‘Covid-19: Pelotas tem 7.500 famílias abaixo da linha da pobreza. Podem ser 20 mil em 60 dias’

Luiz Eduardo Longaray (foto), secretário de Assistência Social de Pelotas, na linha de frente no atendimento à população, manda algumas palavras a pedido do Amigos, sobre o enfrentamento da pandemia na cidade.

Escreveu ele, por WhatsApp:

“Nesse momento de crise, a assistência social, junto com a área da saúde, vem trabalhando no atendimento das pessoas em vulnerabilidade social, população de rua e famílias pobres, que se mantinham com fontes de renda que desapareceram e nos procuram. É muita gente.

A população de rua na cidade fica em torno de 120 pessoas. Hj dispomos de 50 vagas para eles em nossos serviços, mas apenas 30 a 35 estão ocupados; a população de rua, em sua maioria dependentes químicos, tem grande resistência às regras dos abrigos, sofrem com a abstinência e não se sujeitam ao confinamento.

Há tb 7.500 famílias vivendo abaixo da linha da pobreza, número que pode chegar a 20.000, caso essa crise perdurar por mais de 60 dias. É grave! Todos nós sabemos o que um pai de família é capaz de fazer para que seus filhos não passem fome…”

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“O governo federal tem anunciado medidas para mitigar os efeitos da crise econômica causada pelo vírus, com liberação de recursos para aqueles perderam os meios de sobreviver. Entretanto, esse processo tem sido lento, e esse é o grande desafio do governo federal, fazer com que essa ajuda chegue rápido às pessoas que realmente necessitam.

Aqui na ponta, nos CRAS, na vila, na periferia, nós, da assistência social, vamos continuar ajudando, alimentando, informando, acolhendo, estando junto àqueles que mais precisam do poder público”.

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“Os moradores de rua estão sendo acolhidos no Centro Pop, transformado em abrigo. Os espaços entre as camas foram afastados, para minimizar o risco de contágio. Tb conseguimos 30 vagas no Albergue, para onde mandamos alimentação.

Para famílias vulneráveis, que trabalham num dia para viver no outro, a prefeitura vem fazendo uma campanha de arrecadação, e termos contado, generosamente, com iniciativas de empresários, que estão comprando alimentos.

A prefeitura recolhe e doa alimentos”.

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“As doações em grande escala iniciaram na quarta-feira passada. Na sexta chegou a ajuda dos empresários, e começamos a distribuição das cestas. 80 kits de alimentos, cada um contendo dois quilos de farinha, dois quilos de arroz, um quilo de feijão, óleo e leite. Os alimentos estão sendo distribuídos pelos CRAS (Centro de Referência e Assistência Social), nas unidades Fragata, São Gonçalo e Centro.

Doações devem ser feitas à Secretaria de Assistência Social, na rua Marechal Deodoro, 404, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. Na Casa de Passagem, rua Três de Maio, 1074. Ambos em qualquer dia e horário.

A comunidade está se unindo.

Quem quiser doar, mas não quiser sair de casa, pode telefonar para 53.3309-3600. Uma equipe nossa irá buscar a doação”.

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