QUANDO A MÁ EDUCAÇÃO MERECE APLAUSO

Frank Tassone tinha o sonho de que o colégio que ele coordenasse fosse o número 1 dos EUA.

Em 1992, ao se mudar para Roslyn e ter a tarefa de administrar a escola distrital de Long Island, a instituição ficou conhecida por seu recorde de admissões nas melhores universidades americanas.

Em 2004, uma correspondência anônima foi entregue aos jornais da região e ao conselho estudantil, alegando que ele desviava dinheiro da escola para gastos pessoais.

O autor do documento nunca foi revelado, mas graças a ele uma grande investigação sobre as mentiras de Frank Tassone ganhou notoriedade. Além dele, outros funcionários também estavam envolvidos, em um total de 11 milhões de dólares desviados, no que se tornou um dos maiores escândalos da história americana.

Baseado nesta impressionante história real, Má Educação é um telefilme da HBO com Hugh Jackman no papel do protagonista. Frank Tassone trabalha como superintendente de um colégio, atuando com grande prestígio junto aos professores, pais e alunos.

Um dia, ao ser entrevistado pela adolescente Rachel (Geraldine Viswanathan) para o jornal da escola, ele a incentiva a sempre escrever algo realmente interessante, em qualquer matéria que faça, por menor que seja. Inspirada pela conversa, ela resolve investigar um ambicioso projeto da escola e acaba descobrindo uma série de fraudes na contabilidade.

Dando a sensação de que se estamos diante de um castelo de cartas prestes a desabar, o diretor Cory Finley acerta ao liberar as informações aos poucos. Com isso, assistimos a desconstrução de herói a monstro de Tassone.

Aliás, o protagonista é praticamente um sociopata, mas ao seu redor, somente a tesoureira Pam Gluckin (Alisson Janney) parece enxergar isso.

Quando a matéria da estudante foca diretamente no protagonista, suas camadas mais obscuras sobressaem. Esta é a deixa para que o roteirista Mike Makowsky consiga explorar os podres de quem rodeia Tassone, incluindo a própria Pam.

Em um dos melhores trabalhos de sua carreira, Hugh Jackman está incrível ao trazer o carisma de um homem visivelmente perfeito, porém extremamente calculista. Sua sutileza nas nuances entrega um personagem definido pela aparência, mas que, apesar do charme, sabemos que há algo errado com ele.

Com um título que não poderia ser mais apropriado, Má Educação é um filme com uma história interessante, e que choca exatamente por ser verídica. Uma excelente opção para assistir em casa.

Déborah Schmidt é formada em administração e servidora.

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