Angústia, reclusão e comida

As pessoas estão comendo mais, segundo relatos da quarentena nas redes. Chegam a dizer que teremos de redefinir os conceitos de gordo e magro.

Há uma relação óbvia entre angústia e comida. Lembrei do Marlon Brando, que, na autobiografia (“Canções que minha mãe me ensinou” – depoimento de uma sinceridade comovente), fala de sua relação com a comida, angústia.

Brando, nas duas fotos

No fim da vida, avesso aos flahs, asilou-se em casa, em Hollywood. Não saía. Na prática, uma quarentena. Passava horas conversando com navegantes por um rádio amador, observando formigas, e engordava. Comia potes inteiros de sorvete Häagen-Dazs, uma delícia mesmo (tem no Guanabara). Sua última mulher colocava correntes e cadeado na geladeira, ele arrombava. “A comida me convidava. Como se me dissesse vamos lá, Marlon, me tire desse frio”.

Morreu de insuficiência respiratória aos 80 anos, um zepelim.

Paradoxalmente, por causa da angústia, foi um grande ator, o maior do mundo, dizem, embora ele menosprezasse a profissão e a si mesmo.

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