Noé, dilúvio e coronavírus

Um amigo me escreveu neste domingo (22), mais um dia de angústia com a pandemia.

Palavras dele:

Homero e a Bíblia estão repletos de episódios universais, em que vamos descobrindo novas interpretações.

Hoje entendi uma associação do aviso de Deus a Noé sobre o dilúvio, para ele preparar a arca, como essa crise do coronavírus e a quarentena.

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Ontem eu estava no terraço com meu filho pequeno e senti desejo de comer churrasco. Falei pra ele e ele perguntou por quê.

Agora estou me dando conta que está associado ao desejo de superar o dilúvio/coronavírus. A primeira coisa que Noé fez em terra firme no Monte Ararat (eu estava no terraço, no monte), após o confinamento na arca, foi assar carne. Deus sentiu o cheiro do churrasco e foi saborear a carne também.

Já tinha associado o dilúvio/coronavírus de várias maneiras, mas, essa, me dou conta agora.

Eu estava novamente no monte Ararat e desejei que se repetisse o fim do dilúvio. O fim do confinamento, pois Noé também estava confinado com a família na arca.

Os animais não estão na arca para serem preservados, mas sim úteis à sobrevivência da família de Noé. Ao fazer o rancho hoje no Guanabara, juntei os animais na minha arca.

Noé faz um churrasco após o fim do dilúvio, obviamente uma extravagância, matando algum animal da arca. Até Deus estava com fome e caiu na carne como mosca.

Faríamos uma festa, um churrasco, quando terminasse o confinamento do coronavírus. Reuniríamos os amigos, até Deus apareceria.

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Há uma diferença entre tempo pré apocalíptico e ante diluviano.

O apocalipse (Armagedon) é uma batalha entre o bem e o mal antes do fim do mundo. Guerra, fome, desastres. No Dilúvio, Deus estava descontente e resolve recomeçar a humanidade terminando com os injustos e os nefilins, os gigantes filhos de anjos.

Estamos vivendo tempos ante diluvianos de novo.

Como definiu Nietzche, o ‘eterno retorno’. As possibilidades humanas são muito limitadas, então tudo retorna, se repete ad infinitum.

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Agora entendo, também, porque Cam, filho de Noé, foi expulso depois de ver o pai embriagado após o dilúvio. É uma alegoria do desgaste dos relacionamentos durante o confinamento. O confinamento do coronavírus pode gerar desgastes e afastar muita gente para sempre.

Noé está bêbado e nu. Cam vê e chama os irmãos para rir. Os irmãos cobrem a nudez do pai. Cam termina expulso por Noé.

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