Parasita, o ganhador da Palma de Ouro

Ganhador da Palma de Ouro em Cannes e representante da Coreia do Sul no Oscar, Parasita mostra a família Kim, formada pelo pai Ki-taek (Song Kang-ho), a mãe Chung-sook (Jang Hye-jin), o filho Ki-woo (Choi Woo-sik) e a filha Ki-jung (Park So-dam).

Pobres e desempregados, eles moram em um bairro miserável, buscam wi-fi dos vizinhos e aproveitam a fumigação da rua para dedetizar o minúsculo local onde moram, uma espécie de meio-andar.

Tudo muda quando um amigo de Ki-woo pede que ele assuma a tutoria em inglês da filha de um rico empresário, o Sr. Park (Lee Sun-kyun). Fascinados com a vida luxuosa dos Park, a família Kim bola um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um.

Conhecido pela crítica social aliada a uma comédia de toques cruéis, o competente diretor Bong Joon-ho (uma das minhas apostas para o Oscar de melhor diretor), o mesmo dos ótimos O HospedeiroExpresso do Amanhã e Okja, explora uma visão caricaturalmente genial das classes sociais.

Enquanto a riqueza dos Park os torna ingênuos e ignorantes, a pobreza dos Kim motiva a malandragem e a habilidade. A noção de parasitismo do título funciona perfeitamente para descrever o conflito entre as duas famílias.

O roteiro de Joon-ho, ao lado de Jin Won Han, é uma denúncia da desigualdade social feita através de um humor sombrio e sarcástico. O longa apresenta cenas absurdas e hilárias, apostando no humor físico e nas viradas na trama.

Ao espectador mais atento, não surpreende que a narrativa se encaminhe para a tragédia. Ao enxergar na violência o único desfecho possível, o filme constrói uma bomba-relógio, acentuando as diferenças e as injustiças sociais até vê-las colidirem em um clímax sangrento.

Com personagens fascinantes e diálogos brilhantes, Parasita transita entre gêneros, no melhor filme do ano até agora.

Déborah Schmidt, formada em Administração de Empresas e cinéfila.

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