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Opinião

Marcelo Bagé, uma liderança da nova direita pelotense

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Marcelo Bagé, nascido há 37 anos na rainha da fronteira (daí o Bagé, apelido que assimilou ao nome), morador de Pelotas desde 2004, é uma das faces na nova direita na cidade. Direita verdadeiramente Direita, diz.

Presidente do partido Patriota na cidade, Bagé começou sua vida profissional no Exército brasileiro, onde foi sargento de carreira. Mais tarde, ingressou no Judiciário Federal como técnico e onde hoje exerce o cargo de Oficial de Justiça.

Formou-se em Direito e em Medicina Veterinária, cursou especialização em Direito Constitucional e hoje cursa pós-graduação em clínica médica de pequenos animais. Nunca exerceu cargo político, eletivo ou não.

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Embora tenha cursado Direito, vive de dois trabalhos: como servidor federal concursado e como Médico Veterinário, clínico de pequenos animais.

Como começou seu envolvimento com a política?

Foi a partir de 2014, final do ano, tomado por um sentimento de indignação com o que era revelado pela Lava Jato, um sentimento de que a política não contemplava os interesses da coletividade. Foi chocante ver a quantidade absurda de agentes públicos envolvidos em corrupção, além da gestão incompetente e deturpação de valores, coisas que se refletiam direta e negativamente na vida das pessoas. Nesse momento, senti necessidade de me envolver mais com a política, participar mais ativamente.

Foi então que ingressei no MBL (Movimento Brasil Livre), me engajando ativamente no movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff e no combate à corrupção. Entendi que Dilma era uma presidente desonesta, que tinha praticado crime de responsabilidade e que precisava sofrer o processo constitucional de impeachment. A partir dali, juntamente com outras pessoas que compartilhavam da mesma indignação, começamos a construir uma alternativa política à direita.

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Tu és de direita ou é Bolsonarista?

Eu me encontro à direita e vejo em Jair Bolsonaro o expoente máximo deste espectro político, o grande líder, pois, além da visão econômica liberal, menos estatista, com maior liberdade econômica, somos conservadores, com uma postura de firme defesa da família, do patriotismo, civismo, da vida, da segurança pública e da legítima defesa como direito do cidadão.

Como disse, sou conservador, defendo as bandeiras da base de JB, e, ao mesmo tempo, defendo uma economia de mercado que valorize o empreendedorismo, que reduza a carga tributária, que não achate a vida do empreendedor e, por conseguinte, que gere dignidade e emprego às pessoas.

Te envolveste diretamente na campanha de JB?

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Sim, diretamente, trabalhando desde a pré-campanha dele, e, felizmente, conseguimos elegê-lo. Agora vem a nova etapa. Se nós perdermos a mobilização em torno da agenda do atual governo, o projeto como um todo pode fracassar e as esquerdas voltarem ao poder.

Muitos como eu entendem que precisamos solidificar nos municípios e estados essa linha conservadora, à direita, para dar sustentação ao presidente, eleger seu sucessor ou ele próprio novamente.

A esquerda não tem projeto de país, de nação, mas sim projeto pessoal de poder, norteado pela ideologia. Nós nos contrapomos a isso. E estamos trabalhando nomes que tenham a mesma visão, para ocupar espaços e construir essa base firme que tanto sonhamos para o avanço das ideias conservadoras.

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Pelo que pesquisamos, hoje estás desligado do MBL. Saiu por quê?

Fui do MBL em 2015, saí por incompatibilidade de ideias. Considero que o movimento perdeu sua essência, se distanciou da pauta conservadora, se distanciou de Jair Bolsonaro, o grande expoente que surgia com viabilidade de derrotar as esquerdas.

Eu sempre fui seguidor de JB; isso foi para mim um divisor de águas. Tive uma rápida passagem pelo PSDB, num momento em que entendia ser o único espaço partidário disponível para enfrentar o PT. Não me sentindo contemplado pelo ideário partidário, um tempo depois, me filiei ao PSL e, agora, ao Patriota.

Saí do PSL porque entendi não haver mais espaço para construir as coisas em que acredito, dentro do partido. Formalmente, sai junto com Bolsonaro, mas já estava afastado havia alguns meses.

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O Aliança pelo Brasil, novo partido em formação em torno do ideário Bolsonarista (liberal-conservador), está no seu horizonte?

No futuro, provavelmente, estaremos compondo essa grande aliança pelo Brasil. Pode ter certeza de que estarei sempre junto com outros para dar sustentação ao presidente Bolsonaro.

Pelo que se sabe, pretendes concorrer a vereador pelo Patriota. Acredita que uma candidatura de direita, conservadora, que rejeita o paternalismo do estado, tem chance de sucesso no ambiente populista como é o da política local?

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Ao longo do tempo o sistema foi construído para favorecer a troca de favores; um buraco tapado a pedido de um vereador pode render votos, uma determinada família fica agradecida. Acredito, porém, que é preciso mudar isso.

Pensamos em construir uma nova forma de fazer política. Nós queremos mudar o sistema. É preciso pensar no geral, no coletivo, e não no particular. A função do vereador é legislar, fiscalizar, propor demandas, cobrá-las. Se trabalhar de forma efetiva, se fizer bem feito seu trabalho, o vereador vai melhorar a vida de toda a comunidade. Hoje vemos muito isso, um vereador representa um tal segmento, ok, pode representar, mas ele pode e deve trabalhar pautas para contemplar toda a comunidade. Ele precisa lembrar que não atua para a ou b, mas para toda a cidade.

Um vereador pode mais: pode contribuir para buscar recursos para a cidade, legislar de olho na atração de investidores, recebê-los de braços abertos. Por exemplo, a Havan (loja, prestes a ser inaugurada na cidade). Eu e colegas, mesmo sem mandato, nos envolvemos com a questão, fomos às redes sociais – fizemos algo que era função dos vereadores, que se mostraram desmobilizados sobre essa questão.

Por falar em Havan, tens publicado vídeos ao lado do Luciano Hang, com mensagens dele para Pelotas. Há alguma relação política entre vocês?

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Eu o procurei como cidadão, quando algumas resistências sindicais dos comerciários pareciam querer impedir a vinda da loja. Claro, o procurei também porque tenho a mesma visão dele sobre a necessidade de desburocratizar o Brasil para favorecer a dinâmica econômica.

Eu o procuro, ele me atende, estabelecemos uma relação mais próxima por compartilharmos dos mesmos valores e defendermos os mesmos princípios: um país que gere empregos, que respeite os valores, os princípios, e que se mantenha distante do totalitarismo defendido pelos regimes de esquerda.

Luciano diz coisas que queremos para Pelotas, como a desburocratização da administração, o fomento ao empreendedorismo, que Pelotas seja atrativa para investidores, que tenhamos mais emprego, maior dignidade, melhor assistência à saúde, educação e segurança, que são os pilares essenciais.

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Acredita mesmo que é possível mudar a forma de fazer política?

Precisamos trabalhar de forma diferente, sem pessoalizar, sem conchavar. Precisa acabar isso de se votar em alguém porque esse alguém vai dar algo em troca. Precisa de uma visão diferente, de uma visão coletiva, uma construção coletiva.

Como analisas a maneira como a cidade vem sendo administrada?

Na minha opinião, a gestão Paula é péssima. Considero uma gestão incompetente. Na hora de recolocar finanças em ordem, ela pensa em reduzir direitos dos servidores, atrasa salários, quer aumentar a carga tributária (taxa de iluminação). Pois eu acredito que, ao invés disso, o governo deveria antes cortar na própria carne.

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A gente sabe que tem excesso de cargos de confiança (372 cargos, ao custo de R$ 1,3 milhão mensais, segundo dados de outubro passado). Para começo de conversa, deveria ser feita uma reorganização administrativa, começando por um corte drástico no número de ccs, ao invés do simples repasse da conta da má gestão à sociedade. Vejo um mau direcionamento de recurso, uma assistência à saúde deficitária, basta entrar no Pronto Socorro, é deprimente.

Precisa melhor gestão, maior eficiência. Além disso, vemos obras finalizadas com acabamento ruim. Vereadores da base do governo, inclusive, divulgam vídeos de obras mal acabadas. Obras terminadas há dois meses, já com problemas. A gente precisa de um governo atuante, que cobre das empresas.

Falaste em reduzir o número de CCS. E os consultores, achas que são necessários?

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O quadro de servidores é extremamente qualificado. Existem muitos servidores que poderiam prestar os mesmos serviços prestados hoje à prefeitura por consultorias. Acho desnecessário, portanto, a consultoria. Acho que deveriam valorizar o servidor, aproveitando sua qualificação.

Tu defendes a formação de governos com base no critério técnico. Acha isso viável no modelo atual de composição partidária?

Pelotas é convencional na hora de montar governos. Pesa sempre a indicação política dos partidos. Até pode haver, e há, nos partidos, pessoas qualificadas para gerir. A questão é que a indicação partidária não deveria ser o primeiro requisito e sim a qualificação técnica.

Em primeiro lugar, um governo, acredito, tem que ser técnico, competente. Existem os ccs indicados pelos partidos da base, ok, embora hoje sejam em número demasiado. Só que, para cargos-chave de primeiro e segundo escalão, o governo deveria buscar primordialmente a qualificação técnica, a experiência. Não basta o partido indicar.

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Nós defendemos o governo técnico. Bolsonaro faz assim e acho que deveria ser feito também nos municípios. Por exemplo, Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), e Weintraub (Abraham, da Educação), não têm filiação partidária.

Voltando ao Bolsonaro, tu te dizes um seguidor dele. Que tipo de seguidor tu és?

Procuro ser esclarecido. Uma das coisas que mais admiro em Bolsonaro é que ele não criou um personagem de si mesmo, como foi feito com Lula, com as magias marqueteiras do Duda Mendonça, para se tornar palatável, como ocorreu em 2002. Ali se construiu um personagem. Já Bolsonaro é o que é desde sempre. Eu comecei a acompanhá-lo ali por 2012, no começo como uma figura diferente, porque se contrapunha ao politicamente correto. Desde então, ele é o mesmo. Reclamam que o presidente fala demais, que exagera, mas ele está sendo ele mesmo, transparente, honesto, e isso me deixa seguro. Ele pode errar, como todos nós, mas também sabe voltar atrás quando acontece. Isso é importante. Bolsonaro me representa, por ser o grande líder do projeto transformador, ou melhor, resgatador em que acredito, também por essas qualidades. Pode-se reclamar dele por isso e aquilo, mas nunca que ele desviou dinheiro ou que fez conchavos, é uma figura autêntica, mesma pessoa na vida pública e na vida privada.

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Certezas definitivas na política são possíveis?

Olha, a gente se decepciona muito. Mas eu tenho convicção, neste momento, de que o Brasil está no rumo certo. Nós precisamos trazer esse mesmo rumo para o município. Um exemplo: um dos pilares desde a campanha de Bolsonaro é a revisão do Pacto Federativo. Menos Brasília e mais Brasil, mais município. Isso é estrutural para o País. O sistema hoje está orquestrado para que os municípios estejam sempre com pires na mão, suplicando emendas de deputados. Precisa mesmo de uma revisão do Pacto Federativo, para que o município tenha autonomia da gestão. Tem que acabar isso de deputado ter de votar de acordo para receber emenda, pois é no município que o recurso é gerado, é na ponta que se trabalha, se paga o tributo, então é aqui que tem de ficar a maior parte dos recursos.

Tu te consideras um neoliberal?

Não gosto desse termo. Sou conservador e defendo uma política econômica que dinamize o mercado, com maior liberdade econômica, políticas de incentivo ao empreendedorismo e defesa da propriedade privada. Minha proposta é coincidente com o governo federal, tendo a economia americana como parâmetro. O Brasil é viciado no paternalismo estatal.

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Paulatinamente, é necessário desconstruir essa cultura, que limita a ousadia e a criatividade. As pessoas têm de reconquistar sua autonomia, saber que podem caminhar sem que o estado forneça tudo. Temos de valorizar, fortalecer e investir no indivíduo. É o que o general Mourão fala: “Nós [Estado] daremos a ordem e vocês, o povo, é que construirão o progresso. Lá em cima falaste em Direita moderna.

Pode explicar mais isso?

Queremos romper com essa ideia de direita associada ao poder econômico, muito comum no Brasil. Quando digo que somos uma direita moderna é porque não temos vícios, porque há no Brasil pessoas de direita em todas as classes sociais.

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No Brasil, graças àquela hegemonia de discurso das esquerdas, as pessoas foram induzidas a confundir a direita com a riqueza. Não necessariamente há correspondência, inclusive porque, durante os governos do PT, os ricos ganharam muito dinheiro, aliás, nunca ficaram tão ricos quanto nos governos de esquerda.

Ser de esquerda sempre foi um grande negócio para alguns que se aproximaram do poder e se locupletaram dele (algumas empreiteiras, frigoríficos, dentre outros). O PT, para se manter, precisava do aval do mercado, e parte deste ajudou e incentivou a sua permanência no poder, apostando na oferta de crédito para consumo, sem produzir riqueza sustentável.

Por um tempo parecia que estava dando certo, os menos favorecidos tiveram acesso a produtos que antes não tinham, como o carro e passagem de avião. Os ricos, os bancos, se locupletaram por um tempo até que veio o inédito rombo nas contas públicas e a maior recessão da história do País.

Nós somos direita na essência. Eu mesmo não sou rico, nem perto disso, tenho origem bastante humilde, conheço de perto as dificuldades da maioria das pessoas e tenho dois trabalhos, a fim de fazer frente às despesas da família. Consegui progresso individual baseado no estudo e na dedicação. Minha vida  tem 15 horas diárias de trabalho.

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Algumas postagens tuas, por vezes, parecem pegar pesado. Concordas?

Não sou agressivo. O que acontece é que nós vivemos por longo tempo um período de hegemonia cultural e midiática da esquerda. A esquerda definiu o que é certo e errado. Criou até mesmo sua própria direita, o PSDB. O PSDB é um partido de centro esquerda, mas foi a “direita permitida” por muito tempo.

As esquerdas tiveram a hegemonia do discurso, o domínio das mídias, o domínio cultural, nas escolas, nas universidades. A esquerda organizou a vida do país e do continente. Quando surgiu o contraponto com Bolsonaro, nós precisávamos ter uma certa agressividade, porque precisava tocar na ferida, bater na ferida, combatendo o pensamento único, mostrando que aquilo que era tido como certo não era a única possibilidade, que existia um antagonismo, outra visão. E que a gente estava se propondo a construir esse antagonismo.

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A dominação era muito grande. Considero que tive uma postura mais incisiva, em alguns momentos, porque era necessário. Agora, além de ser incisivo quando preciso, tenho procurado ser propositivo, apresentar soluções para os problemas enfrentados pelas pessoas no cotidiano. Já desconstruímos boa parte da hegemonia do PT e de seus braços, agora é hora de, mantendo a vigília, começar a construção de um novo país.

Como presidente do Patriota, tens conversado com outros partidos?

Neste momento estamos focados na construção do nosso partido. Num segundo momento, vamos dialogar, a gente ainda não decidiu se teremos candidatura própria a prefeito. O partido está se organizando, temos aí um mês de atividades. Organizamos nossa executiva local, agora tem a convenção estadual, faço parte da executiva estadual, inclusive, como primeiro secretário. Vindo de lá, teremos uma convenção municipal, para apresentar o partido a Pelotas, de preferência antes do fim deste ano, se possível, apresentando nominata cheia, com 31 candidatos.

Teremos candidatos em muitos municípios do estado. Em São Leopoldo, um delegado da Polícia Federal concorrerá a prefeito. Em canoas, uma advogada, em Porto Alegre, Bagé, Caxias e outras cidades, o partido está se estruturando, também, para apresentar um projeto de municípios sustentáveis, que não precisem estar aumentando a carga tributária a cada novo ano, a fim de colocar as contas em dia.

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A população não aguenta mais pagar a conta da incompetência de gestão.

https://amigosdepelotas.com.br/2020/03/05/hermes/

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Brasil & Mundo

Presidente diz que Brasil e o mundo não aguentam um novo lockdown

Bolsonaro diz que tomará medidas racionais contra nova variante

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O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (26) que o Brasil e o mundo não aguentam um novo lockdown, ao comentar sobre a possibilidade da chegada de uma nova variante da covid-19, como está sendo cogitada com a cepa surgida na África do Sul e que tem se espalhado por outros países. Ele participou, nesta tarde, das comemorações do 76° Aniversário da Brigada de Infantaria Pára-quedista, no Rio de Janeiro.

“Tudo pode acontecer. Uma nova variante, um novo vírus. Temos que nos preparar. O Brasil, o mundo, não aguenta um novo lockdown. Vai condenar todo mundo à miséria e a miséria leva à morte também. Não adianta se apavorar. Encarar a realidade. O lockdown não foi uma medida apropriada. Em consequência da política do ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’, a gente está vendo agora. Problemas estamos tendo”, disse Bolsonaro.

Sobre a possibilidade de fechar fronteiras, o presidente disse que não tomará nenhuma medida irracional. Também disse que não tem ingerência sobre a realização de festas de carnaval, que são afeitas aos níveis estaduais e municipais de governo.

“Eu vou tomar medidas racionais. Carnaval, por exemplo, eu não vou pro carnaval. A decisão cabe a governadores e prefeitos. Eu não tenho comando no combate à pandemia. A decisão foi dada, pelo STF, a governadores e prefeitos. Eu fiz a minha parte no ano passado e continuo fazendo. Recursos, material, pessoal, questões emergenciais, como oxigênio lá em Manaus”, disse.

Segundo ele, o Brasil é um dos países que melhor está saindo na economia na questão da pandemia. “Nós fizemos a nossa parte. Se o meu governo não tiver alternativas, todo mundo vai sofrer, sem exceção. Não vai ter rico, pobre, classe social. Temos certeza que dá para resolver esses problemas. Eleições são em outubro do ano que vem. Até lá, é arregaçar as mangas, trabalhar. Tem 210 milhões de pessoas no Brasil que, em grande parte, dependem das políticas adotadas pelo governo”, ressaltou.

Sobre a aprovação do projeto de lei que limita o pagamento dos precatórios –  dívidas públicas com ordem judicial de pagamento -, a maioria com muitos anos de atraso, Bolsonaro frisou que não prejudicará os mais pobres.

“Dívidas de até R$ 600 mil, nós vamos pagar. Nenhum pobre, que há 20, 30, 40 anos tem dinheiro para receber, vai ficar sem receber. Agora, quem tem para receber mais de R$ 600 mil, e só Deus sabe como aparece esse precatório, nós vamos parcelar isso daí”, disse.

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Brasil & Mundo

Quem vem depois? Por Mateus Bandeira

FHC acertou na avaliação: o PSDB se apequenou. Por vários motivos…

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Os partidos políticos, no Brasil, são pessoas jurídicas de direito privado. Ponto. Entretanto, seja pela importância de uma prévia para indicar um candidato à Presidência da República por parte de um dos grandes partidos brasileiros, seja pela ótica simples de saber quem paga a conta, o assunto é, definitivamente, do interesse de todos nós. O partido é o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Suas prévias para escolher o candidato a presidente do Brasil, marcadas para o dia 21 passado, viraram notícia por desdobramentos que vão além das razões acima listadas.

Seria passar atestado de inocência desconhecer as verdadeiras batalhas que acontecem em prévias partidárias, em quase todos os países com eleições livres, para, a seguir, quase unidos, ganharem as eleições. Que o Partido Democrata norte-americano e seu último escolhido, o agora presidente Joe Biden, não nos deixem falando sozinhos. Todavia, a inacreditável suspensão das prévias do PSDB em função de uma falha continuada no aplicativo de votação – espantosamente contratado junto à Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ao custo alegado de R$ 1,3 milhões, e fiscalizado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo – não foi fruto do acaso. Muito menos uma consequência indesejada de embates entre propostas divergentes.

A explicação para o ocorrido está na primeira parte da manifestação do presidente de honra do próprio PSDB, Fernando Henrique Cardoso: “Estamos nos apequenando. O Brasil inteiro acompanha tudo, né? Como podemos governar o Brasil se não conseguimos organizar uma simples votação?” Com o cuidado com os tempos verbais e a educação que lhe é peculiar, o ex-presidente da República acertou no diagnóstico. O PSDB, o partido tucano, apequenou-se.

Apequenou-se quando escondeu, nas campanhas eleitorais subsequentes, os feitos dos governos FHC – notadamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações e a modernização de nosso assistencialismo.

Apequenou-se quando substituiu a vaidade intelectual de seu presidente de honra pela vaidade mundana das aparências.

Apequenou-se quando esqueceu a obra social e política de Dona Ruth, hoje mais referenciada por adversários do que pelo próprio partido.

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Apequenou-se quando substituiu a descabelada militância do deputado cassado Mário Covas, líder da bancada oposicionista em 1968, governador de São Paulo até que o câncer o levasse, por cabelos alinhados diariamente.

Apequenou-se quando instaurou governos estaduais mais preocupados e aderentes às narrativas em voga do que a enfrentar a dura realidade de seus cidadãos.

Apequenou-se quando rejeitou, esquecendo, as realizações de governadores como Covas e Yeda.

Apequenou-se quando aceitou relativizar à ocasião, a prática de dizer verdades.

Apequenou-se quando seus governadores paralisaram a economia, fechando empresas e eliminando empregos, em nome de duvidosas ações de combate à pandemia.

Apequenou-se quando permitiu que projetos de poder pessoal divergentes se legitimassem como se fossem propostas diferentes.

Apequenou-se quando permitiu, ao nível do deboche, a utilização dos recursos públicos do Fundo Partidário para a realização de prévias faustosas: viagens de jatos, montagens de equipes de marketing e pesquisas, hospedagens, jantares, convescotes de toda a ordem – e a ausência, por semanas, dos governadores de suas respectivas cadeiras e obrigações.

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Não se apequenou na realização das prévias. Aquela série suicida de trapalhadas é uma consequência. Consequências que, como um dia ouvi de um bem-humorado Fernando Henrique Cardoso, “têm o sério costume de sempre virem depois”.

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Brasil & Mundo

2013: o ano que não terminou

A ideia-debate de que os partidos não estavam dando conta sozinhos da realidade sumiu da paisagem tão rápido quanto entrou

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A Europa se prepara para uma quarta onda de covid. Segundo a epidemiologista Margareth Dalcolmo, o que começa na Europa acaba vindo para o Brasil. Desde as caravelas e Cabral, os europeus são nossa referência. Às vezes penso que nos faltou o que não faltou lá: uma guerra de verdade, porque, no Brasil, as coisas mais importantes sempre ficam para depois.

Há alguns anos se falava:

“O mundo ficou complexo demais para que só os partidos se ocupem da política.”

As manifestações de 2013 foram interpretadas como um sinal disso.

Naquele ano, multidões saíram às ruas para dizer que não estavam gostando da condução dos políticos. A sucessão de passeatas, confrontos com a polícia e depredações de prédios públicos, com ameaças de invasão na Praça dos Três `Poderes, teve como estopim queixas do Movimento Passe Livre contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de transporte em São Paulo. O País colou os olhos na tevê. Parecia uma revolução.

A explicação que prevaleceu para aquele clamor foi que decorreu da insatisfação social com as condições dos serviços públicos. Serviços ruins e caros para uma maioria de usuários de baixa renda. Certamente houve razões mais profundas, como provou a dimensão nacional que ganhou um protesto iniciado em São Paulo, disseminado por um sem-número de cidades.

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Tudo começou por causa de 20 centavos

Como o governo desistiu momentaneamente de elevar a tarifa, a situação voltou ao “normal”. A presidente Dilma ajudou a apagar o incêndio, gravando um vídeo pedindo paz na sociedade. Com isso, a ideia-debate de que os partidos não estavam dando conta sozinhos da realidade sumiu da paisagem tão rápido quanto entrou. Para onde foi toda aquela indignação?

Como resposta à sociedade, tivessem sensibilidade e soubessem interpretar os sinais, as lideranças políticas brasileiras deveriam, ali, ter desencadeado um debate sério, maduro, em busca de consensos sobre reformas estruturantes para o País. Não fizemos. Deixamos passar a oportunidade. Pode parecer ingênuo esperar que fizessem alguma coisa. Mas, por conta dessa negligência, muitos cientistas políticos consideram que junho de 2013 é um mês que ainda não terminou.

Desde aquela época, o Brasil vive em uma espiral constante de acirramentos de conflitos, ódios, arroubos autoritários. Em 2014, os atores da Lava Jato pareceram, de repente, reencarnar o espírito de 2013, agora com ímpetos sumários de justiça por algo mais ambicioso que 20 centavos. Todo mundo aplaudiu. Sabemos o que aconteceu: bilhões desviados, sangria fiscal, condenações, alguns atropelos jurídicos decorrentes da ânsia reprimida por inaugurar um novo País, impeachment, Temer…

Uma operação que foi na essência meritória, uma reivindicação a ver com o clamor de 2013, politicamente desembocou em Jair Bolsonaro, de repente depositário de uma esperança radical; entendido como alguém “fora do sistema”, apesar de ser fruto dele, JB foi a saída que restou em 2018. Bolsonaro teve a chance de tentar fazer aquelas reformas, como procuraria fazer um estadista sintonizado com seu tempo. Mas não…

Sem a estatura necessária exigida do cargo, e sem dimensão histórica, JB se confundiu e atrapalhou, como vimos. Decidiu enfraquecer Sérgio Moro na Justiça. Não fortaleceu o combate à corrupção. Afrontou as instituições, a imprensa, a lógica, ameaçou com golpe. No fim, aliou-se ao Centrão e, recentemente, aderiu ao jogo de agradar o parlamento com emendas secretas etc. Resultado: o Supremo, pouco antes, mudou o fórum de julgamento de Lula sem inocentá-lo, mas tornando-o reelegível em 2022.

Mais uma vez ficou para trás a ideia de repensar as instituições, o que exigiria provavelmente nova Constituição, certamente reformas estruturantes no sentido de reorganizar o Estado, pôr fim aos privilégios, inserir maior liberdade econômica etc., preparar o País para a modernidade.

Aquela pulsão de 2013 não foi absorvida pelas lideranças porque o Brasil, como se sabe, é o País do futuro, nunca do agora. Gostamos de empurrar com a barriga.

O Brasil teve a chance de ser refundado, mas deixou escapar

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