Pallamolla, da Lifemed: “Produção de equipamentos aumentou mais de 100% na fábrica por causa do covid-19. É uma situação muito séria”

O industrial Franco Pallamolla, da Lifemed, fabricante de produtos hospitalares com sede em Pelotas, e presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Dispositivos Médicos, confirma ao Amigos que a empresa está trabalhando três turnos ininterruptos para atender pedidos por equipamentos feitos de todo o Brasil.

Além dos pedidos nacionais, a Lifemed tem recebido pedidos de vários países, como Itália, França, Irã, outros países da Europa e Oriente Médio, até mesmo dos Estados Unidos. Mas, no momento, tem concentrado suas operações para atender exclusivamente o Brasil.

A produção da fábrica aumentou em mais de 100%. Encomendas do governo federal, hospitais, clínicas etc. Alguns dos produtos da empresa apareceram no Jornal Nacional, há pouco.

A Lifemed produz basicamente três equipamentos, todos essenciais nesta hora de emergência:

  • Bomba de infusão (para dosagem de medicação).
  • Monitores multiparamétricos (para monitorar sinais vitais)
  • Desfibriladores cardiovasculares (para o choque na parada cardíaca)

500 funcionários trabalhando., E contratando mais

A Lifemed está operando, hoje, com 500 funcionários. E está contratando mais.

Fábricas como a Lifemed são a retaguarda dos profissionais de saúde, legalmente tipificadas como Atividade Essencial, de cuja produção o País depende, sobretudo em momentos de emergência sanitária, como o que estamos vivendo.

Profissionais da Lifemed
Profissionais da Lifemed

Segurança

A empresa adotou procedimentos para manter a segurança dos seus colaboradores, oferecendo álcool gel em todas as áreas e máscaras na linha de produção; também reduziu para 30% a ocupação nas áreas de refeições e lazer, afastou o grupo de risco e intensificou a orientação para lavagem de mãos e o distanciamento social.

Todo colaborador que chega na empresa com temperatura acima de 37,5 graus é dispensado e orientado a buscar o serviço de saúde referenciado para o covid-19, o que tem ocasionado redução do efetivo de trabalho.

“Não resta dúvida que devemos reconhecer e agradecer o nosso pessoal pelo comprometimento que está demonstrando nesta difícil missão, de ajudar a salvar vidas. Somos humanos, todos sentimos aflições, medos, angústias, a gente compreende a situação e procura dar todo o apoio possível”.

Demanda desafiadora

Franco Pallamolla diz também:

“Não há sistema de saúde no planeta que segure uma demanda do tamanho requerido hoje, na velocidade exigida pela emergência de uma pandemia. Isso porque os sistemas, obviamente, são programados para atender a uma demanda de doentes menor, contingente que, claro, continua a ser atendido.

A China, por exemplo, não conseguiu, precisou construir hospitais; esvaziou prédios residenciais enormes e os transformou em hospitais. Na Itália, a mesma coisa.

O grande perigo é justamente esse, que o número de atendimentos, crescendo subitamente, requeira um aparato a tempo de atender a todos, porque isso seria impossível.

Na Lifemed, como eu disse, estamos trabalhando três turnos ininterruptos e eu, pessoalmente, mais de 18 horas diárias. O desafio a ser vencido é evitar o colapso do sistema de saúde do País”.

O problema da infecção de médicos e enfermeiros

Pallamolla lembra um outro problema sério a enfrentar:

“Para ter ideia de como a situação é complicada, muitos médicos e enfermeiros estão sendo infectados, gente da linha de frente nos atendimentos que está sendo obrigada a recuar, deixar o trabalho. Isso em vários lugares, mais marcadamente na Itália. Ou seja, além de trabalhar para que os equipamentos cheguem aos pontos de entrega com rapidez, é preciso enfrentar o problema da contaminação dos médicos e enfermeiros, que, deixando o trabalho, abrem vagas que outros profissionais não irão ocupar, por exaustão do profissional e/ou pela falta de pessoal disponível. Na Itália, foi assim, tem sido assim. Faltaram médicos e enfermeiros, estão importando médicos da Rússia. O grande número de pacientes, somado à falta de equipamentos e à falta de pessoal, tende a colapsar o sistema”.

Compromisso com Pelotas

Pallamolla diz também que está em linha direta com a prefeita Paula Mascarenhas, tendo falado com ela algumas vezes. E que, inclusive pelo fato de a empresa ter sede na cidade, ele assumiu um compromisso com o sistema municipal de saúde para auxiliar no que for necessário.

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