulgação do projeto foi o verdadeiro ‘start’ para a venezuelana, que logo se inscreveu na iniciativa. De lá para cá, três meses se passaram. Com o tempo, a menina, antes tímida e contida, passou a acreditar mais em si e na própria capacidade, através de encontros semanais com dezenas de colegas, que recebiam orientações sobre liderança, empoderamento, comunicação e lições básicas sobre como elaborar currículos e participar de entrevistas.

“Eu aprendi muita coisa no projeto para poder sobreviver e ter um emprego. Também aprendi como lidar com situações diferentes, a conviver em equipe e a ser menos tímida. Agora quero seguir estudando para fazer faculdade de Relações Internacionais e trabalhar; se tudo der certo, as duas coisas ao mesmo tempo”, brinca a jovem.

Ela conta que em nenhum dos outros lugares pelos quais sua família passou (Boa Vista, em Roraima, e Porto Alegre), encontrou ações semelhantes às desenvolvidas na cidade. “É ótimo que a Prefeitura se preocupe com a educação, principalmente em inserir os jovens no mercado de trabalho.” Na última semana, Alma e outros 104 moradores de Pelotas comemoraram a conclusão do Start em uma formatura marcada por discursos esperançosos e autoconfiantes dos participantes.

Espírito de solidariedade

Ao lado da mãe Francis, do pai José e do irmão David, a menina esteve novamente diante da prefeita; desta vez, para comemorar a vitória conquistada. Mencionando a presença dos venezuelanos em seu discurso, Paula disse que a história deve ser considerada um exemplo do quanto a solidariedade tem poder transformador.

“Embora seja difícil o momento pelo qual passa a Venezuela, é bonito ver como os irmãos latino-americanos se encontram em um momento de fraternidade. É uma lição para todos nós. Espero que Pelotas siga acolhendo essa família e continue mostrando que a solidariedade também representa a luta pela paz”, afirmou a prefeita, lembrando o principal objetivo do Pacto: reduzir a criminalidade no município, através da cultura da paz.

Orgulho para a família

Olhos emocionados e voz embargada. Assim estava Francis, com celular a postos, para registrar todos os momentos da filha no palco do Colégio Pelotense. “É para mandar para a nossa família, na Venezuela. Estão todos tão felizes por ela… Querem acompanhar em tempo real”, disse a mãe, em uma das primeiras filas do auditório. Orgulhosa por ver a filha vencendo a importante etapa, ela afirma que o maior desejo é que Alma siga no caminho dos estudos. “Tivemos que fugir de lá e já passamos por muita coisa terrível, mas Pelotas acolheu a gente muito bem. Estar aqui é um sonho para nós”, apontou Francis.

Uma nova cidadã pelotense

As barreiras, pouco a pouco, foram sendo superadas pela jovem e a sua evolução cada vez foi ficando mais visível, conta o coordenador e professor do Start, Pablo Salomão. “Apesar de contida, ela sempre demonstrou estar extremamente interessada. Nós sempre trabalhamos a partir disso, querendo que ela se sentisse em casa. Como resposta, a Alma nos entregou apresentações lindas, com relatos de sua vida e manifestando um estímulo enorme. Essa é a história de sucesso de uma jovem venezuelana que agora também pode se considerar uma cidadã pelotense”, resumiu o professor.

Start

O projeto já formou 230 jovens dos núcleos Sítio Floresta, Areal, Colônia Z3, Getúlio Vargas, Navegantes, Laranjal, Santa Terezinha, Pestano e Centro, em três turmas. Para o quarto grupo, estão confirmadas aulas na Vila Princesa, Navegantes e novamente no Centro, desta vez, no Colégio Pelotense. O Start recebe inscrições de jovens que nasceram em Pelotas e, também, daqueles que a escolheram como morada e têm vontade de potencializar suas habilidades e assumirem o protagonismo de suas histórias.

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