Covid-19 é mais que uma doença pulmonar

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Tratada como doença respiratória em suas primeiras semanas de observação, a Covid-19 se apresentou, pouco a pouco, como uma doença sistêmica, trazendo complicações para diferentes órgãos do corpo. A cada dia novas vozes ecoam uma reportagem de O Globo, de 5 de maio.

O jornal diz que ouviu especialistas de diferentes áreas da medicina para saber como a doença, em seus estágios graves de evolução, vem agindo em diferentes sistemas e o que se pode esperar de sequelas definitivas para pacientes recuperados da doença. Todos afirmaram na matéria: a Covid-19 ainda está sendo estudada, e a cada dia é uma descoberta.

Além da alta taxa de letalidade, pesquisadores alertam para efeitos graves da infecção por coronavírus. Pesquisadores que integram o Centro de Contingência para o Coronavírus em São Paulo alertaram para a gravidade da doença causada pelo vírus.

Em resumo, os especialistas disseram que a Covid-19 é uma doença sistêmica. 

“Passamos algumas semanas tratando-a como uma doença fundamentalmente respiratória, ligada a uma pneumonia viral, mas logo em seguida se viu o quanto a doença comprometia outros sistemas do corpo. A observação mostrou que havia, junto com ela, um comprometimento vascular e cardiovascular, levando com muita frequência à insuficiência renal, e também um comprometimento na coagulabilidade do sangue, caracterizando-se por um fenômeno de trombogênese, com tendência a trombose e a embolia. Além disso, foi percebida uma série de manifestações de natureza neurológica, como a perda do olfato e a perda do paladar. O fenômeno inflamatório é de tal ordem que pode causar até encefalite, que seria a inflamação no cérebro. Isto é menos comum, porque o sistema nervoso central humano é muito protegido, mas alguns pacientes evoluíram para este quadro”.

O diretor do Instituto Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira, usou dados do hospital que é a principal referência na América Latina para doenças infectocontagiosas para mostrar o impacto. Segundo ele, 20% dos pacientes que vão para a UTI acabam morrendo e quase 40% precisam fazer diálise.

“De cada cinco pacientes que vão para UTI, um não volta pra casa. Além desse óbito, eu tenho uma porcentagem de pacientes que estão evoluindo com insuficiência renal. De cada 10 pacientes, 4 estão evoluindo para insuficiência renal. Desses pacientes que vão receber alta, alguns deles vão precisar continuar fazendo diálise. Alguns deles vão ter ainda sequelas pulmonares. Então, a questão não é só número absoluto de leito versus necessidade e indicação e número de pacientes para ocupá-los. A questão é que a gente está diante de uma doença nova que surpreende a cada dia com novas manifestações clínicas”.

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