Connect with us
https://www.mvpthemes.com/zoxnews/wp-content/uploads/2017/07/zox-leader.png

Cultura & entretenimento

Dois Papas, um belo filme e uma lição de tolerância

Publicado

on

Após ter sido bem votado na eleição que colocou o conservador cardeal alemão Joseph Ratzinger (Anthony Hopkins) à frente do Vaticano como Papa Bento XVI, o cardeal argentino Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce) decide aposentar-se. Mas, para isso, precisa da permissão do Papa, e então vai a Roma para convencê-lo.

Baseado em fatos reais, Dois Papas narra desde o conclave para decidir quem substituiria João Paulo II depois de sua morte em 2005, a renúncia de Bento XVI em 2013 devido a uma crise na Igreja Católica por conta dos escândalos com abusos sexuais de sacerdotes, e a consequente escolha de Francisco como seu sucessor.

Dirigido brilhantemente por Fernando Meirelles, o filme discute os bastidores da igreja a partir do encontro entre o atual e o futuro papa.

O excelente roteiro de Anthony McCarten explora a fundo a personalidade de cada um. Se desde o início já simpatizamos com o futuro Papa Francisco, o Papa Bento XVI é totalmente o seu oposto. Intelectual, autoritário e tradicional, a ausência de carisma no alemão não o tornou amado como seu antecessor, e ele tem consciência disso.

Além disso, as diferentes visões de Bento e Francisco sobre variados assuntos tornam o filme ainda mais cativante. Os dois não concordam em praticamente nada, mas se tratam com muito respeito.

Com protagonistas cheios de nuances e camadas, Bergoglio ganha mais destaque, com flashbacks que mostram dois momentos decisivos em sua vida.

O primeiro é quando decidiu abandonar a noiva para seguir sua vocação sacerdotal e o segundo é no momento em que viveu a maior crise moral de sua vida, ao suspender dois jesuítas de uma missão pastoral, o que deu pretexto para que militares da ditadura recém-instalada na Argentina os prendessem e torturassem. Vemos, ainda, sua proximidade com a comunidade carente de Buenos Aires, em ótimas sequências na periferia da capital argentina.

De certa forma, é fácil gostar do popular Bergoglio, afinal, ele é acessível, descontraído e apaixonado por futebol e tango. Tais características são captadas com extrema sensibilidade por Jonathan Pryce, que entrega um personagem adorável, fã de Beatles e capaz de assobiar “Dancing Queen”, do Abba, em plena eleição no Vaticano.

Sublimes e extremamente dedicados aos seus personagens, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce contracenam em um duelo verbal lindo de se ver. Com diálogos inspirados, os veteranos se assemelham, inclusive fisicamente, às figuras reais que interpretam.

Com uma química impecável, divertem o público com a excentricidade de suas linguagens corporais, seus maneirismos e até mesmo suas personalidades, regadas de tradições. Impossível não se encantar com a cena na qual os dois comem pizza e tomam Fanta escondidos na “Sala das Lágrimas” da Capela Sistina.

O filme ainda se destaca pelo primor de sua produção, como na fotografia de César Charlone, habitual parceiro de Meirelles, assim como na belíssima direção de arte que retrata cenas no Vaticano e na Capela Sistina, além da trilha sonora com músicas como “Besame Mucho”, “Bella Ciao” e “Blackbird”.

Profundamente humano e surpreendentemente engraçado, Dois Papas é uma lição de tolerância. E de cinema.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

Facebook da autora

Clique para comentar

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor. Abç.

Cultura & entretenimento

Missão russa gravou o primeiro filme de ficção fora do planeta

Atriz e diretor passaram 12 dias na Estação Espacial Internacional

Publicado

on

Já regressaram à Terra a atriz e o diretor de cinema russos que viajaram até a Estação Espacial Internacional. Depois de 12 dias, eles regressaram com uma missão cumprida: gravar o primeiro filme no espaço.

A atriz Yulia Peresild e o diretor Klim Shipenko decolaram, no último dia 5, para a Estação Espacial Internacional, na nave russa Soyuz, com o cosmonauta Anton Shkaplerov, um veterano em três missões espaciais.

A Soyuz MS-19 decolou e pousou na estação de lançamento espacial russa em Baikonur, Cazaquistão.

O filme foi intitulado Challenge (Desafio, em inglês), no qual uma cirurgiã interpretada por Peresild viaja para a estação espacial para salvar um tripulante que sofre um problema cardíaco.

Numa conferência de imprensa antes do voo, na segunda-feira (4), Peresild e Shipenko reconheceram que foi um desafio adaptarem-se à disciplina rígida e às exigências rigorosas durante o treinamento do voo.

Nave Luna-25

O voo da equipe cinematográfica aconteceu no mesmo dia em que a Rússia anunciou o adiamento do lançamento da nave Luna-25 para o polo sul da Lua até julho de 2022.

A Rússia inicialmente queria enviar o Luna-25 em outubro deste ano, mas em agosto atrasou a missão para maio de 2022 para permitir mais tempo para realizar testes adicionais no equipamento de bordo.

* Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

Continue Reading

Cultura & entretenimento

A velha senhora. Por Eduardo Affonso

Publicado

on

Costumava cruzar, toda manhã, com um casal que também parecia gostar de acordar cedo e dar uma volta.

Ela, bem velhinha. Ele, velhíssimo.

Caminhavam lentos, de mãos dadas — ele, amparado na fragilidade dela; ela, sustentada pela debilidade dele.

Não vou negar que uma névoa de inveja se insinuasse por dentro de mim.

Estavam lúcidos, ambos. Andavam no mesmo ritmo e pareciam estar conversando o tempo todo. Ainda não haviam se cansado um do outro, ainda tinham o que dizer naquelas longuíssimas caminhadas (longas no tempo que levavam, não na distância percorrida).

Muito brancos, os dois. Sempre de calças compridas, camisas de mangas compridas, tênis, chapéu. Mãos e rosto rescendiam a protetor solar.

Vi-os algumas vezes sentados nos bancos que há ao longo da calçada, talvez tomando fôlego, talvez tomando sol, talvez se sentando apenas porque é para isso que servem os bancos.

Reduzi o passo uma vez, curioso para saber do que falavam.

Em vão: falavam em alemão.

Um dia, pela primeira vez, a vi sozinha.

Silenciosa.

Não amparava mais: vinha ela própria se amparando numa bengala.

Não soube o que houve com ele.

Foi quando a inveja deu lugar à compaixão. Por ela estar agora só, sem ter em quem se apoiar no caso de uma queda, tendo que responder ela mesma às perguntas que fizesse, e se indagar que perguntas ele faria.

Passei a acompanhá-la à distância, reduzindo o passo e refreando os cachorros, anjo da guarda improvisado para o caso de uma raiz de amendoeira lhe tirar o equilíbrio, uma pedra solta no piso a levar ao chão, um ladrão lhe vir arrancar a bolsa que trazia apertada ao corpo.

Emparelhei com ela algumas vezes. Arrisquei um “Bom dia! ”, envergonhado de um “Guten Morgen” vir a iniciar uma conversa que eu não conseguisse levar adiante. Ela me respondeu em português perfeito, com um sorriso nos olhos e nos lábios e na voz.

Os “bons dias” se sucederam, sem que eu tivesse coragem de perguntar quem era ela, que histórias guardava, em que pensava, se não queria dividir comigo “eine Tasse Kaffee”. Se não podia me deixar gozar com ela de um pouco da lucidez que se esvaiu da minha mãe, se me permitiria cuidar dela cinco minutos por dia e ter com ela as conversas que emudeceram quando minha mãe perdeu a voz, o sorriso, o olhar.

Encontrei-a com frequência — sozinha — na padaria. Uma média de café com leite, um pão com manteiga mastigado lentamente com as gengivas.

A padaria fechou.

Como numa foto que desbota com o tempo, a senhora de olhos claros, pele clara, moletom, bengala, chapéu e passos suaves, também se apagou das minhas vistas, dos meus passeios matinais.

Passeio agora, sozinho, com os cachorros. Sozinho, não: com todas as perguntas que queria ter feito, todos os sorrisos que poderia ter-lhe dado, todas as histórias que jamais ouvirei.

Ela nunca soube que me protegia da solidão.

Continue Reading

Cultura & entretenimento

Sete ao Entardecer Festival traz novas apresentações na segunda

Publicado

on

A Prefeitura de Pelotas informa que segue, na próxima segunda-feira (18), o Sete ao Entardecer Festival 2021, projeto vinculado à Secretaria de Cultura (Secult).

As apresentações virtuais ocorrem às segundas-feiras, nos canais do youtube da Secult Pelotas (www.youtube.com/secultpelotas) e do Sete ao Entardecer (www.youtube.com/seteaoentardecer), a partir das 19h, com duas atrações por dia. Nesta segunda os shows serão com Brenda Billmann e Asafe Costa, seguidos pela banda Matudarí. 

Conheça os artistas

19h

– Brenda Billmann e Asafe Costa

O contato de Brenda Billmann com a música vem desde criança, tendo participado do coral do colégio em que estudava. Com o decorrer do tempo, começou a cantar em eventos na cidade e também em festivais de música nativista. Participou de festivais de coral fora do estado.

Hoje estuda Música Popular na UFPel, tendo grande paixão pela MPB, Bossa Nova e Jazz – estilos que formam sua identidade musical. 

Asafe Costa toca desde seus 8 anos e dá aulas de violão. Toca em bares da cidade de Pelotas, eventos particulares e casamentos. Participou no Projeto Prata da Casa 2019 e no Sete Ao Entardecer Festival 2020.1

9h30

– MatudaríMatudarí é uma banda independente que busca resgatar, com músicas autorais, as raízes da música brasileira. Surgiu em 2012 e, desde essa data, vem criando composições que mesclam diferentes ritmos e sonoridades.

O nome “Matudarí” é a junção de duas palavras: Mato do Ari – que se tornou símbolo de resistência na cultura do Laranjal. História de um homem que, ao ser retirado de onde morou como caseiro durante anos acabou por cometer suicídio como um ato político de quem perdeu a voz contra o sistema. Ari foi um dos personagens reais que conviveu e hoje permeia o imaginário que constrói a Matudarí.

Donato, um velho sábio, conselheiro e amigo, também foi motivo de inspiração. Enquanto serviu à aeronáutica, adquiriu uma grave doença que, segundo os médicos, não tinha cura e, por isso, foi abandonado em um leito. Se vendo nessa situação, resolveu fugir, se resguardar e buscar sua cura. Foi assim que chegou a Pelotas e montou seu acampamento no Laranjal.

Estudou Fitoterapia para produzir seus próprios remédios e prolongou sua vida por décadas. Antes de falecer deixou uma poesia que posteriormente foi musicada pela banda recebendo o nome de “Nato do Mato”. Em 2016, a banda gravou com o grupo de Rap Causo Beats, também do Laranjal, o disco “Rap Com Banda”, onde foram feitas releituras de suas rimas em versões instrumentalizadas. Atualmente, está em processo de produção de músicas autorais que serão lançadas em 2021, e vão fazer parte do primeiro disco próprio: Um canto do Mato.

Continue Reading

Em alta