Sérgio, o diplomata que vivia de riscos

Além do documentário “Sérgio” (Vieira de Mello), há um filme de ficção (vídeo) baseado na história do diplomata brasileiro, funcionário na ONU, morto num ataque terrorista em Bagdá, em 2003, aos 55 anos.

É um personagem interessante. Mas há um aspecto que merece uma consideração, a quem possa interessar.

Mello era um cara muito preparado, corajoso etc. Porém, a recusa dele por ‘segurança ostensiva’ no hotel-sede da ONU em Bagdá pareceu autoconfiança demasiada.

Pensou que utilizar a ‘segurança ostensiva’ confirmaria a tese de Bin Laden, de cumplicidade da ONU com o governo americano; ao recusá-la, pretendeu desarmar a hostilidade.

Aparentemente, foi uma decisão inteligente. Mas houve um idealismo nela, de achar que o inimigo raciocinaria como ele.

“Esqueceu” que estava em terra de fanáticos que haviam feito já o 11 de setembro, dois anos antes – quem fez aquilo, faria qualquer coisa. “Não percebeu que a morte dele era algo estratégico para a Al Qaeda. O importante nem era tanto ele, mas o significado e simbolismo da sua morte. Excesso de autoconfiança + altruísmo é uma combinação perigosa”, observou bem um amigo com quem falei sobre o tema. Morreram 22, contando com ele.

Debaixo dos escombros, quando perguntava aos socorristas pelos colegas dele (sem se importar consigo mesmo), talvez Mello estivesse lamentando sua decisão de recusar ‘segurança ostensiva’, talvez ali tenha caído a ficha.

Fiquei com a sensação de que havia algo de heroico (e portanto, trágico) na personalidade dele.

No fim, ganhou a Al Qaeda, que provou a dimensão do ódio latente e afirmou-se entre seguidores, e ganharam os americanos, que tiveram mais um argumento para justificar a invasão do Iraque.

Literalmente, Mello “foi pro sacrifício”.

O conjunto dos acontecimentos faz a gente pensar numa tragédia anunciada. Os motivos que o fizeram aceitar a missão no Iraque, naquelas circunstâncias, dariam outro filme.

Sérgio, documentário sobre um heroi brasileiro

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