A vastidão da noite

A Vastidão da Noite acompanha uma noite em uma pequena cidade do Novo México no fim dos anos 1950. Dois jovens, a telefonista Fay (Sierra McCormick) e o radialista Everett (Jake Horowitz), percebem uma interferência de rádio misteriosa e partem para investigar.

Enquanto o resto da cidade prestigia, no ginásio local, uma partida colegial de basquete, eles decidem descobrir o que está acontecendo e embarcam em uma jornada rumo ao desconhecido.

O diretor estreante Andrew Patterson impressiona pela simplicidade com que conta uma história em tempo real e distribuída em longos planos e diálogos rápidos.

A narrativa se desenrola naturalmente, apoiada por dois destemidos e curiosos protagonistas, que estão mais preocupados com seus trabalhos do que com o grande evento esportivo da cidade.

Os roteiristas James Montague e Craig W. Sanger reservam referências a clássicos do gênero como Contatos Imediatos do Terceiro GrauE.T: O Extraterrestre Super 8.

Além disso, há uma alusão à famosa série de TV Além da Imaginação (Twilight Zone), com a inserção no longa de um episódio de um programa de mistério chamado “Paradox Theatre Hour”. Neste momento, a tela se transforma em uma televisão da década de 50, com interferência e sons diferentes. Porém, a maior das homenagens está reservada para Orson Welles. Afinal, a relação que os personagens têm com a tecnologia e a importância que o filme dá aos relatos, sejam no rádio ou no telefone, lembram a transmissão de A Guerra dos Mundos feita por Welles em 1938.

Aliás, o nome da rádio que a dupla trabalha se chama WOTW. Destaco também o excelente trabalho técnico, com uma fotografia escura que remete a um clima noir e carrega o suspense na medida certa.

Disponível na Amazon Prime Video, A Vastidão da Noite é uma ficção-científica à moda antiga. Intrigante e conduzida por personagens carismáticos, é a nostalgia em sua melhor forma.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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