Dá pra sentir que as pessoas estão nervosas

Dá pra sentir: as pessoas estão nervosas. Todos nós, mais ou menos, estamos.

Hoje, lamentavelmente, uma amiga reagiu mal a um post simpático ao Mandetta.

Ela se declarou “patriota”. Disse que quem não é (patriota) deveria deixar o País. Não adianta explicar que não é hora de viajar…

As pessoas são diferentes. A gente admira os outros por alguns motivos, não por todos. Isso de ser patriota, por exemplo.

Para Borges, o grande poeta, “pátria era um lamento de guitarra, alguns retratos e uma velha espada, a prece das árvores nos fins de tarde”.

Para mim pátria é algo parecido, algo que vive na intimidade do sentimento. Nada a ver com mãos espalmadas sobre o peito.

Eu poderia gostar mais do Brasil, mas o pessoal de Brasília não ajuda.

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LOUVAÇÃO DA QUIETUDE
Jorge Luis Borges (foto)

Escrituras de luz investem na sombra, mais prodigiosas que meteoros.
A alta cidade irreconhecível avança sobre o campo.

Certo de minha vida e de minha morte, fito os ambiciosos e tento entendê-los.
Seu dia é ávido como o laço no ar.
Sua noite é trégua da ira no ferro, prestes a atacar.

Falam de humanidade.
Minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma penúria.

Falam de pátria.
Minha pátria é um lamento de guitarra, alguns retratos e uma velha espada, a desvelada prece dos salgueiros nos fins de tarde.

O tempo está vivendo-me.
Mais silencioso que minha sombra, cruzo o tropel de sua exaltada cobiça.

Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores da manhã.
Meu nome é alguém e qualquer um.
Passo devagar, como quem vem de tão longe que não espera chegar.

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