Sobre a expressão “não fugirei à luta”, usada pela prefeita

Após mais de sete anos na prefeitura, quatro como vice, três e pouco como prefeita, a professora Paula disse que, se convocada a concorrer a prefeita de novo, “não fugirá à luta”. Como tantas que ouvimos na política, é uma frase de efeito. Na verdade, uma expressão bastante conhecida, por isso mesmo sem muito efeito.

“Sangue, suor e lágrimas”, disse Churchill para a história. Algo assim, dito a primeira vez, nos clamores de uma guerra pela liberdade, teve um efeito e tanto sobre o espírito coletivo de uma época. Em Pelotas, um “não fugirei à luta”, além de batido, soa deslocado, a não ser que se considere a política local uma guerra, só se for pela sobrevivência.

“Não fugirei à luta” soa deslocado também porque o PSDB é o combatente mais bem situado para a batalha, a maior força de ocupação. Não há razão para cogitar fugir, a não ser que se tenha avistado uma ameaça, o que, até agora, não se anuncia no horizonte.

A prefeita não costuma se arriscar nas declarações. Entre o original e a frase feita, prefere a segunda. Não é necessariamente sinal de falta de inteligência. No caso dela, parece ser o contrário. Afinal, sendo doutora em Letras, em sua boca o chavão só pode ser um escudo. Se nunca chega a ser surpreendente, ao menos não se expõe, não fere ninguém e fica todo mundo contente.

No dia do “não fugirei à luta”, neste domingo (8), dia da Mulher, dia do seu aniversário de 50 anos de idade e dia do evento do PSDB, a claque de anexados adorou, apesar de não ter sido surpresa para ninguém.

Surpreendente seria se ela tivesse dito: “Se pudesse, eu caía fora”.

Isso, é claro, está fora de cogitação.

Mas como falou em “luta”, por associação, foi como se estivesse dizendo se alguém quiser que eu saia, vai ter de me tirar daqui.

Paula diz que não ‘fugirá à luta’

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