‘Investir na criança carente é garantir o futuro da nação’. Por Luiz Longaray

Em carta aberta ao Parlamento Britânico, o atleta, jogador de futebol do Manchester United Marcus Rashford relembrou a infância difícil que vivenciou em meio a pobreza e o quanto foi importante a alimentação recebida por ele na escola.

Com essa atitude simples, o atleta sensibilizou o primeiro ministro britânico Boris Johnson, que reconsiderou a decisão de cortar o vale alimentação para famílias carentes do Reino Unido, criando um fundo de 120 milhões de libras que destinará 15 libras semanalmente por pessoa para à alimentação dessas famílias.

Antes disso, Rashford já havia arrecadado milhões de libras para o fornecimento de três milhões de refeições para crianças, capitaneou uma campanha para ajudar pessoas sem teto e aprendeu libras para ser júri em um evento em uma escola para surdos.

Louvável também, e merecedora de registro, a utilização das redes sociais que este jovem atleta de destaque mundial realiza para despertar nas pessoas a solidariedade e a preocupação com a situação daqueles que mais precisam, em especial as crianças carentes.

Essa atitude nos faz refletir sobre o quanto é importante uma boa alimentação nas escolas, creches, unidades assistenciais e entidades filantrópicas. Muitas vezes essa alimentação diária recebida por nossas crianças é o único  alimento consumido no dia, pois em casa muito pouco ou até mesmo nada é oferecido.

Enquanto secretário de assistência social, em visita a uma grande escola municipal aqui em Pelotas, o diretor me confidenciou que nas sextas-feiras reforçava a quantidade de alimentos oferecidos às suas crianças, pois sabia que, no final de semana, passariam fome em casa. Após ouvir esse comovente relato, lá no ano de 2016, passamos a intensificar nos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos que funcionam nos CRAS, o fornecimento de comida às crianças oferecendo, não somente o lanche, mas também almoço para as crianças que frequentavam o serviço no turno da manhã, e também para aquelas do turno da tarde. Até hoje assim funciona, servidos dois almoços e dois lanches para as crianças dos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos da secretaria de assistência social.

Mais tarde, com a conquista do Programa de Aquisição de Alimentos, implantado na Assistência Social do Município, tanto às crianças dos SCFV como as que estão sob a responsabilidade do Município, em nossos abrigos institucionais, passaram a se alimentar melhor ainda, pois recebem em abundância frutas, hortaliças e legumes, produzidos sem agrotóxicos.

Talvez essas atitudes representem apenas um pequeno grão de areia nessa imensa praia de dificuldades que enfrentam as crianças carentes no Brasil, mas, com certeza, fez e faz a diferença na vida das crianças atendidas pela Assistência Social do Município.

Aliado a isso, os governos, principalmente o federal, devem implementar ou repassar recursos aos municípios para que sejam oferecidas às crianças carentes escolas em turno integral, com alimentação de boa qualidade e em quantidade, combatendo a drogadição de forma eficaz e implementando ações concretas e eficientes com relação ao planejamento familiar. Somente desta forma, entendo, será possível alcançarmos patamares superiores na qualidade de vida da nossa população, diminuindo os índices de violência e evasão escolar, alavancando o progresso através da educação, pois, quando se custeia a alimentação, formação e o cuidado das nossas crianças, na verdade estamos investindo no futuro desta nação.

Luiz Longaray é advogado e ex-secretário de Assistência Social de Pelotas

2 thoughts on “‘Investir na criança carente é garantir o futuro da nação’. Por Luiz Longaray

  1. A covid passa mas o câncer e a fome não !!! Pele disse; vamos cuidar das crianças !! isso em 1969 quando fez o gol 1000 !!!!

  2. O artigo de Longaray é gratificante por lembrar que não basta a caridade social, ou a misericórdia humana, ou a ajuda de empresas em favor dos desvalidos — crianças, adultos ou idosos. O Estado precisa criar programas efetivos dentro de uma política geral de desenvolvimento que leve educação saúde/habitação/saneamento. A fome, a pobreza são como cânceres sociais.

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