Um desafio a todos nós. Por Luiz Henrique Viana

Luiz Henrique Viana, deputado estadual |

O coronavírus testa a saúde física e mental do mundo. Como bem disse a chanceler alemã, Ângela Merkel, é “o maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial”. Sim, porque coloca à prova também limites civilizatórios: a vida das pessoas ou a economia? A quem ou o quê se deve salvar?

Posta assim, a pergunta carrega um aparente e irreconciliável distanciamento, como se não houvesse possibilidade de unir as duas pontas, como se não fosse possível preocupar-se com ambas – cada uma, claro, com sua justa medida e no seu tempo oportuno.

Os países que adotaram o isolamento social, como China e Coréia do Sul, conseguiram “achatar” a curva de transmissão do vírus – fator fundamental para evitar o colapso dos sistemas de saúde. A Coréia do Sul adotou ainda a testagem em massa. Algo que, sabe-se, infelizmente não deverá ocorrer no Brasil.

Os países que demoraram a propor quarentenas são os que hoje mais sofrem com o avanço das mortes por coronavírus. É o caso da Itália (com o agravante de possuir grande parte da população idosa) e da Espanha. Os Estados Unidos, recentemente, pelo aumento dos infectados, decidiu também pelas restrições de convívio social.

Tais restrições gerarão impacto na economia. Não há dúvida. Há que se pensar, contudo, que o isolamento social não dura para sempre. É uma medida urgente, necessária, diante dos resultados mundo afora.

Recuperar a economia será trabalho de todos. O amparo dos governos terá, no entanto, papel central nessa recuperação. A Alemanha, talvez hoje o melhor exemplo, anunciou um plano histórico para defender a economia: 1,1 trilhão de euros, algo em torno a 6,1 trilhões de reais.

Os empresários têm razão em temer pelo futuro. O cenário que bate à porta é realmente preocupante. E os governos, como o alemão, precisarão dar sua cota, em nome do bem comum. O governo brasileiro, até há pouco terrivelmente resistente a reconhecer o tamanho do pandemia e seus possíveis efeitos, anunciou na última sexta-feira medidas importantes para garantir a pequenos e microempresários o recurso para duas folhas de pagamento. A Caixa, banco público, auxiliará milhares de famílias de baixa renda. Os juros de cartão de crédito e cheque especial caíram a menos de 3% ao mês. São sinais positivos.

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite (PSDB) não tem medido esforços para amparar os que mais precisam. A CEEE e a Corsan, por exemplo, não farão corte de serviços por 60 dias. Clientes que pagam tarifa social não serão cobrados por 90 dias. Recentemente, mais de R$ 32 milhões foram anunciados aos municípios gaúchos para o combate ao coronavírus. Pelotas receberá R$ 1 milhão.

A Assembleia Legislativa do RS também cumpre sua parte ao anunciar a devolução de R$ 30 milhões ao governo do Estado para auxiliar as ações de saúde pública.

Neste momento de tanta divisão ideológica e de opiniões insensatas, meu apelo é apenas um: deixar de lado o que desune e trabalhar, verdadeiramente, pelo bem comum.

Impactado ainda com o gesto do papa Francisco em conceder a bênção “Urbi et orbi” (para a cidade e para o mundo), rezo e trabalho ainda mais para que nos tornemos melhores, mais solidários e mais comprometidos com o outro.

Espero que estes dias tão duros cheguem ao fim em breve. Pela fé, carrego uma certeza: a doença e a morte não terão a última palavra.

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