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Empreendimento & Consumo

Havan pode desistir de abrir loja em Pelotas

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A depender do que decidir em reunião nesta sexta-feira (4), o Sindicato dos Empregados do Comércio (SecPel) pode atrapalhar a vinda da Havan para Pelotas.

A Havan quer todos os dias livres para trabalho. Já o Sindicato teria posição oposta, contrária ao trabalho nos domingos e feriados.

Por telefone, assessoria de imprensa da empresa disse ao jornal: “A Havan quer liberdade para trabalhar, e tradicionalmente dá folgas aos funcionários em outros dias”. Diz também que os cerca de 80 colaboradores já selecionados para Pelotas concordam com os termos da Havan.

Se na reunião desta sexta o Sindicato for contra, a questão nem será submetida aos funcionários em processo de contratação pela Havan.

A Assessoria diz que se a posição for contrária, a empresa pode desistir de abrir unidade em Pelotas.

Vídeo: “Queremos um acordo para poder trabalhar”

Para chefe de RH da Havan, bom senso prevalecerá

Selecionados para trabalhar na Havan farão manifestação nesta sexta

7 Comments

7 Comments

  1. Marcelo Xavier

    06/10/19 at 01:04

    Sindicato como sempre atrapalhando o crescimento e a vida das pessoas. Imagina que absurdo uma loja do tamanha da HAVAN fechada aos domingos. É óbvio que domingos e feriados são os dias em que a população mais irá frequentar o estabelecimento.
    EU QUERO HAVAN EM PELOTAS, e quero que abra aos Domingos e Feriados!!!

  2. Luiz Fernando Tubino

    04/10/19 at 11:52

    Os sindicatos querem dinheiro da base sindical, mas não querem que trabalhem domingo! Isso, nos dias atuais chega a ser absurdo; a loja física quer abrir, respeita a legislação enquanto o e-Commerce vende a qquer hora do dia, finais de semana e feriados sem encargos extras. Depois se queixam que não tem empregos na cidade!

  3. Allan

    04/10/19 at 08:32

    Sindicato sendo sindicato. Lamentável.

  4. Antonio Nodario Moura de Lima

    03/10/19 at 22:21

    Eu fui um que pediu para a Havan se estabelecer em Pelotas. Como tenho familiares lá pensei que mais oferta de emprêgo Seia bom para eles, também. Entretanto pela posição do Sindicato vejo que já há emprêgo sobrando. Ou os lojistas daí não querem concorrentes.

  5. Simone

    03/10/19 at 20:12

    Mas é só aqui no Rio Grande do Sul mesmo,por isso Pelotas ta do jeito que ta …

  6. Suélen RC Souza

    03/10/19 at 16:29

    Então é fechar shopping e atacados que funcionam aos domingos. Pq uma Havan não pode?!? Se a questão é não querer trabalhar aos domingos, é só não procurar emprego lá. Trabalhará quem quiser…

  7. Regina

    03/10/19 at 11:39

    Este sindicato é muito atrasado !!!! Lamentável

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor. Abç.

Empreendimento & Consumo

Considerações sobre o prédio próprio da Câmara no Parque Una

Como um imã siderúrgico, o Una vem magnetizando tudo em volta, uma força que desloca a percepção de como deveria ser uma cidade

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Atualizado: 21h44| 25/10

No fim de semana passado veio a notícia, pela boca do presidente da Câmara, vereador Cristiano Silva do PSDB, de que ele é favorável à construção de prédio próprio do Legislativo pelotense no Parque Una, o bairro planejado pela Idealiza Cidades, em construção. Notícia dada como certa.

Até Silva verbalizá-lo em público, certamente o tema foi discutido com a também tucana prefeita Paula Mascarenhas e outras vozes da prefeitura, dona do dinheiro, já que se trata de um negócio de monta. Também vozes contrárias começam a se fazer ouvidas nas redes, acadêmicos e donos de prédios antigos.

Críticas

Acadêmicos consideram o Una, em suas palavras, “um bairro de elite, não popular, além de longe do centro histórico e do povo, e distante da prefeitura, que fica no entorno da Praça Coronel Pedro Osório”. O Centro de Estudos Ambientais (CEA) postou um discurso panfletário e simplista – “que estão ameaçando o acesso popular à Casa do Povo, aceitando que seja construída 5 km longe do Centro. E do seu bairro?” (a localização é bobagem, fique onde fique será sempre mais ou menos longe da maioria dos bairros).

Outros lembram do prédio do antigo Banco do Brasil, em diagonal à prefeitura, mas este infelizmente é caso perdido. Por decurso de prazo, não vem mais ao caso.

Já proprietários particulares de ruinosas construções advogam que a escolha da sede da Câmara deveria recair sobre as carcaças de seus prédios tombados, pelos quais sempre requerem restauração com dinheiro público, alegando que são patrimônios da cidade.

Nenhum deles vai ao ponto.

Crítica do Centro de Estudos Ambientais

Questão de mercado

Pela longa demora na escolha do ponto e pela sucessão de idas e vindas de comitivas oficiais em visita a vários terrenos passíveis de receber o prédio, múltiplas consultas, movimentos e hesitações no decorrer de mais de uma década, conclui-se que faz tempo que o tema da sede do Poder Legislativo pelotense virou uma questão de mercado, longe, isto sim, do seu significado original para a cidadania, onde a posição do Sol pouco importa ou deveria importar.

Melhor adquirir prédio próprio ou pagar aluguel? Hoje em dia, faz muitos anos, o poder público paga valor altíssimo pela locação de um Casarão-Palácio na rua XV de Novembro.

O problema está na ideia de palácio, que permanece.

A questão central é: Precisa uma Câmara com instalações ambiciosas (pensando em futuro longínquo, vereador Cristiano Silva quer, além de conforto, prédio para abrigar 30 vereadores, meta longínqua, se não irreal) em área urbana valorizada, no Una ou qualquer outro loteamento que não foi lembrado? Deveria isto ser um critério? Por lei, loteamento deve reservar 3% da área para instalações de função pública e, em contrapartida, oferecer redes de esgoto, drenagem, elétrica, custo de que o poder público fica desobrigado de desembolsar. Aí, porém, está o cerne da questão, sob o manto da legalidade.

Câmara está virando um elefante

Estrutura pesada

Pouco a pouco a Câmara vem se tornando uma enorme máquina pesada: além de 21 vereadores, mais de 100 cargos de comissão, estrutura de Televisão, uma tevê aliás que ninguém vê, basta verificar o baixo nível de interações da página da TV nas redes. Menos interação de que sites de vendas de ferraduras para cavalos. Vereadores perdem prestígio vertiginosamente, na verdade políticos em geral, mas pior para aqueles por causa da proximidade com o eleitor. É mais difícil manter a máscara, mesmo em tempos de isolamento e retração do convívio.

Primeiro de tudo, é muita estrutura, muito conforto legislativo, para pouca entrega. Segundo, e não só por isso, as autoridades deveriam acima de tudo zelar pelo dinheiro do contribuinte. Fossem zelosas, reduziriam custos ao máximo. Nem sede própria precisariam. Podiam usar instalações emprestadas da prefeitura ou de uma instituição, como já ocorreu quando era no andar de cima da Biblioteca Pública. É assim nas cidades suecas, por exemplo, cujo modo de vida é inspiração para o Una.

Já que Silva faz questão de sede própria, creio que uma sala confortável com baias de trabalho e uma recepção seriam mais que suficientes. Os gabinetes? Sobretudo nos modernos tempos tecnológicos, os gabinetes podiam muito bem ser as próprias casas dos vereadores. Aquela sala com baias e aquela recepção poderiam ter ficado no prédio do antigo Banco do Brasil, reformado, à distância prática de atravessar a rua para chegar à prefeitura, mas agora já foi, depois que, perdida aquela oportunidade, decidiram fazer do lugar uma escola de Gastronomia do Senac. Talvez tenha sido até bom, porque, para o que fazem, os vereadores não precisariam mais do que uma boa sala de reuniões, com acesso a café e água, e banheiro para as necessidades.

Nem falo de reduzir salários de suas excelências, embora considere ruim quando os contracheques das autoridades se distanciam da média da renda da população, como ocorre em Pelotas.

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Aquele me parece que deveria ser o parâmetro civilizado, lógico, na hora de decisões oficiais como a localização da sede da Câmara, redução de custos, do mesmo modo que fazem as empresas produtivas. O presidente da Câmara e as vozes que o avalizam não pensam assim.

No caminho oposto ao novo mundo minimalista focado no essencial, na liquidez da vida, Silva e os avalizadores do negócio na prefeitura estão apegados à ideia de parlamentos de vulto, grandes instalações, plenários espaçosos (que diferença faz na representatividade de populares no recinto 10, 100 ou 1000 pessoas? Esqueceram das regras da proporção?), bandeiras de pavilhão, salas para homenagens, galerias de homenageados mirando horizontes incertos, e, claro, máquinas xerox (sim, ainda usam).

Se acham que está sobrando dinheiro nos cofres públicos de Pelotas para bancar a construção de um prédio para o qual reservaram mais de R$ 10 milhões, e muitos milhões depois para mantê-lo, que sigam em frente com a decisão tomada entre quatro paredes e pelo whats. Que dirão os pelotenses?

Em suas peças, adiantando-se à percepção das épocas, Shakespeare via o povo como um detalhe, um espectro de memória falha, ausente das decisões e da bonança. Não que a maioria dos edis conheça o bardo, este é que os conhecia desde há muito.

Faça-se uma pesquisa para tirar a dúvida: como há séculos sabia o autor de Hamlet, o povo do Brasil não estaria preocupado aonde seria a sede da Câmara de Pelotas nem quanto custaria, mas sim em comprar o botijão de gás e ver a novela das oito. Eis a questão! Vamos em frente, bora aquecer mais o mercado imobiliário com dinheiro do contribuinte!

Impressionante como os políticos decidem fácil, entre eles, o que fazer com o nosso dinheiro! Como fazer. Onde fazer. Impossível não pensar no significado, na responsabilidade e no custo moral de uma decisão desse porte.

Parque Una, onde a Câmara própria deverá ser construída

O valor do Parque Una

Como já dito, por lei 3% da área de loteamentos como o Una estão disponíveis para ocupação do poder público, que decide se ocupa ou não. O pessoal do Una pode no máximo oferecer a área, como fez. Como se pode presumir sem erro, já que o povão da Vila Castilhos não está nem aí para o assunto, nem se pode dizer com certeza que haja um vilão na história, se é que há. Pode-se dizer que o desinteresse geral é a mãe das possibilidades.

O Una ganha com a ida da Câmara para o bairro? Como disse Fabiano de Marco, sócio na empresa, “a presença da Câmara fará com que o Una deixe de ser um bairro residencial para se tornar um bairro da cidade”. Portanto, a Idealiza ganha! Indo para o Una, o poder público (prefeitura e Silva à frente na Câmara) impulsiona os negócios no bairro.

É compreensível que o Una seja considerado um ponto de desejo. O bairro se expande bonito a olhos vistos e, embora voltado para faixas de maior renda, seu desenho urbano e a formatação da Associação de Bairro são vistos por muitos como uma solução urbanística capaz de influenciar positivamente a cidade em todos os quadrantes, apesar das resistências oficiais de mudar o regime de tributos local para favorecer a autogestão dos bairros (mais, abaixo).

Como um imã siderúrgico, o Una vem magnetizando tudo em volta, uma força que desloca a percepção de como deveria ser uma cidade. Até mesmo empreendedores de outros estados viajam para conhecer o projeto. A comercialização vai tão bem que outro dia a Idealiza anunciou: além das 32 torres previstas originalmente para o Una, erguerá mais 20 torres em área colada ao bairro. Para o leigo é um sucesso de vendas absurdo, surpreendente. Ninguém podia imaginar que houvesse tanto dinheiro e crédito no mercado para tantas aquisições de alto padrão.

Associação de Bairro forte

O Parque Una vem recriando o planejamento urbano com uma proposta que reencontra o homem com suas origens (áreas verdes, lago, pássaros, a natureza e o outro). Pensando mais longe – na manutenção do bairro – a Idealiza definiu como condição aos adquirentes de unidades que, nos contratos, assinem o compromisso de fazer uma contribuição financeira mensal para um caixa próprio da Associação do Bairro. Assim, os próprios moradores ficam responsáveis pela gestão do bairro onde vivem, livres de ficar esperando por serviços públicos em geral demorados. A própria AB do Una trocará lâmpadas, consertará redes de água etc. , contando, inclusive, com serviço de segurança pessoal e patrimonial.

Para que os moradores dos demais bairros da cidade pudessem dispor de dinheiro para pagar a associação de seu bairro, com o objetivo de gerir o próprio sem esperar pela prefeitura, como no Una, a prefeitura teria de reduzir IPTU, deixando o desconto no bolso da AB, mas Paula resiste à ideia.

O Una foi concebido como um integrador colaborativo de desenvolvimento humano e profissional, e um indutor da autogestão do ambiente pelas pessoas que moram e trabalham nele. É um bairro que tem como alicerce conceitos liberais, em que o estado (a prefeitura, no caso), com uma estrutura precária de manutenção de serviços urbanos, é aliviado (a) de responsabilidades pelas quais tem pernas curtas. Como manter as 500 praças públicas de Pelotas com 10 jardineiros? Eis um problema que no Una não existe; o parque estará bem podado por conta própria. Já os jardineiros da prefeitura terão uma praça a menos para cuidar.

Indo para o bairro, a paisagem para os vereadores será de primeiro mundo. Faxina garantida.

A decisão ficará a cargo de Silva, respaldado, mas sozinho? Só Silva decidirá?

Com a palavra, Cristiano

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Brasil & Mundo

Trabalho híbrido pode piorar qualidade do sono, diz pesquisador

Enquanto no trabalho presencial, a pessoa precisa de mais tempo entre acordar e chegar ao posto de trabalho, ao ficar em casa é possível estender as horas de sono

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A tendência da adoção definitiva do modelo híbrido de trabalho, aquele que alterna entre as atividades presenciais com o home office pode gerar dificuldades para o sono regular das pessoas e até aumentar ou provocar insônia.

Segundo pesquisadores do Instituto do Sono, esse modelo de trabalho traz um desafio adicional, que consiste na mudança de horário entre os dias de atividades presenciais com home office. Enquanto nos dias de trabalho presencial, a pessoa precisa de mais tempo entre acordar e chegar ao posto de trabalho, ao ficar em casa é possível estender as horas de sono.

Além de quebrar a rotina do horário de dormir e acordar, o trabalho híbrido pode estragar a qualidade do sono pelo fato de que trabalhando em sistema remoto, as pessoas dividem seu tempo em casa entre trabalho, estudos dos filhos e rotina doméstica, dividindo a jornada de oito horas ao longo do dia para conseguir realizar todas as tarefas, hábito já observado no período da pandemia, quando o trabalho estava sendo desenvolvido só remotamente.

“E as empresas flexibilizaram o trabalho que não tiveram mais receio de mandar um e-mail à meia-noite, esperando resposta”, disse o biomédico e pesquisador do Instituto do Sono, Gabriel Natan Pires.

De acordo com ele, para manter uma boa qualidade do sono, o indivíduo precisa seguir uma rotina com horários determinados para lazer, trabalho, alimentação e descanso e não seguir esses hábitos pode resultar até mesmo em reflexos negativos para o sistema imunológico. “É como se o nosso cérebro precisasse de pistas para entender quando chega hora de dormir e a hora de acordar”, comenta.

Segundo Pires, nos dias de home office, o trabalhador pode até dormir um pouco mais porque não precisará enfrentar o trânsito para chegar ao trabalho, mas é importante que inicie e encerre o expediente nos mesmos horários. “Esse esquema dará certo se a corporação zelar pela saúde mental do colaborador e o profissional não abrir mão do seu sono para aumentar a produtividade. Mesmo porque é uma utopia trabalhar até as 23 horas e achar que às 23h05 estará dormindo”.

Ele destaca que outro desafio para o trabalho híbrido é ter em casa um ambiente de trabalho adequado para não prejudicar a saúde e manter a rotina. Aqueles que já têm tendência à insônia precisam manter a regularidade do trabalho e dos hábitos saudáveis, porque qualquer alteração mínima pode piorar o quadro.

“É preciso ter um regramento para ver se essa pessoa que está se dispondo ao trabalho híbrido consegue realmente se adequar isso. A ideia é a de que pessoas que não conseguem, prefiram o trabalho no escritório porque se a rotina incerta prejudica o sono, estar no escritório pode ser menos prejudicial”.

Pires ressaltou ser necessário que trabalhador e empresa negociem a forma mais confortável para que a produtividade se mantenha, mas a disponibilidade para isso varia de acordo com a ideologia da direção.

“Há empresas que têm uma visão mais tradicional e não aceitam que o funcionário escolha seu horário de trabalho. A flexibilização é importante porque há pessoas com tendência fisiológica de acordar e dormir mais tarde, como há aquelas que acordam e dormem mais cedo. São as pessoas matutinas e as vespertinas. Isso é uma variação normal”.

Trabalho remoto e insônia

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A pandemia de covid-19 gerou pandemia de insônia, diz Pires  – Marcello Casal jr/Agência Brasil

Segundo Pires, a pandemia de covid-19 gerou outra pandemia, a de insônia, com pelo menos 60% das pessoas tendo seu sono prejudicado seja por conta da ansiedade devido à crise sanitária ou pelas alterações de rotina. A princípio a percepção era a de que o trabalho em casa poderia auxiliar as pessoas a dormirem melhor, porque teoricamente elas poderiam escolher seus horários de trabalho e não gastariam tempo de deslocamento, o que não ocorreu.

“Uma coisa é trabalhar em casa porque escolheu isso, outra é ter quer trabalhar porque foi imposto, sabendo que não tenho ambiente adequado e que tenho que ficar trancado, assim como meus filhos que não podem ir para a escola. Não foi um trabalho remoto adequado. Isso alterou a rotina e o sono perdeu espaço porque o trabalho em casa sem regra picotou e estendeu a jornada de trabalho, que ficou sem hora para terminar”.

Um dos principais problemas para o sono é quando se leva o trabalho para o quarto, principalmente para quem tem insônia, porque para o sono natural e de qualidade acontecer é preciso que o cérebro desacelere aos poucos. Trabalhando até antes de dormir, leva-se tudo isso para a cama e no momento em que o cérebro deveria desacelerar a pessoa está levando o stress que o reacelera, gerando uma reação parecida com a de stress pós traumático, disse.

“Se eu comecei a levar o celular para a cama e comecei a estressar, com o tempo meu cérebro vai associar a minha cama com um ambiente de stress. No passado eu deitava na minha cama e o sono já vinha porque aquilo era um ambiente de relaxamento, agora não”, explicou.

Pires disse que nenhum tipo de sono induzido é recomendado e que, apesar de sono ser um processo cerebral complexo, é preciso que aconteça naturalmente. Por isso é necessário entender que o sono deve ser uma prioridade na agenda e que a pessoa não seja privada de sono. “Se eu entender que quero dormir por volta das 22h, devo entender que a partir das 20h eu já tenho que começar a desacelerar. O sono tem que ser permitido e natural”.

Piora do sono

Uma pesquisa do Instituto do Sono revelou que 55,1% apresentaram piora do padrão de sono durante a pandemia de covid-19, período no qual predominou o trabalho remoto. Além do aumento das preocupações, a mudança de rotina foi um dos motivos mencionados pelos mais de 1.600 participantes do levantamento, que citaram ainda o medo de adoecer, a insegurança financeira e a distância da família e amigos.

Segundo dados do o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), na fase mais aguda da pandemia, 11% dos brasileiros aderiram ao trabalho remoto, totalizando de 8,4 milhões de pessoas em 2020. Deste percentual, 63,9% eram da iniciativa privada, dos quais 51% eram ligados à educação, 38,8% ao setor financeiro e 34,7% a atividades de comunicação.

Dicas para assegurar uma boa noite de sono

– Mantenha uma rotina: estabeleça horários para o sono, alimentação, exercícios físicos, lazer, trabalho e atividades com a família.

– Arranje um lugar específico para trabalhar: procure um local da casa para desempenhar suas funções profissionais. Se possível, evite escolher o quarto. É importante que o cérebro associe o quarto como um ambiente ao descanso e tranquilidade, não a uma atividade estressante.

– Não leve o notebook ou celular para cama: o excesso de interatividade e a luz das telas desses aparelhos atrapalham o sono.

– Desacelere antes de dormir: pelo menos uma hora antes de se deitar faça uma atividade relaxante: tome banho, leia, ouça música, faça meditação ou qualquer outra atividade que ajude a desacelerar.

– Evite alimentos pesados e bebidas com cafeína: faça refeições leves até duas horas antes de deitar. Não tome café, energéticos e chá preto e outras infusões que contêm cafeína à noite.

– Exponha seu corpo à luz pela manhã: abra as janelas, caminhe pelo jardim ou pelo quintal. Assim você mostra ao seu cérebro que é dia e, portanto, hora de trabalhar.

– Conheça seu cronotipo: o ciclo circadiano, que compreende vigília e sono, dura cerca de 24 horas. Cada pessoa tem seus horários de preferência para dormir e acordar. O cronotipo é o nosso perfil de preferência circadiana.

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Brasil & Mundo

Primeiro voo há 115 anos: Santos Dumont aliou invenções à ciência

O feito inédito que completa 115 anos neste sábado (23), porém, é “apenas” a parte mais famosa das conquistas

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O voo do brasileiro Alberto Santos Dumont, em uma distância de 60 metros com o 14-Bis, no Campo de Bagatelle, em Paris, marcou historicamente aquele 23 de outubro de 1906 e consagrou ainda mais o inventor. O aparelho subiu 2 metros de altura e foi o bastante para a humanidade olhar para cima e para o futuro de forma diferente.

O feito inédito que completa 115 anos neste sábado (23), porém, é “apenas” a parte mais famosa das conquistas, segundo apontam os pesquisadores da vida e das obras daquele mineiro que ficou conhecido como o Pai da Aviação.

Santos Dumont em seu 14-Bis
Santos Dumont em seu 14-Bis – Domínio Público

Até aquela data (e depois também), o enredo é de uma história de coragem, perspicácia, generosidade e divulgação científica como rotina de vida. Característica, aliás, de um período de fascínio pela tecnologia e pelas descobertas. Autor de quatro livros sobre Santos Dumont, o físico Henrique Lins de Barros, especialista na história do gênio inventor, destaca que feitos anteriores foram fundamentais para que as atividades aéreas se consolidassem.

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Ele cita que o brasileiro inventou e patenteou o motor a combustão para aviões, em 1898, o que viabilizou o sonho de um dia decolar. Uma característica de Santos Dumont é que ele criava, patenteava e liberava a utilização para quem quisesse. Três anos depois do motor, a conquista da dirigibilidade, também por parte de Dumont, foi uma ação revolucionária.  

“Ele aprendeu a voar de balão, fez os primeiros dirigíveis. Todos eles, até o número 6, têm inovações impressionantes, com mudanças conceituais. Ele sofreu diversos acidentes, mas aprendeu a voar. Foi assim que ele descobriu quais eram os problemas de um voo controlado.  Quando ele ganhou o Prêmio Deutsch, em 1901 [com o dirigível número 5], ele tinha domínio total. Em 1902, ele já tinha os dirigíveis até o número 10 construídos”.

“Ele tem uma produção, em dez anos, em que ele idealiza, constrói, experimenta mais de 20 inventos. Todos revolucionários. Ele tem intuição para o caminho certo e criatividade para ir adiante. Os colegas deles inventores diziam que ele fazia em uma semana o que os outros demoravam três meses”, afirma Henrique Lins de Barros.

Voo sob controle

De acordo com o escritor Fernando Jorge, biógrafo de Santos Dumont, a descoberta da dirigibilidade, por parte do brasileiro, foi um marco decisivo para o que ocorreria depois. “Entendo que foi um momento supremo e culminante para a história da aeronáutica mundial.”

Para o arquivista Rodrigo Moura Visoni, pesquisador dos inventores brasileiros e autor de livro sobre Santos Dumont, as fotos mostram detalhes da emoção que tomou conta das pessoas quando houve a conquista da dirigibilidade. “Santos Dumont foi convidado para rodar o mundo. Foi, sem dúvida, um grande feito. Para se ter uma ideia, o número de notícias sobre a conquista do Prêmio Deutsch supera a do primeiro voo [cinco anos depois]. Isso é explicado porque a busca pela dirigibilidade já tinha 118 anos. Ele resolve um problema secular. Além disso, a descoberta permitiu a era das navegações aéreas”, afirma.

Segundo o que Visoni pesquisou, Alberto Santos Dumont disse, em várias entrevistas, inclusive pouco antes de morrer, que a maior felicidade dentre todas as emoções foi a conquista da dirigibilidade. “Isso é muito curioso. Ele dizia que o dia mais feliz não foi o dia em que ele faz a prova do Prêmio Deutsch, nem o 23 de outubro ou o 12 novembro de 1906 [em que ele faz o voo de 220 metros pela Federação Aeronáutica Internacional]. O dia mais feliz teria sido o 12 de julho de 1901, quando ele percebeu que resolveu o problema de dirigibilidade aérea. Foi uma demonstração impressionante. Ele vai aonde ele quer. Ele estava totalmente integrado ao dirigível.” 

O Prêmio Deutsch (no valor de 100 mil francos) foi conferido a Santos Dumont por ele ter conseguido circular a Torre Eiffel em julho. Mas os juízes garantiram a vitória ao brasileiro somente em novembro daquele ano. Os 120 anos da dirigibilidade, assim, devem ser celebrados no mês que vem.

Na ocasião, o dinheiro foi distribuído para a equipe do aviador e para pessoas pobres da capital francesa. “Ele era um homem muito generoso”, afirma o biógrafo Fernando Jorge. 

“Tomem cuidado!”

A série de demonstrações públicas que ele faz dos seus inventos devia sempre ser acompanhada da presença de repórteres. “Os jornalistas registravam e Santos Dumont publicava o que ele estava fazendo. Essa é uma característica impressionante. Ele divulga tudo. Tanto o que ele acerta como o que ele erra. Essa é uma característica impressionante dele. Quando ele erra, ele descreve e alerta: ‘Tomem cuidado!’. Ele estava maduro na arte dos balões”, afirma Lins de Barros. 

População francesa assiste ao voo do 14-Bis
População francesa assiste ao voo do 14-Bis – 1906- Domínio público

A postura de Santos Dumont não era apenas a de um inventor, mas a de um divulgador científico, explicam os pesquisadores. “Ele foi um divulgador honesto.”

Entre 1901 e 1906,  Santos Dumont passou a entender o que era o voo do avião. “O 14-Bis ele fez em pouquíssimo tempo, pouco mais de um mês. Em setembro, por exemplo, ele experimenta e faz vários testes com o aparelho.”

Em 23 de outubro, ele, após quatro tentativas, consegue voar os 60 metros. Assim ele mostra para todos os aviadores da época que era possível voar com o mais pesado que o ar. Uma revolução. A vitória significou o Prêmio ArchdeaconBastaria voar 25 metros. Santos Dumont fez um percurso de mais que o dobro.

Demoiselle, a primeira de uma série

Depois do voo, outros inventores entenderam quais eram os problemas. Em 1907, Santos Dumont apresenta o Demoiselle (invenção número 20), um ultraleve. “No ano seguinte, Santos Dumont publica em uma revista popular o plano detalhado do Demoiselle para quem quisesse construir. Esse modelo passa a ser o primeiro produzido em série na aviação”, explica Lins de Barros. O modelo foi vendido para um pioneiro da aviação na França, Roland Garros.

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Foto reprodução Iara Venanzi/Itaú Cultural

Santos Dumont x irmãos Wright

Nessa época, também, surge uma polêmica com dois norte-americanos, os irmãos Wright (Wilbur e Orville), que alegam terem sido os pioneiros do voo. Os pesquisadores explicam que os aviadores não têm registros de voos, com decolagem, dirigibilidade e pouso antes de 1906 sem uso de catapultas (que impulsionavam os aparelhos para o ar).

Em 1908, Santos Dumont, acometido por esclerose, abandonou o voo. O registro é de que ele se suicidou em 1932, em um hotel no Guarujá (SP). O biógrafo do aviador, Fernando Jorge, lamenta que o final da vida do genial brasileiro tenha sido de martírio diante da doença e da depressão. “Ele era um homem tímido e que revelava que não queria casar porque não queria deixar a esposa viúva. De toda forma, o que sempre me impressionou na personalidade dele foi a combinação impressionante da tenacidade, da coragem e da perseverança. Foi um gênio da humanidade.”

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