Profissionalização do ofício de professor. Por Neiff Satte Alam

Todas as profissões são ofícios, mas nem todos os ofícios são profissões, neste caso, a profissão de professor é um ofício onde se enquadra a proposta de Jobert, citado por Perrenoud, que salienta que a competência profissional pode ser concebida como a capacidade de gerenciar o desvio entre o trabalho prescrito e o trabalho real.

Desta forma, fica claro que não basta ao professor/profissional seguir regras propostas antes de desenvolver um trabalho real, pois há necessidade de gerenciar este desvio entre o que se prescreve e o que deverá ser efetivamente realizado. Há, neste caso, uma “construção da autonomia e do consequente julgamento profissional”.

Para tanto, é imperioso que se trabalhe estas questões desde a formação do profissional e que esta formação tenha continuidade durante toda a sua vida profissional, principalmente inserindo ainda nos bancos escolares um trabalho intensivo e muito sério no sentido de incrementar uma capacidade, tanto na ação como após e antes desta, de uma “prática reflexiva”, que permitirá um julgamento profissional positivo, dinâmico e pró ativo, exatamente o que fará a diferença entre o professor profissional e o que apenas exerce o ofício de ser professor.

Dentro desta lógica, há uma necessária mudança de comportamento em nossas escolas, que parecem adormecidas sobre os louros da linearidade positivista dos séculos passados e que não evoluiu para uma visão complexa, logo não linear, exigida pelos novos tempos, como sequência evolutiva natural e necessária dos processos de ensino-aprendizagem, principalmente com o que nos oferece todo este avanço tecnológico, infelizmente só absorvido na parte recreativa pela maioria significativa de nossos professores quando brincam ao celular ao acessar as redes sociais.

Quando propomos um profissional que domine a prática reflexiva – um profissional reflexivo, é necessária uma formação a partir de uma visão revolucionária, corajosa, autônoma e que atenda todas as classes sociais, pois verificamos que há uma acomodação de muitos professores aos projetos político-pedagógicos impostos e sem muita (ou nenhuma em alguns casos) discussão, partindo do princípio que não “adianta nada”, que “isto não vai melhorar o salário”. Que “ a ideologia dos gestores não está de acordo com a minha” e aí por diante. Isto é o mesmo que “desistir de lutar”…

É neste momento que sentimos necessidade do domínio de uma prática reflexiva que alimente a capacidade argumentativa para contrapor argumentos conservadores e que procuram, portanto, manter a Escola em uma área de conforto, inerte e avessa a transformações que desacomodem o pseudo equilíbrio, que só interessa aos desinteressados em desenvolver um melhorar rendimento das Escolas.

Impõe-se um trabalho sério, altamente técnico, no sentido de profissionalizar o ofício de professor, possibilitando uma formação continuada que supra as deficiências trazidas da Universidade, que também sofrem do mesmo mal dos professores da Educação Básica, principalmente os que não tiveram em suas profissões de origem o necessário e fundamental aprendizado na área didático/pedagógica.

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