Sérgio, documentário sobre um heroi brasileiro

Há um filme interessante no Netflix. Chama-se “Sérgio”. Um documentário sobre a vida e a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos.

Mello morreu em 2003, num ataque terrorista em Bagdá, onde liderava uma missão de paz num Iraque conflagrado, pós-ataques de 11 de setembro de 2001, pós-invasão americana.

O hotel que sediava a missão da ONU foi atingido por um carro-bomba.

Sérgio era poliglota, possuía grande qualificação acadêmica e técnica, fez fama de hábil negociador e era bonito como um ator de Hollywood, cheio de namoradas.

Agora vem o ponto: ele aceitou a missão numa zona altamente conflagrada. Mesmo sabendo da acusação de Bin Laden de que a ONU era aliada do governo americano, divulgada em vídeo, recusou segurança ostensiva; quando houve a explosão, no meio dos escombros, segundo relato dos socorristas, perguntava pelos colegas de equipe, sem se importar consigo mesmo.

Era um cara corajoso, admirável, mas merecia, se houvesse um, ganhar o “Prêmio Darwin de Seleção Natural”. Ele se especializara em atuar em zonas de conflito extremo, das quais a maioria das pessoas, por instinto, foge.

O filme sugere que Mello talvez ambicionasse o posto de secretário geral da ONU, cargo ao qual o sucesso numa missão no Iraque contaria muitos pontos.

Ainda conversou por três horas com os socorristas, preso nos escombros. Não quis rezar. “Não temos tempo para essa merda”, respondeu a um bombeiro que procurava manter-lhe a esperança de que sairia vivo dali. De repente, parou de falar. Tomaram-lhe o pulso, era tarde.

 

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