O Irlandês é ótimo, mas não surpreendente

Com Spoiler.

O filme “O Irlandês”, mais recente realização de Martin Scorsese, disponível no Netflix, é ótimo, mas não é tudo aquilo que a gente esperava.

Esteticamente, tem muita qualidade, aquela preocupação com os detalhes típica do Scorsese, característica que se mostrou artisticamente perfeita no inesquecível “A Época da Inocência”. Muita categoria na composição das cenas, um roteiro que inclui um humor saboroso, sutil.

O filme, porém, é longo demais, três horas e meia. A história poderia ter sido contada em menos tempo. Já a linguagem lembra muito a usada pelo diretor em “Cassino”.

Há muitas remissões ao “O Poderoso Chefão”, clássico sobre a máfia, até em acordes musicais.

O Irlandês é um filme sobre a máfia, sobre a força política do Sindicato dos Caminhoneiros dos Estados Unidos, sobre o poder. Evidentemente, também é um filme sobre traição.

A história parece um condensado dos dois filmes, “Cassino” e “O Poderoso”.

Al Pacino vai bem no papel de Jimmy Hoffa, chefe do temido sindicato dos caminhoneiros nos anos 50 e 60. Robert De Niro está bem no papel do irlandês que trabalha para Jimmy e para a máfia. Mas quem rouba a cena é Joe Pesci, no papel do chefe mafioso, uma atuação na justa medida.

O final lembra muito o destino de Michael Corleone na saga do “O Poderoso Chefão”, terminar sozinho e remoendo culpas.

Mesmo assim, vale assistir. Afinal, se trata de um Scorsese.

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