DONA MARICOTA, O RETORNO!

Neste final de tarde/noite, os sinais da chuva que caiu sobre a cidade ainda eram presentes. Fui até o Armazém do Alemão, que tinha um ótimo local para servir sua famosa recheada prensada com café com leite.

Passei pela casa do Seu Péricles, a mulher dele estava na janela, com um olhar triste, parecia estar procurando pela Dona Maricota, que tinha misteriosamente sumido, cumprimentei-a com um aceno de cabeça, segui para meu destino, o Armazém, sem imaginar o que me esperava.

O Alemão acabara de secar o chão, fustigado pela chuva que entrou pelas janelas, então já fechadas, não sem antes dirigir alguns impropérios prá inocente janela, que nem mãe tinha!

Já haviam chegado alguns clientes, todos conhecidos, distantes 2 metros uns dos outros, mas a conversa corria solta, assunto é que não faltava. Claro que o Coronavírus era o personagem preferido, pois a bandeira laranja estava se mudando para bandeira vermelha e aquele café em conjunto seria o último para as duas próximas semanas, pelo menos.

Claro, mesmo com o desaparecimento da Dona Maricota, a fofoca, que não é exclusividade do sexo feminino, corria solta, sempre, claro, consultando os respectivos celulares, que fofoca boa vem pelo Facebook, se for “fake” a gente vê depois! Claro que a Maricota estava sempre presente na conversa e nas postagens.

Servidas as recheadas e os fumegantes cafés com leite, fez-se um certo silêncio –não se fala com boca cheia. Prá maioria, pelo menos!

Repentinamente, o silêncio foi substituído por enorme trovão quase simultâneo a uma intensa luz, que determinou uma abertura no teto e telhado do Armazém e, para surpresa e susto dos presentes, após voltarem a enxergar por conta da ofuscante claridade seguida de uma fumaça estranhamente avermelhada, ali estava, sentada, muito desajeitada, cabelo arrepiado, apenas uma pele de urso cobrindo o corpo, DONA MARICOTA.

Em seguida caiu sobre ela a varinha mágica e uma lasca de pedra.

Aproximei-me lentamente, até meio com medo, ajudei a Dona Maricota a se levantar, sentei-a em uma cadeira, peguei a lasca de pedra e, para surpresa de todos, no momento que a coloquei sobre a mesa, a varinha mágica começou a escrever algo sobre ela em uma língua estranha, em seguida, com um leve toque, traduziu para um claro português:

“Aqui é o feiticeiro mor, não entenderam ainda? Vou desenhar: I-V-E-R-M-E-C-T-I-N-A”!

E a Dona Maricota? Quando olhamos já tinha desaparecido de novo! Só ficou a pedra sobre a mesa!!!!!

Neiff Satte Alam é professor Universitário Aposentado – UFPEL Biólogo e Especialista em Informática na Educação

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