“A esquerda não pode fazer nada porque morreu”

“A esquerda não pode fazer nada porque morreu…”

Essa avaliação do filósofo Vladimir Safatle me pareceu lúcida:

“A partir de 2013 (ano em que houve uma onda de manifestações de rua), dali para cá, foi uma longa e lenta degradação institucional do País. 2013 explicitou que havia um setor majoritário da população que já não esperava mais nada desse horizonte institucional.

Não houve por parte da esquerda uma capacidade de dar a esses setores da população uma alternativa de esquerda. A esquerda virou o grande partido legalista do País, enquanto a direita se descolou do centro e foi se idealizando pela extrema-direita, como ruptura.

O espaço anti-institucional está sendo totalmente ocupado por ele (Bolsonaro). Ele é a força de tensionamento do espaço público brasileiro, é a única força política hoje que faz isso.

Esquerda

A esquerda não pode fazer nada porque ela morreu. A esquerda não consegue nem mais ser a líder da oposição no país. A oposição não é feita pela esquerda, é feita pela direita: é direita contra extrema-direita.

As maiores lideranças de oposição no Brasil são o governador tucano de São Paulo (João Doria) e o governador do Rio pelo PSC (Wilson Witzel), não é a esquerda. É impossível dizer o contrário.

A esquerda procura esconder o medo que sente diante de sua própria impotência. Usa o argumento de que ‘Ah, mas veja, o Bolsonaro está querendo mesmo (o impeachment, para) mobilizar o seu eleitorado’. Isso chega às raias do ridículo, porque ele não precisa do impeachment para mobilizar o seu eleitorado, ele já colocou diante do seu eleitorado a história de que está sendo perseguido”.

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