Pré-candidatos a vereador. ‘Era uma vez na Câmara’

Atualizado às 13h32 de 28/01

Tenho acompanhado nas redes sociais vários pré-candidatos a vereador. Alguns, eu conheço.

Simpatizo com os aspirantes. Por isso mesmo escrevo esse post.

Alguns deles se apresentam como “éticos e preocupados com a cidade”. Outros, à Bolsonaro, acentuam aspectos conservadores da personalidade e emulam indignação, como se fossem nossos heróis. Alguns divulgam fotos ao lado de celebridades. Tudo perfeitamente legítimo. Tudo de acordo com o humano.

O que eu gostaria de lembrar aos aspirantes é que a eleição de vereador é difícil, a mais difícil, dizem. Olhemos a Câmara atual. Entre os eleitos, há basicamente dois perfis:

O primeiro é o Assistencialista, ocupado por vereadores voltados aos “mais necessitados” (incluindo animais), pós-doutores em solidariedade, um nicho permanente numa cidade com mais de 80% de famílias vivendo com renda igual ou menor que dois salários mínimos e meio.

O segundo perfil é o Ideológico, vereadores eleitos por causa do partido e do que ele representa como “resistência”, sentimento que se acirra em momentos de polarização, como o que estamos vivendo, e que até aqui encontra eco maior na Academia, majoritariamente identificada com a esquerda.

Intelectuais, bem-intencionados sem malícia e outros perfis semelhantes não se elegem vereadores, a não ser por uma confluência de fatores que produza uma química e resulte em uma combustão. Para vencer a cercadura legislativa, não basta visibilidade na internet; é preciso muita inserção na base, no chão do bairro, coisa que a maioria dos que vejo não possui. Sim, Bolsonaro chegou lá com poucos recursos de mídia, mas foi fruto da tal confluência de fatores. E a campanha dele, como sabemos, não foi para vereador.

Além disso, boa parte dos vereadores sai na frente nas urnas, pelo eleitorado anterior e por ter “dado emprego” a pessoas em cargos de confiança na prefeitura e na Câmara, contando com o retorno em votos das famílias daqueles nas eleições. O prefeito da vez cede os ccs porque quer apoio na Câmara. Juntos, eles trabalham para “se manter no poder a maior parte do tempo possível”, inclusive os vereadores de oposição, ao se oporem.

Considero alguns dos aspirantes, pessoas legais. O problema talvez seja justamente esse. Porque a verdade é que ninguém se elege a cargo público no Brasil sendo inocente, ainda mais para uma Câmara Municipal, inclusive porque o eleitor também não é inocente, votando segundo seus interesses pessoais específicos, nunca coletivos.

A complexidade do processo é tal que, dependendo do ângulo pelo qual se olhe, perder uma eleição pode ser até mesmo um “sinal positivo da pessoa”.

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