Os números mostram o poder desta “gripezinha”

Antes de tudo eu gostaria de dizer que o meu voto foi para o nosso atual presidente e que me considero uma pessoa de centro-direita. Está bem? Está explicado?

Acredito que ele não queira ver o seu país quebrar e entendo que ele tem realizado boas ações de enfrentamento e antecipação ao vírus.   

Bom, não temos mais como fugir: infelizmente o Coronavírus já virou caso de política (leia de novo). Se você expor o seu desejo de ficar em casa, é conspiração da “esquerda”, se você optar por ir trabalhar, é louvável e o seu presidente “agradece”. Claro e calmem; tudo isto analisado pelo mundo político. Não quer dizer, por favor, que seja uma regra ou que tenha cunho verdadeiro. Você jaz o que bem entender.

Estamos atravessando por um lamentável período de discussão, digamos, mais “caliente”, que está ligada não ao Coronavírus, mas ao nosso modo de “entendermos” esta pandemia. Se os nossos “argumentos e pronunciamentos irretocáveis” ficarem mais próximos de um tolo conflito, não é feio pedir desculpas (eu já fiz). Erramos, mas sempre queremos o melhor para os nossos familiares.

O último pronunciamento de Bolsonaro deu o que falar e neste caso, não há argumento. Contra “fatos” não há o que dizer. Logo depois de afirmar que tem um “histórico de atleta”, que o Coronavírus não passa de uma “gripezinha” ou de um “resfriadinho”, milhares de profissionais de diferentes áreas começaram a rebater o seu discurso. E outro detalhe para encorpar um pouco mais estas palavras: assisti e assisto todos os canais de televisão e todos foram unânimes. Entenderam, não é? (não foi somente a Rede Globo)

Ainda falando do resultado de seu catastrófico discurso, o Governado de Santa Catarina e Comandante Carlos Moisés – PSL, mesmo partido em que ele então fora eleito, se mostrou indignado. O Governador de Goiás e médico Ronaldo Caiado não quer mais laços com o presidente, e disse: “respeite!” E ainda utilizou uma frase do ex-presidente dos E.U.A, Barack Obama: “na política e na vida a ignorância não é uma virtude”.

Nem mesmo o seu próprio ministro da Saúde, Mandetta, quis se posicionar sobre o discurso. Milhares de médicos, enfermeiros e auxiliares foram às redes e também desaprovaram suas palavras achando um “atentado” ao grande trabalho que estão prestando na linha de frente contra o Coronavírus.

Não gostaria de ser criticado por citar tais nomes destes governadores, então vou um pouco mais longe: 24 governadores do país “Condenaram”, com C bem grande, o seu pronunciamento. Recapitulando para que não reste nenhuma dúvida; eu votei nele, não sou de esquerda, não assisto somente a Rede Globo, não falo pelos profissionais (vide redes sociais) e o este número de governadores que foram contra o seu pronunciamento não saiu da minha cabeça. Ok? Sejam sensatos ao analisarem…

Antes de trazer alguns números desta pandemia, vou apresentar mais uma vez a minha cara, para falar brevemente de empresários e funcionários. Eu também já estou sentindo o impacto da “nova economia”. Eu também não posso ficar recluso 100% em minha casa. Eu também observo o olhar de incerteza dos meus funcionários. Eu também não tenho muitas certezas. Eu também vejo o pavor dos meus amigos empresários e funcionários. Mas em também vou à luta, pois trabalho desde os meus 15 anos e jamais fui acomodado.

Acredito que o diálogo, como fiz na minha empresa, ainda é a melhor opção (texto na minha página). Ninguém vai passar por esta crise ileso. Teremos que ter algumas saídas, todavia, mais uma vez saliento: senhor empresário faça o possível para não colocar o seu funcionário para a rua.

Dito isso, a tristeza que eu carrego com cada atualização deste maldito vírus é que me faz pensar nas coisas que o meu presidente fala. Eu gostaria de receber uma palavra de carinho, conforto e não de deboche. Ele quer que as nossas crianças retornem às aulas e que tomemos o caminho da normalidade. Mas como, caro presidente: 1 bilhão de pessoas na Índia entraram em quarentena.

O Egito está em pleno “toque de recolher”. Na última quarta-feira, os Estados Unidos tiveram o seu maior número de mortos, 213 pessoas perderam a vida. Na Itália, presidente, morrem em média 700 pessoas por dia. A estimativa é que tenham mais de 70 mil pessoas infectadas. A Itália já perdeu para a doença mais de 7,5 mil pessoas. Caminhões do exército levam os corpos para serem cremados em outras cidades. Na Espanha, presidente, o número de mortes já ultrapassa 3,5 mil pessoas. No Canadá são de 2 mil casos e 27 mortes. No Brasil chegamos a mais de 2,5 infectados e já somamos 60 mortes. Em Pelotas já temos 1 caso e em Rio Grande 2 casos.

Jair Messias Bolsonaro: todos os grandes presidentes pedindo que suas nações fiquem em casa, e o senhor achando que ainda está certo? Eu até compreendo que os seus seguidores mais fanáticos tentem fazer o que o senhor pede, mas, será que não pode haver um pouco mais de compaixão com o próximo? Será que estes números são alucinações da minha cabeça? Será que realmente existe um “complô mundial” contra o seu governo? Presidente, o senhor saberia me dizer quantos mortos existem no mundo pelo Coronavírus? 20 mil, 25 mil… E como ficará o nosso país?

Vamos recapitular mais uma vez para que não pensem que eu estou falando de “politicagem” neste caso. É sempre bom para que os mais “exaltados” se acalmem: votei nele. Não sou de esquerda. Não crio números. E não assisto somente a Rede Globo. Ah, e também não tenho político de estimação (falaria assim com o partido ou político que fosse).

Já escrevi sobre, mas volto a comentar: primeiro a nossa vida e de nossos familiares, logo, o dinheiro.

Bolsonaro se o senhor não tem respeito com a situação, não precisa falar absolutamente nada.

Respeite!!!

Como disse o maior presidente que este mundo já viu, Barack Obama; “na política e na vida a ignorância não é uma virtude”. (não é preciso recapitular, né?) 

© Marcelo Oxley é empresário em Pelotas.

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