A polêmica entre empresários e prefeitura

A pandemia inquieta todo mundo, impossível segurar a onda. Costumamos pensar que controlamos a vida. Não controlamos. De repente, é a água de uma barragem que vaza, como em Brumadinho.

Nossa terra, por exemplo. Como observador da cena pública, nunca pensei um dia testemunhar um confronto aberto entre o meio empresarial e a prefeitura. O ineditismo não é em si o embate, mas que, desta vez, deixou a coxia e veio à ribalta, com os atores se expressando de maneira franca, direta, sem meias palavras.

Para os padrões a que nos habituamos, a nota da Aliança Pelotas, com críticas à condução municipal do combate à epidemia, de tão forte, parece um café expresso, sem uma gota de adoçante. De repente, o prejuízo ficou maior que o benefício, e uma chispa foi capaz de produzir chamas.

Mas foi uma postura meritória.

Empresários e gestores municipais sempre formaram uma parelha colaborativa, um café com leite e açúcar, ao ponto de os primeiros se verem representados com assentos no governo, inclusive no primeiro escalão. Daí, num primeiro momento, o conflito ter surpreendido, com a nota da AP dando um pouco a impressão de documento de valor histórico, um registro de como a emergência pode suscitar os ânimos.

Prefeita Paula começou o mandato propondo um pacto pela paz. Chega ao último ano num ambiente conflagrado. Quem poderia prever?

Independentemente do mal-estar que possa provocar, o protesto, o debate aberto, questionador e propositivo, é um bom sinal, creio, pois então todos nós, sociedade, podemos ter ciência do que ocorre, participar e nos posicionarmos com base em referências evidentes e sólidas.

Devemos torcer para que cheguem a bom termo, embora, naturalmente, a situação seja difícil.

Para Paula, a bandeira da paz possível, hoje, é vermelha.

Para a Aliança, é a bandeira laranja.

Uma simples divergência de ponto na gradação está fazendo a cidade pulsar mais forte. Em meio ao medo, viva!.

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