PARA ALÉM DA LINEARIDADE, a caminho da transdisciplinaridade!

A revolução na educação passa por uma revolução na forma de pensar do professor, portanto se dá de dentro para fora, pois procurar as soluções em conjunturas políticas ou estruturas curriculares somente amplia uma discussão insossa e de interminável aprofundamento de diferenças ideológicas, que mais ampliam o problema do que o soluciona.

Não que as discussões, debates, proposições e outros que tais não devam ocorrer, mas se não estiverem fundamentados solidamente em um conhecimento para além da linearidade, com certeza estará fadado ao fracasso, ao mesmo fracasso em que se encontra a educação neste momento.

Como entendermos um processo de ensino/aprendizagem inserido em um mundo globalizado, alicerçado em uma complexidade dominante se tratamos o assunto de forma determinista, newtoniana e absolutamente linear? Como tratar o crescimento cognitivo do indivíduo de forma crescente se tratamos a cognição e a inteligência como situações estáticas e apenas potencialmente existentes a espera de simples estimulação e não como algo que possa aumentar e crescer durante toda uma vida, para além do potencial original?

Buscar as respostas para estas questões, aprofundar estes temas, por si só já constituirão caminhos de solução que nos darão de imediato um ganho em nossa permanente preparação para uma melhora de nossa missão de ensinar, com responsabilidade e em processo de evolução.

Para avançar nesta tarefa é fundamental transformarmos nossa visão linear de mundo em uma visão não linear. Trabalharmos a informação em três dimensões, em rede, e dar um significado mais aprofundado a estas informações para que se construa um conhecimento sólido e que viabilize conexões complexas, isto é, entrelaçadas, que permitam continuidade em todos os sentidos e direções proporcionando a formação de uma rede sólida de conhecimento, que viabilize alcançar competências como portas permanentes para construção de novas competências, sem terminalidade e para além de metas e objetivos. O conhecimento tem que se integrar em uma visão de singularidade, tão infinito como o próprio universo, mas dentro da finitude de nossos neurônios.

O professor/educador deverá ser um generalista dentro de sua especialidade e um especialista para a compreensão das generalidades, por isto um profissional único. Mais do que repassar informações terá que ser o promotor da construção de competências e do próprio conhecimento de seus alunos e não um repassador de meras informações que, sem que lhes dê significado, nada valem.

Até então, através de uma pedagogia embasada na linearidade, colocamos um aluno e vários professores, cada um com suas informações, a desenvolver a tarefa de construção de competências Talvez tenhamos que inverter esta lógica, isto é, professores integrados, cada um com seu conhecimento, mas em ação complexa com seus pares, trabalhando com cada aluno, que naturalmente estarão em grupo e colocando em sintonia seus neurônios, que trabalham em rede, com a rede de conhecimento oferecida pelos professores e com as novas tecnologias de informação. Uma transdisciplinaridade de fato.

Neste caso e desta forma estaremos inserindo nossos alunos no novo mundo que se avizinha, um mundo sem limites ou pelo menos com novos e promissores limites, onde aprender se constituirá em prazer e não uma tarefa penosa a ser cumprida…como polir uma pedra bruta.

Neiff Satte Alam é professor Universitário Aposentado – UFPEL Biólogo e Especialista em Informática na Educação

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