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Cultura e diversão

E, no meio da pandemia, um vereador quer estátua para Zumbi

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O vereador Vicente Amaral procurou a prefeita com uma ideia antiga: homenagear determinada pessoa, em geral ausente da cena, com uma estátua.

Pediu a Paula apoio à homenagem em honra de Zumbi dos Palmares, a ser chumbada em um dos acessos rodoviários à cidade, em reconhecimento à história negra no Brasil.

A prefeita foi simpática com o colega de partido. Chegou a sugerir um concurso destinado a viabilizar a construção do monumento. Teve a sensibilidade, porém, de propô-lo para depois que passar a pandemia.

De repente, no meio de uma pandemia, e após a comoção com a morte de George Floyd, um vereador aparece com a brilhante ideia.

Ele sabia que a prefeita não diria não. É constrangedor ser contra algo assim.

A questão é: Zumbi é um ícone consolidado da cultura nacional. Para que outra estátua para ele?

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Cabem outras perguntas: Por que a ideia em uma hora como esta, em que boa parte das pessoas está enfrentando dificuldades, perdendo empregos, dependendo de doações para comer? Para aproveitar a “onda Floyd”, que por aqui produziu emulações de protestos contra o racismo? Por ser ano eleitoral? Estaria a quarentena fazendo mal ao vereador?

Talvez uma estátua mais adequada, hoje, fosse para o Zumbi. Só Zumbi. Esqueça Palmares.

Se levarem adiante a ideia de mais uma estátua, podiam ao menos considerar um lugar mais digno, que não seja na beira da estrada. Por exemplo, por que não na praça Coronel Pedro Osório, ao lado do Grande Charqueador? Aí, talvez, a ideia se revestisse de um significado simbólico inédito, além de artístico.

Por fim, podia o próprio vereador pagar a estátua, com os salários acumulados nestes meses em que a Câmara está quase sem trabalho. Talvez uma vaquinha com os colegas, como sugeriu um leitor.

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Jornalista. Editor do Amigos. Ex-funcionário do Senado Federal, do Ministério da Educação e do jornal Correio Braziliense. Prêmio Esso Regional Sul de Jornalismo. Top Blog. Autor do livro Drops de Menta.

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2 Comments

2 Comments

  1. Fortino Reyes

    12/06/20 at 12:16

    Concordo com o Joaquim Dias, Manoel Padeiro é que merece essa estátua. O vereador que vá estudar mais a história do Zumbi, tenho certeza que lendo mais sobre ele vai desistir de homenagea-lo. Assim como os grandes fazendeiros Zumbi também tinha escravos.

  2. Joaquim Dias

    11/06/20 at 17:15

    No caso particular de Pelotas, uma figura local que simboliza muito a resistência negra é Manoel Padeiro. Poderia ser pensado. Fora os vários nomes ligados ao jornal “A Alvorada” no início do século XX. São memórias mais relacionadas ao nosso contexto histórico, penso eu.

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor.

Brasil e mundo

BBB, a pobreza amada

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Não sabia quem era Naiara Azevedo. Soube por alto, hoje, que é do BBB e já foi “cancelada por ser bolsonarista”, parece.

Digo que não a conheço não porque a menospreze. Nada disso. Realmente não sabia quem era; a rigor, continuo não sabendo. Devo estar fora de moda, apenas isso.

Até mesmo o termo “cancelar”, no sentido que vem sendo empregado (para gente), é recente para mim. Conhecia o termo “gelar”, que me parece, aliás, mais estimulante: figurativamente, significa embarcar uma pessoa em um trem e despachá-la para a Sibéria.

Respeito quem gosta do BBB. Pelo que divulgam, é muita gente, de todas as classes e níveis educacionais. Se há mercado, há de ter valor comercial e razão de ser.

Aparentemente os espectadores se veem na posição cientistas. Podendo verificar as alterações do comportamento humano sob confinamento, como fazem, em gaiolas, com animais de laboratório.

Vi o primeiro programa mais ou menos. Talvez um pouco do segundo. Não me fisgou.

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Acho tudo de uma vulgaridade deprimente. Não digo isso por superioridade (afinal, gosto é gosto). Apenas porque realmente não me toca, não me acrescenta nem me diverte.

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Cultura e diversão

Histórias de dois fugitivos

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Nessa última virada de ano, me vieram às mãos dois livros escritos por moradores de Pelotas sobre gente de cidades vizinhas — Arroio Grande e Bagé. Por coincidência, os dois escribas são/foram jornalistas que trabalharam com o genial Aldyr Garcia Schlee (1934/2018): João Félix Soares Neto no Diário Popular na segunda metade dos anos 1950; Luiz Carlos Vaz na UFPel desde 1973; e ambos na fugaz aventura da Gazeta Pelotense, no último trimestre de 1976. E mais: quem os colocou lado a lado, esgrimindo autógrafos, em meados de dezembro, no Mercado Central de Pelotas, foi Alfredo Aquino, o artista plástico que há pouco mais de dez anos fundou uma minúscula editora (ardotempo) para reeditar todos os livros de AG Schlee – mais de uma dúzia.

Luiz Carlos e João Féliz

Sim, são muitas coincidências, mas a maior delas é que, nas duas obras recém-lançadas, os protagonistas centrais citados nos títulos dos livros – “A Forja de Salus” e “A História de Abel” — são dois gaúchos que se viram compelidos a fugir na calada da noite para não ter de pagar por atos reprováveis. Naturalmente, não cabe aqui entrar em detalhes sobre os mal feitos de cada um, exceto que os supostos criminosos sumiram para nunca mais. Registre-se que os dois livros têm capas fotográficas de ótima qualidade: a forja de João Félix é representada por uma bigorna iluminada por um facho de sol de inverno – obra de Marcelo Freda Soares; no caso de Abel, a foto tirada por Alfredo Aquino mostra o autor Luiz Carlos Vaz, de costas, espiando através de uma dos vidros bisotées das portas do lendário Theatro Esperança, de Jaguarão. Espiando o quê? O passado, com certeza.

“A Forja de Salus” é uma narrativa romanceada sobre fatos ocorridos em Sanga Rasa, o pitoresco nome ficcional de Arroio Grande, a terra natal de João Félix, que saiu dali aos 18 anos para fazer o serviço em Pelotas, de onde nunca mais saiu. A história é inspirada em acontecimentos vivenciados na meninice do autor, mas não se resume a um desfiar de lembranças sobre o ferreiro Salustiano, morador dos fundos da oficina onde trabalhava, numa esquina “escaldada pelo sol, fustigada pelo vento, guasqueada pelo chuva”. Essa linguagem rebuscada aparece logo na primeira página e segue em tom de fábula até o ponto na página 157.

Há por trás da forja de João Félix um rico elenco de personagens que sustenta o tom da novela. Os acontecimentos são “reais ou assim interpretados” ou, seja, o autor não inventa; apenas dá um jeito de apresentar a realidade de uma forma não tão crua, como já fizera em seus dois livros de contos, ambos prefaciados por AG Schlee, que sempre o incentivou a explorar ficcionalmente as histórias de sua infância. “A Forja de Salus” faz jus ao incentivo do amigo-colega:  é de cabo a rabo um livro primoroso, uma prosa muito boa, ambientada nos anos 40/50, pouco mais ou menos. E quem o prefacia é ninguém menos do que o fotojornalista Luiz Carlos Vaz, considerado em Pelotas e adjacências o mais fiel escudeiro do quixotesco profescritor Aldyr Garcia Schlee.

“A História de Abel” é um conjunto de crônicas sobre fatos e pessoas de Bagé. São narrativas extraídas de memórias de membros da família Vaz, começando no início do século XX e chegando mais ou menos na entrada dos 1970, quando o autor do livro decide migrar para Pelotas, onde está até hoje. Segundo Vaz, as crônicas foram escritas como registro simples, para rodar de mão em mão no âmbito familiar, mas o calhamaço caiu nas mãos do editor Alfredo Aquino e deu no que deu. O Abel do título é um remoto parente de Vaz que na virada do século XX fugiu para o Uruguai para não ter de casar com uma certa moça vizinha que havia seduzido. Com apenas seis páginas, a história tem vocação cinematográfica. As demais 44 crônicas honram o gênero: são breves, claras e temperadas pelo senso de humor do autor, que ilustrou algumas histórias com fotos tiradas de um baú intemporal – de seu arquivo, aliás, saíram as fotos que ilustram ricamente o livro “Fifty-Fifty”, com poemas de Maria Alice Estrella (Ardotempo 2016). Todas as narrativas de Vaz contêm algo do gatam o encanto imemorial das cidades do interior. Falam, por exemplo, de ruas que não existem mais, como a rubembragueana crônica “Rua das Laranjeiras, 183”, primitivo endereço residencial do autor, que desvela aqui muitas lembranças autênticas e, eventualmente, alguns exageros sinceros, estes sempre defendidos com sua frase-de-plantão: “Eu minto muito, mas sempre mostro a prova”.

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Cultura e diversão

Cinema: King Richard, criando campeãs

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King Richard: Criando Campeãs é a cinebiografia de Richard Williams, pai das tenistas Venus e Serena Williams. Destinado a fazer de suas filhas futuras campeãs de tênis, Richard (Will Smith) utiliza métodos próprios e nada convencionais, em um plano feito especialmente para duas de suas cinco filhas, Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyya Sidney).  

Dirigido por Reinaldo Marcus Green e com o roteiro assinado por Zach Beylin, o longa é visto através da perspectiva do pai, em um drama familiar que mostra o protagonista lutando para oferecer as melhores condições para sua família, visão compartilhada com sua esposa, Oracene ‘Brandy’ Williams (Aunjanue Ellis). Eles desenvolveram uma rotina regrada e rígida, mas repleta de amor e harmonia familiar, com o objetivo de mantê-las longe das ruas e, consequentemente, das drogas. 

Richard é um homem negro tentando fazer suas filhas se destacarem em um esporte dominado por brancos ricos. Mesmo assim, ele continua persistente para tentar chamar a atenção de treinadores renomados, como Paul Cohen (Tony Goldwyn), treinador de John McEnroe e Pete Sampras, e Rick Macci (Jon Bernthal), treinador de Andy Roddick e Maria Sharapova e que, posteriormente, ganhou a fama ao treinar as irmãs Williams. 

Ainda nos anos 90, quando treinava as filhas, Richard disse que Venus seria número 1 do mundo, enquanto que Serena seria uma das maiores da história. Vamos aos fatos: Entre muitos títulos na carreira, Venus Williams foi 5 vezes campeã no lendário torneio de Wimbledon e foi a primeira afro-americana a liderar o ranking mundial.  Serena Williams já possui 23 títulos de Grand Slam e é uma das maiores atletas do esporte. E não é que ele acertou? 

Determinado, teimoso e até mesmo egoísta em algumas de suas convicções, a filosofia de Richard insiste em preservar o bem-estar de suas filhas para que não sejam exploradas e acabem ruindo como outras jovens atletas. No maior desempenho de sua carreira, Will Smith interpreta um dos personagens mais interessantes e complexos de sua filmografia, se destacando pela perfeição vocal e física, conseguindo passar toda a metodologia, determinação e inspiração do personagem. Com uma atuação intensa e poderosa, o Oscar nunca esteve tão perto. 

A fotografia de Robert Elswit, vencedor do Oscar por Sangue Negro, aposta nas cores quentes, e o desenho de produção e a direção de arte recriam a época com exatidão de detalhes, como a velha Kombi do pai, a casa da família, os cortes de cabelo e algumas roupas das jogadoras. Durante os créditos, vemos imagens reais e depoimentos da família Williams ao som de “Be Alive”, de Beyoncé. Uma pena que o filme tenha deixado de lado o início da carreira e todo o talento de Serena Williams. 

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Envolvente e emocionante, King Richard: Criando Campeãs trata da perseverança em tornar seus sonhos realidade.  

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