Comitê da UCPel está preocupado com relaxamento do isolamento social

A Universidade Católica de Pelotas divulgou em seu site uma nota do Comitê de Gestão COVID-19 do Grupo APAC, formado por profissionais do Centro de Ciências da Saúde da UCPel e do Hospital Universitário São Francisco (HUSFP).

O documento posiciona-se sobre as medidas de distanciamento social a serem adotadas em Pelotas, segundo orientações da prefeitura e do Governo do Estado.

Em paralelo, a universidade reforça que as atividades presenciais na instituição seguem suspensas até o dia 30/04/2020, conforme já divulgado anteriormente. Informa, ainda, que aguardará novas orientações do Comitê de Gestão COVID-19, que voltará a se reunir para avaliar as condições epidemiológicas em curso no município, bem como a possível – ou não – retomada de atividades pelas empresas mantidas pela Associação Pelotense de Assistência e Cultura.

NOTA PÚBLICA DO COMITÊ INTERNO DE GESTÃO – COVID19

Diante da tendência de flexibilização nas medidas de isolamento social estabelecidas no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul e no reconhecimento expresso dos resultados positivos dessa ação, o Comitê Interno de Gestão – COVID19 vêm através desta nota manifestar sua preocupação com tal medida de forma imediata, sem que seja traçado um plano concreto de retomada gradual das atividades, dentro de um prazo adequado para adaptação pelas empresas, instituições e sociedade. Sendo assim, reforça a necessidade de que se leve em consideração o exposto abaixo:

O Rio Grande do Sul adotou por força de decreto do Governador as primeiras medidas mais rígidas de distanciamento social, com fechamento do comércio, há menos de 30 dias (31/03). É inequívoco o impacto positivo de tais medidas sobre a curva de surto (outbreak) no Estado, refletido em números que podem ser resumidos pela observação da ausência de crescimento exponencial de casos novos a partir do 50º caso. Todavia, este aparente achatamento de curva não desmerece a necessária observância do crescimento nos números de casos e, por consequência, a reflexão sobre o tempo em que eventual relaxamento de medidas possa ser implementado. O afrouxamento dos dispositivos adotados até este momento pode significar perda de oportunidade na manutenção destes resultados positivos, voltando a impor preocupação em relação aos recursos hospitalares disponíveis para o enfrentamento da pandemia.

No âmbito local, as ampliações de retaguarda de leitos, em especial de UTI, ainda não foram de pleno efetivadas, quer seja do ponto de vista de infraestrutura e, em especial, relacionado ao parque eletromédico, quer seja em relação às equipes.

Preocupa ainda o necessário planejamento para reposição das frentes de profissionais da saúde, as quais, invariavelmente, teremos baixas, e um plano de reposição deverá ser empregado, inexistindo até o momento algo que responda satisfatoriamente à questão.

Nos aproximamos do inverno, que habitualmente costuma ser rigoroso e impõe amplo agravo de saúde e forte demanda por recursos hospitalares. A possibilidade deste cenário coincidir com eventual crescimento exponencial dos casos relacionados ao COVID-19 torna periclitante que se relaxe as medidas de isolamento social.

Importante ressaltar que nenhuma experiência global pôde ser consolidada até o momento, refletindo em caráter quase que experimental qualquer ação neste sentido, e que não se observa nenhuma das condições sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para flexibilização das medidas de isolamento social, nem mesmo pela conscientização absoluta da sociedade frente à pandemia SARS-Cov2.

Diante do brevemente exposto, mesmo sensíveis aos prejuízos econômicos diante das medidas atuais, mas também convictos de que o relaxamento destas medidas poderá ser ainda mais nefasto para a economia, inclusive agregando perda de milhares de vidas, termina este comitê por entender em colegiado que diante dos números inegavelmente positivos do Rio Grande do Sul, e de Pelotas, urge a manifestação pública quanto à contrariedade à flexibilização imediata das medidas de isolamento social.

Por fim, no expresso reconhecimento de que em algum tempo, esperamos não tão distante, se faça necessário, tão quanto razoável o relaxamento do isolamento social, é oportuno que se gaste um tempo maior no planejamento desta ação.

Pelotas, 22 de abril de 2020.COMITÊ INTERNO DE GESTÃO – COVID19UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTASHOSPITAL UNIVERSITÁRIO SÃO FRANCISCO DE PAULA

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