FALANDO EM PANDEMIAS

Não fossem os poetas, e o mundo seria um inferno que se manifesta de tempos em tempos. Foram os vates, com suas emoções cantadas em prosa e verso, que fizeram com que os homens pudessem suportar os horrores que periodicamente reaparecem, trazendo sofrimento e mortes. A lepra foi um dos mais antigos horrores com que o homem se deparou. Um leproso naquele tempo era obrigado a carregar no pescoço um sino, que avisava as pessoas para se afastarem dele.

Além de altamente contagiante, era também deformante.

A Bíblia nos conta sobre a mãe e a irmã de Ben-Hur, que, leprosas, viviam em uma montanha, refúgio da comunidade doente de então. Lembro-me que quando Jesus era levado para a cruz, açoitado, em certo momento cai ao solo, sedento, Ben-Hur oferece-lhe a água que trazia, colocando-a na boca de Jesus. Depois com Ele aconteceu tudo o que sabemos, até que um dia Ben-Hur, indo visitar sua mãe e irmã, que dele se escondiam, rostos deformados pela lepra, descobriu em certo momento que elas estavam curadas, rostos bonitos e perfeitos, e se abraçaram e beijaram.

Até que certo dia um norueguês, chamado Gerhard Hansen (a doença hanseníase leva este nome em homenagem a sua pessoa, que, em 1874, viu o bacilo no microscópio, provando que a lepra era uma doença inflamatória e não uma praga). Graças aquele cientista, a lepra hoje tem cura total.

As vacinas para essas pragas são sempre difíceis e demoradas, porque a informação genética dos vírus muda o tempo todo.

Gripe Espanhola, 1918

Na crise provocada pelo H1N1, este enfraquecia o vírus ou a bactéria, espontaneamente, e por isto foi possível chegar-se a uma vacina, que nos foi dada ainda neste ano gratuitamente pelo governo. Mas o vírus H1N1 foi o causador da pandemia que mais pessoas levou aos túmulos em todo mundo: a famosa Gripe Espanhola. 50 milhões foi seu passivo!

Por falar nela, vou relacionar pandemias havidas no mundo desde tempos imemoriais. Uma dessas primeiras doenças foi a então terrível Lepra. Depois, em 1817, a Cólera matou 11 milhões de pessoas no mundo todo de então. Em 1824 reinou a Varíola, que levou meio milhão de criaturas. Em 1855 foi a Peste Negra , que matou 10 milhões. Entre os séculos  XIV e XVII, a Peste Justiniana matou 25 milhões em todo orbe.  Em 1918, aconteceu a pior de todas as pandemias até então, a famosa Gripe Espanhola, já referida. Chamou-se de “a espanhola”, dado a que na época só a Espanha falava nela.

Agora, já em 1957, a Gripe Asiática levou um milhão de vítimas. Em 1969 tivemos a Aids, na época altamente contagiosa e que hoje, com um coquetel de drogas, os aidéticos têm levado uma vida praticamente normal. Porém, nos dias de hoje, quis o destino que estejamos passando a conviver com a última pandemia, chamada de coronavírus ou covid-19. Esta tem sido uma peste difícil e altamente contagiosa, que já matou milhares de pessoas em todo o mundo.

Queira Deus que os poetas voltem com seus estros e nos façam esquecer este mal que está convivendo conosco sem a menor cerimônia. Mas também não nos esqueçamos de um grande semita, chamado Dr. Albert Sabin, de origem polonesa, que livrou as crianças do Brasil, país que ele adorava, pois sua esposa era uma brasileira, a Sra. Heloisa Dunshee Abranches. Aliás, as crianças do mundo todo tiveram a maldita poliomielite erradicada, graças ao Dr.Sabin.

Que venham os poetas logo. Que essa peste que nos infesta se vá logo. Centenas de cientistas no  mundo todo estão à cata de uma vacina contra ela, e acharão. Mais dia menos dia  ela será derrotada, podem crer.

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