‘Os Legados do Corona’. Por Luiz Longaray

Luiz Longaray, advogado, ex-secretário de Assistência Social |

Essa crise que nos atinge, e o faz de uma forma abrangente e ao mesmo tempo contundente, já que se trata de um problema global, nos faz sem dúvidas refletir a respeito das nossas relações, da forma como convivemos no trabalho, estudo, lazer, enfim, das formas como convivemos com as pessoas. Mais do que refletir, altera de fato nossos hábitos, deixando de positivo várias lições que serão ou não aplicadas no restante de nossas vidas, após o final desta pandemia.

Longaray

Penso que algumas alterações serão sim definitivas e perdurarão, tais como o trabalho remoto ou home office, ele será implantado e desenvolvido pelas empresas que antes olhavam com certo desdém para essa forma de prestação laboral; com certeza, a partir da crise do corona, essa forma de trabalho será mais utilizada e valorizada, assim como o ensino a distancia, tão contestado anteriormente, também terá mais destaque e utilização ao logo do tempo.

Esses legados com certeza estarão presentes em um futuro próximo, além, é claro, de hábitos de higiene mais rígidos que se incorporaram nas nossas rotinas.

Mas talvez o mais importante legado seria o despertar da consciência coletiva na população do nosso país, a ideia de que ninguém, absolutamente ninguém, é uma ilha; de que dependemos do comportamento de todos para continuarmos a viver com mediana qualidade de vida e, mais do que isso, que todos devemos contribuir e participar efetivamente para que se tenha esperança no amanhã.

Infelizmente, tenho dúvidas de que esse legado acima sobreviva no pós pandemia, e justifico tal ceticismo, uma vez que temos muito a evoluir como sociedade, como civilização, já que existem pessoas, e não são poucas, que não se dão conta da importância da empatia, da solidariedade, do quanto o comportamento de cada um  é importante para formar essa tão buscada consciência coletiva que nos faça avançar e nos leve a um patamar superior em termos de convivência social.

Temo que, assim como ocorreu em Nova York, no 11 de setembro de 2001, as pessoas voltem ao comportamento anterior. Cerca de 10 dias do trágico ataque às torres gêmeas, o comportamento individualista e materialista já havia sido retomado e reinava novamente nas relações pessoais dos novayorquinos. Torço, sinceramente, que isso não ocorra na pós pandemia, que possamos viver mais preocupados com o bem-estar das pessoas, não somente dos nossos familiares e amigos, mas de todos, e que essa preocupação se  transforme em atos concretos, atitudes reais.

Que sejamos mais solidários, mais sensíveis à dor alheia e ajudemos aqueles que mais precisam, aos que não têm mais a quem recorrer. Essa é minha esperança.

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