Conservatório de Música de Pelotas monumental. Por Dan Barbier

Dan Barbier *

Quem passa pela esquina das ruas Felix da Cunha e 7 de Setembro vez ou outra tem a possibilidade de ouvir as sinfonias que ecoam do centenário casarão azul. São sons de canto, cordas, sopros e metais frequentemente produzidos nas aulas, nas oficinas e nas diversas atividades artísticas promovidas pelo curso de música da Universidade Federal de Pelotas. Basta olhar para cima. Ou melhor, bastava…

Com o acordo de cessão assinado ente a Prefeitura de Pelotas e a UFPel, o Conservatório passará a ocupar os dois pisos do Casarão. Um acordo em que todos saem ganhando.

Fundado em 04 de junho e inaugurado em 18 de setembro de 1918, o Conservatório de Música de Pelotas foi uma das primeiras instituições de ensino público de música no Estado. O primeiro é de Porto Alegre, de 1909, ligado ao Instituto Livre de Belas Artes.

As histórias de ambos institutos, contudo, se cruzam. Em 1916, chega em Porto Alegre o pianista Guilherme Fontainha com a responsabilidade de dirigir o Conservatório porto-alegrense. Sua atuação, entretanto, não ficou restrita as fronteiras metropolitanas. Entusiasta do modelo educativo musical moderno, inspirado no método do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, Fontainha transitou pelo interior do Estado e acabou motivando o surgimento de outros conservatórios de música. Sua passagem por Pelotas não foi diferente e junto com José Corsi e Antônio de Sá Pereira fundaram a instituição pelotense.

A fundação do Conservatório de Pelotas acompanhada da presença de entusiastas do modernismo brasileiro fez com que a instituição se incluísse num circuito nacional de apresentações e trocas de saberes.  Assim, o intercâmbio de professores e a colaboração com outros organismos propiciaram o surgimento desde cedo de concertos públicos. Características fundadoras do Conservatório e preservadas até os dias atuais.

Com 101 anos completos em setembro, o Conservatório de Música tem vivido a expansão de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, enquanto tenta solucionar os graves problemas de infraestrutura, como o restauro do Salão Milton de Lemos e as limitações do espaço físico para acolher as atividades que realiza.

Atualmente, para termos uma ideia, a instituição mantém os projetos Musicoteca, Centro de Documentação Musical, AfinaSul, cursos de extensão e oficinas de Acordeom, Canto, Flauta transversal, Guitarra, Piano, Saxofone, Teclado, Trompete, Violão, Violino e Regência, além de um curso avançado de Música realizado pela Associação Amigos do Conservatório de Música e atendendo aproximadamente 150 alunos da comunidade. Possui ainda um Coral Infanto-Juvenil e um Coral Feminino. Dentre as diversas atividades que realiza com apoio de sua associação de amigos, a ASSAMCON, destacam-se o Encontro de Corais e o Encontro de Sopros. Elementos históricos, artísticos e culturais que conferiram ao Conservatório o reconhecimento de patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul, através da lei nº 12133 de 2004.

Mesmo diante das dificuldades, conseguiu reunir esforços e mobilizar a comunidade local para restaurar seu salão de concertos, um dos mais prestigiados da região sul, o Milton de Lemos, reinaugurado durante as festividades do centenário. E permaneceu mobilizada desde então para a alcançar uma das conquistas mais importantes de sua história: a ocupação integral de sua sede, até então dividida com o Serviço Autônomo de Pelotas (SANEP).

No anúncio realizado nesta quarta-feira, a prefeita Paula Mascarenhas e o reitor Pedro Curi Hallal informaram que o SANEP será deslocado para o prédio da antiga Justiça do Trabalho, na Lobo da Costa, mas que o serviço de atendimento ao usuário será mantido no prédio atual, na Félix da Cunha. Mudança que não trará prejuízos à população; ao contrário, contribui para a qualificação da nossa escola superior de música, de sua comunidade academia e de sua relação com a comunidade. Uma boa notícia para encerrar 2019.

Dan Barbier é mestre em Patrimônio Cultural

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