Perguntas no ar sobre discussão entre moradora e prefeita

Paula Mascarenhas, prefeita de Pelotas, atendeu Zero Hora hoje, para falar sobre a briga de boca que teve com duas moradoras do Barro Duro, uma delas veemente, na manhã da última quarta, que podemos chamar, com licença poética, de a primeira manhã do resto da vida das envolvidas, já que, segundo Paula, foi um evento inédito, ao menos para ela. Provavelmente, para as manifestantes também.

A chefe do Executivo lamentou o fato à ZH. Disse ainda ter pedido desculpas logo após a discussão afervorada, mas observou que as mulheres estavam ali apenas para agredir. O Amigos de Pelotas tentou falar com a manifestante mais veemente, dona Tainá, mas não foi feliz na tentativa.

Ao se dar direito à tréplica na ZH (o caso repercutiu na mídia estadual), a prefeita dá satisfações não apenas a Pelotas, mas ao estado, o que permite imaginar a geografia mental dos tucanos pelotenses.

Para quem se preocupa com essas coisas, uma coisa é uma prefeita, digamos, de Itaqui perder o controle e bater boca com eleitoras, outra diferente é a prefeita que sucedeu o atual governador no Paço ver-se personagem de um episódio descrito por ZH com as seguintes letras garrafais: “Prefeita de Pelotas bate boca com MULHERES em inauguração de obra”.

As palavras com que Paula compôs sua resposta à ZH soam verdadeiras, convincentes. É verdade o que a professora diz. Todo mundo é suscetível a perder o controle até “exaltar-se”, como confessa que ocorreu a ela. Destemperos acontecem nas melhores famílias.

Do episódio, porém, duas perguntas projetam-se no ar, sem respostas.

Primeira pergunta: O que, afinal, terá causado o entrevero inusual, assim como a inédita reação da prefeita, de avançar uns centímetros em direção à moradora do Barro Duro e sustentar uma discussão de igual para igual, em tom ríspido, ao ponto de responder à oponente com um febril “baixa o dedo tu?, e de a mulher replicar “tu é uma sem-vergonha”?

Segunda pergunta: Por que a prefeita, que nunca perdera a calma antes, perdeu-a na quarta-feira passada?

Resumindo numa terceira: Que confluência de astros levou ao acontecido?

Um entendimento possível para o episódio é que, por mais que a prefeitura anuncie boas novas, elas continuam insignificantes diante das necessidades por soluções nos serviços púbicos dos bairros – daí, talvez, a veemência do protesto das mulheres. Além disso, as autoridades chegam aos bairros com uma pequena comitiva, assessores de imprensa para fotografá-las em poses de confraternização, e mais segurança armada, outro aparato que pode não causar boa impressão, já que estamos falando de bairros carentes e semiabandonados, onde a segurança nem sempre se faz presente no dia-a-dia da comunidade. Questão de sensibilidade, parece.

Já por que a prefeita comprou a briga, ainda seguindo no terreno de suposição, talvez se possa dizer que Paula não viva um bom momento, uma vez que as contas da prefeitura enfrentam um déficit de R$ 60 milhões, com a prefeita fazendo das tripas coração para não atrasar salários dos servidores, fantasma que, segundo se comenta, começa a assombrar a atual gestão.

Que terá se passado, lá no fundo, que levou os ânimos ao acirramento? É o que a gente fica pensando.

Paula sobre briga: ‘Pedi desculpas, mas estavam ali para agredir’

Ainda o bate-boca entre uma moradora e a prefeita

Vídeo: Paula bate boca com moradora no Balneário dos Prazeres

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