PSB pode ser a surpresa da eleição de prefeito

Atualizado às 16h44

Notícias dão conta de que partidos do espectro de esquerda podem se unir para concorrer à prefeitura pelotense neste ano. PDT, PT e PSOL formariam uma aliança, com Marcus Cunha, do PDT, concorrendo a prefeito, e Ivan Duarte (PT) a vice.

Não parece crível que o PT abra mão da cabeça de chapa. Consideremos, porém, que a esquerda concorra unida, com PDT na cabeça. Unir-se é a melhor possibilidade, menos difícil, mas ainda difícil porque, mesmo reunida, a esquerda enfrenta um desgaste da imagem, como provaram as últimas eleições para presidente, governador, senadores e deputados.

O melhor candidato de uma esquerda unida seria Pedro Hallal, atual reitor da UFPel. Ele não enfrenta o desgaste dos velhos nomes, expressa-se com propriedade, clareza e convicção, acessível a todos, e, embora situado à esquerda, em um discurso mais de centro do que radical, semelhante ao da prefeita Paula (PSDB). Mas ele já foi taxativo: não vai concorrer.

Note agora que o PSB, embora no espectro da esquerda, vem se mantendo distante do PDT, PT e PSOL, descolado da esquerda carimbada.

Comenta-se que o PSB pretende concorrer com nome próprio a prefeito. Dependendo do perfil do candidato, se for uma esquerda menos ortodoxa, mais liberal, digamos, e dos apoios que receber, o candidato do PSB pode rivalizar com Paula, no mesmo campo dela, a centro-esquerda, zona ideológica a qual Paula diz pertencer. Diga-se: o PSB esteve no governo Paula, deixando-o no começo deste ano, buscando voo próprio.

Todos os candidatos que vierem a concorrer têm chance de serem ignorados pelo eleitor se vierem com “papo velho”. Se afinarem o discurso, sobretudo se houver candidato à direita, o que equilibraria ainda mais o tabuleiro eleitoral, é provável que haja segundo turno. Mas, para chegar aí, não poderá vir defendendo Lula etc., como tende a fazer a esquerda carimbada, o que, aliás, seria muito bom para o PSB, se este, em vez de defender, criticar Lula e o PT, de preferência no segundo turno.

Marcus Cunha tem um perfil mais intelectual e está ficando ultrapassado.

Se de fato concorrer, Fetter Jr. (PP) deverá ter dificuldade para obter votos do eleitor jovem.

O PSL pode (ou não) se perder na inexperiência e radicalismo.

Se o PSB incorporar um discurso de “esquerda liberal”, pode ganhar votos do centro e ir ao segundo turno com Paula.

Com um trabalho legal, discurso afinado, pode até vencer Paula.

A batalha decisiva seria pelo eleitor de centro-direita.

PS 1: Outros candidatos devem surgir e alterar o cenário.

PS 2: Tenha em mente também que os conceitos de esquerda, centro e direita não são rígidos. Que servem apenas para amparar um raciocínio.

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