O Homem Invisível aborda o tema das violências

Refilmagem do clássico de 1933, O Homem Invisível foca sua trama em Cecilia Kass (Elisabeth Moss), uma mulher vítima de abuso doméstico de seu companheiro, o cientista Adrian Griffin (Oliver Jackson-Cohen). Quando ele se suicida e deixa uma fortuna para ela, Cecilia tem a sensação de que está sendo perseguida por alguém que não é possível enxergar.

Inspirado no conto do autor britânico H.G. Wells, O Homem Invisível é um dos mais icônicos “Monstros da Universal”, e faz parte de uma série de clássicos de terror que o estúdio decidiu refilmar, mesmo após o fracasso de A Múmia (2017), estrelado por Tom Cruise e Russel Crowe. Os outros títulos incluem DráculaFrankensteinA Noiva de Frankenstein, Lobisomem e O Monstro da Lagoa Negra.

Escrito e dirigido por Leigh Whannell, responsável pelas franquias Jogos Mortais e Sobrenatural, é de se esperar os clichês básicos de suspense e terror. A tensão é quase insuportável e a violência é explícita. Ainda assim, é de se aplaudir sua coragem de desviar das vias tradicionais e subverter um gênero conservador, oferecendo a discussão de uma problemática séria e atual. Desta forma, o longa acerta em uma proposta moderna, abordando o tema da violência doméstica e do empoderamento feminino.

O filme é capaz de transmitir um sentimento de desconforto do início ao fim. Embora saibamos que alguém está assombrando a protagonista (e há evidências para isso), o roteiro acerta ao brincar com as expectativas do público e não com a mente da protagonista. Carregando o filme nas costas, a sempre ótima Elisabeth Moss está confortável no papel, mesmo em um roteiro irregular. Afinal, vemos personagens que abruptamente abandonam a protagonista, reviravoltas sem explicações e a decisão em não mostrar como era a dinâmica do relacionamento de Cecilia e Adrian, sem dar a chance de mostrar a personalidade do vilão.

O Homem Invisível apresenta um debate sobre as muitas formas de violência presentes nos dias de hoje. Uma boa, e necessária, atualização de um clássico.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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