Uso (ou não) da hidroxicloroquina em recém-infectados ou só em casos graves? Por José Gilberto Moura

José Gilberto Moura, farmacêutico, membro da Academia Nacional de Farmácia

Hoje o governo começou a flexibilizar o uso da cloroquina nos pacientes de coronavírus. É uma decisão tímida (veja mais no post no pé). Mas é um passo, creio que no sentido correto. Pode-se avançar, creio, com o Ministério da Saúde ampliando a recomendação do uso do medicamento.

Temo que a posição do Ministério e de alguns importantes médicos brasileiros possa estar sendo cautelosa em excesso.

Que se reedite o que aconteceu na história do escorbuto, na época das grandes navegações, onde mais de 50% da tripulação morria de escorbuto, pela carência dramática de vitamina C.

Desde 1747, o médico escocês James Lind, demonstrou que a origem da terrível epidemia que varria a vida dos marinheiros não era de natureza infecciosa, mas sim nutricional, uma imensa deficiência de vitamina C.

Lind oficiou a Real Academia de Medicina inglesa sua descoberta e teve como resposta: uma doença tão grave não pode ter uma cura tão simples. !!! E nada foi feito. Nada mudou.

E assim se passaram mais de 100 anos, com mais milhares de mortos, até que a Academia real da Marinha FRANCESA tenha aceito e testado as observações de Lind.

Quantas vidas poderiam ter sido evitadas se a ciência da época tivesse tido a humildade de testar o relatado?

Lembro também a figura do médico húngaro Ignaz Semmelweiss, nos anos 1840, em Viena, que foi colocado em manicômio pela ousadia de ter recomendado aos médicos vienenses lavarem as mãos antes de atenderem seus pacientes, para evitar o terrível número de infecções observados naquele hospital,especialmente junto as parturientes.

A ciência da época levou anos até aceitar a importância fundamental da assepsia das mãos proposta por Semmelweiss.

Penso, e temo que, agora, esteja acontecendo o mesmo: que o excesso de cuidados burocráticos retardem o que as observações clínicas têm demonstrado as pencas: que a hidroxicloroquina salva vidas, se usada mais rapidamente!

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Ministério da Saúde libera cloroquina

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