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Brasil e mundo

‘Contribuições à visão da Villa XP’. Por Fabiano de Marco, cliente da empresa

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Artigo publicado originalmente no site da ADIT Brasil

Conheci a XP em 2004, ao participar de alguns cursos presenciais em Porto Alegre, no Blue Three Towers, um deles ministrado pelo próprio Guilherme Benchimol, para 20 alunos. Eles eram os únicos a oferecer ensino, e eu, cursando economia e contando com um “mãetrocínio”, viajava 500km para desvendar os encantos do mercado de capitais. Desde então sou um torcedor da XP.

Foto dos fundadores Guilherme e Marcelo extraída do link.

Em 2020, com a quarentena, dediquei algum tempo a rever minha relação com os bancos. Encerrei uma conta de 20 anos no BB e passei a contar com os serviços da XP, para investimentos, e do C6 Bank, para a conta pessoal digital e gratuita.

Dos cursos presenciais à Ceo-Founder da sucessora dos bancões, meu sentimento pela Liderança na XP não poderia ser de maior admiração. Fiquei feliz quando assisti a um dos últimos comerciais da empresa no cinema, pois foi #naraça mesmo!

Nos últimos dias acompanhei as manifestações polêmicas sobre o ebook anunciado pela XP, segundo a própria empresa, “uma obra de ficção”. Primeiro me detive em uma postagem no linkedin do Anthony Ling, estudioso das cidades, em artigo divulgado na Veja/SP, depois outro artigo, do Otávio Zarvos, code-breaker da Vila Madalena, mais outro e, por último, uma divulgação no Brazil Journal. A XP, como sempre, mesmo durante a pandemia, liderou mais uma pauta que muito me aguça: cidades e real estate. Foi então que busquei conhecer o tal ebook e compreender melhor a polêmica envolvendo a Villa XP.

Logo no prefácio, as palavras “trabalho remoto”, “mudança”, “estilo de vida”, “estado de espírito”, “engajamento”, “experiência”, “qualidade de vida”, “geração de valor”, “apinhados em filas”, “edifício-garagem” indicam a lucidez no diagnóstico do timoneiro e nos levam ao entusiasmo pela leitura.

A visão de uma Villa XP, na minha opinião de cliente e entusiasta de cidades, destoa da cultura da empresa e do ponto de vista urbanístico, desconsidera pontos importantíssimos. Na tentativa de ser didático e abrangente, analisei o tema por três ângulos: (i) o conceito de escritório; (ii) a localização atual e (iii) cultura.

O conceito de escritório

O modelo de escritório em lajes e conjuntos, produzido atualmente, é o mesmo desde antes da invenção do telefone celular e da internet. Nossos prédios são do tempo do “preciso falar contigo, mas pessoalmente”, frase que no meio empresarial hoje soaria ridícula. Mas não é de agora e não foi a pandemia que provocou mudanças na forma de ver o mundo do trabalho. Foi, antes, a internet, o smartphone, o webinar, a videoconferência, a velocidade e o imediatismo de comunicação, a expansão das redes sociais, a racionalização de custos e uma nova visão do ambiente e da importância dos bens materiais.

Não foi a XP a primeira empresa a adotar o trabalho remoto. Correspondentes de jornais impressos e até clans de gamers, mesmo antes da invenção do modem 56kbps, já se relacionavam remotamente. A XP está, isto sim, incorporando o “efeito COVID” como catalizador interno de mudanças comportamentais decorrentes da tecnologia que já estavam em vigor.

São Paulo experimenta o “novo normal” há anos e exemplifico, inicialmente, com a REGUS, depois com o DISTRITO MAKERS, CUBO e, mais recentemente, com o STATE, todos lugares onde os assuntos colaboração, criatividade, networking, flexibilidade, expansividade, descentralização, trabalho remoto e terceirização são pautas antigas e assimiladas.

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Fotografia do State, retrofit em pavilhão da votorantin, extraída do link.

A localização atual

A XP, embora tenha democratizado a educação financeira dos brasileiros, posicionando-se como rompedora de paradigmas, escolheu habitar um ícone modernista, ostentando o metro quadrado mais caro da cidade de São Paulo, comportamento tradicional similar ao dos bancões, uma “estampa de riqueza e poder”, até então entendida como indispensável na formação de confiança nas marcas. Parece que agora perceberam, não tão cedo quanto sugere o ebook, a irrelevância do luxo material e conceitual e enxergaram o incremento de competitividade ao reduzirem custos com aluguel, mobília, IPTU, condomínio, luz, água, internet, café, suprimentos, faxina e demais custos fixos envolvidos numa operação presencial, sem contar a vantagem tributária (iss) fruto da mudança no domicílio fiscal.

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Internados residentes de Pelotas

Legenda: Fotografia do Triple A da empresa extraída do link.

Ficar em casa escancarou o desperdício na mobilidade de seus colaboradores. Sobrou tempo para, além de trabalhar, ler, correr, viver e se divertir. Todos nós estamos nos adaptando a produzir remotamente, e gostando. É elogiável a capacidade de adaptação, qualidade que está no DNA da XP. Por isso, outra vez, a empresa saiu na frente ao declarar adesão ao trabalho remoto. A XP remota é mais ‘sexy”, como se diz no jargão “startupeiro”, e, enquanto os bancões iniciam o fechamento de algumas agências, a empresa trata de eliminar de uma vez o office por completo.

De fato, não faz sentido acordar cedo, vestir o colete e dirigir por horas para fugir dos onerosos aluguéis oferecidos no entorno do portentoso triplo A da empresa. É tempo perdido (money), e isso empresários não toleram.

Cultura

Um time de colete circunscrito em 12.000m2 de área locada, como ocorre na XP, funde os comportamentos numa cultura fruto das interações diárias, vivenciadas fisicamente, forjando ao longo dos anos uma identidade conhecida como cultura empresarial. Separar estas pessoas da noite para o dia e ainda contratar novas, sem jamais terem convivido no mesmo ambiente de trabalho, leva a uma segunda reflexão: Como preservar a cultura empresarial com todos os colaboradores espalhados remotamente? Como plasmar uma marca sólida, confiável, sem sede física? A reflexão seguinte sugere um prédio icônico, um dissipador cultural, lugar de treinamentos, encontros, muito mais voltado a manter a chama corporativa viva e crescente do que um lugar para sentar, abrir o notebook e responder emails. Mais um ponto positivo para o timoneiro, mas onde e como materializar a cultura?

Ao que tudo indica este ícone acontecerá em terras da JHSF, a empresa mais exclusiva e elitizada de São Paulo, lugar onde ninguém usa colete, camiseta ou tênis. Uma marca posicionada no topo da pirâmide, onde vôo fretado e aeroporto privado se viabilizam. Os clientes da desenvolvedora desfrutam de um seleto e restrito networking de idade madura, com extrema privacidade.

Fotografia da empreendimento JHSF extraída do link.

A XP que conheço nasceu em turmas de 20 alunos, uma gurizada em Porto Alegre que usa colete, convive e educa milhões de “jovens de todas as idades”. XP e JHSF são excelentes empresas, com enorme portfólio, capacidade de realização, marca e inegável sinergia, a primeira com enorme capacidade de construção e a segunda com um canhão de captação financeira.

Fotografia do time XP na Nasdaq originalmente publicada no link.

Mas seria este o local representativo da Cultura da XP?

Diz assim o ebook: “A Villa XP foi pensada para estimular a convivência das pessoas”. “A troca de conhecimento ganha um lugar de destaque na Villa XP.” Aí começam as primeiras manifestações divergentes. Aos olhos dos urbanistas, convivência e troca pressupõem densidade populacional, diversidade, riqueza cultural, tudo o que NÃO acontecerá em 500.000m2, mesmo quando presentes, simultaneamente, os 2.700 funcionários da empresa. Ainda que levassem para a área suas famílias, não gerariam qualquer adensamento populacional. A área da JHSF pode ser, além de um excelente negócio, um retiro espiritual, um clube private para grandes investidores, um belo veículo para alocar os recursos dos FIIs, mas dificilmente proporcionará os desejados encontros ocasionais, que os urbanistas denominam Balet das Ruas, principal ingrediente do estímulo de convivência e intercâmbio de conhecimentos.

Fotografia de encontros ocasionais em ambiente urbano originalmente publicada no link.

Além da inexistência de densidade humana, faltará diversidade. Cidades prosperam pelas trocas culturais. Já a crença de uniformização de pessoas, a começar pela padronização estética dos coletes, é a antítese da criatividade, detectável nos parques tecnológicos mundo afora, estes sim, mecas da inovação, onde nos deparamos com diversidades criativas e culturais na forma, por exemplo, de tatuagens, piercings, moicanos e múltiplas cores.

Fotografia de Diversidade em ambiente de inovação originalmente publicada no link.

Eu, cliente da XP, iria a São Roque jogar tênis? Conhecer o hotel da JHSF? Entrar na redoma 4D para ver a história do Guilherme e depois cair na Lojinha do colete e da biografia? Não, isto eu faria ao visitar a Disneyworld, logo depois da montanha russa. Cairia na lojinha da Moet Chandon depois de um passeio por Reims. A visão da Villa XP em alguns momentos me lembra as estratégias para ancoragem de multipropriedade e resort. São Roque não é destino turístico e atração de público, não é o business da XP.

Fotografia de lojinha de souvenirs da Disney originalmente publicada no link.

A ideia de uma Villa com caráter social e esportiva soa muito familiar a antigas sedes campestres de indústrias, inclusive dos bancos mais tradicionais, justamente um caminho e posicionamento opostos ao trilhado até agora pela XP.

Fotografia da Sede social do Banco do Brasil originalmente publicada no link.

A cidade de São Paulo pode ter todos os defeitos de segurança, mobilidade, disputa por espaços exclusivos, mas de cultura e capital intelectual ela é abundante. E disto a XP não deveria se afastar. Têm razão o Ling e o Zarvos quando apontam para o centro da cidade. A Regus, essa sim, há anos experimentando as tendências em office e home office, poderia orientar a XP a se aproximar dos seus colaboradores em estruturas menores, igualmente voltadas para experiência e cultura, mas com mobilidade e alugueis no entorno acessíveis. São Paulo precisou de um francês para adquirir o Hospital Matarazzo, vizinho do MASP, e nos dizer: “Não há luxo sem cultura”.

Perspectiva digital do projeto Cidade Matarazzo originalmente publicada no link.

Temos o edifício Martinelli à espera de uma PPP para revitalizar o Rooftop e desenvolver um novo ponto turístico para São Paulo. Por que não retrofitar a antiga sede de um bancão? Certamente o Rooftop do Martinelli geraria mais fluxo e valor para a marca, principalmente cultural, do que a redoma 4D.

Fotografia do Edifício Martinelli originalmente publicada do link.

Por sinal, o bar do cofre poderia ser a XP! Aliás, são infinitas as potencialidades para a XP fincar sua bandeira, difundir sua cultura e fomentar share of mind.

Fotografia do Bar do Cofre originalmente publicada no link.

O que a XP sempre fez melhor do que os bancões e precisa continuar fazendo é se aproximar dos clientes e potencializar a cultura já existente na cidade. Afinal de contas, seus clientes estão e continuarão na cidade.

Embora a princípio não pareça, fugir de São Paulo é mais difícil do que melhorar São Paulo.

Aliás, na quarentena, assistindo gratuita e remotamente ao professor de Harvard Edward Glaeser, fiz algumas anotações cuja reprodução vem a calhar neste momento: “Cidades que funcionam são lugares que nos tornam mais inteligentes estando perto de outras pessoas inteligentes”. E ainda: “Um ecossistema com várias empresas pequenas é mais eficiente do que a concentração em empresas grandes”. E por fim: “As cidades são a maior invenção da humanidade”.

Como cliente XP e admirador da JHSF, recomendaria na área a continuidade da visão da desenvolvedora, reforçando o caráter exclusivo, elitizado e suburbano do local, proporcionando aos investidores profissionais da XP uma experiência de consumo diferenciada. A chancela da XP e principalmente a sua capacidade de captação de recursos catapultariam o empreendimento, confirmando o excelente investimento imobiliário e tornando-o acessível aos pequenos e médios investidores da corretora.

Mas a chama da empresa, a sua cultura, preservaria no coração da cidade de São Paulo, não por dever social, mas por acreditar no resultado do investimento quando alocado em um ecossistema criativo e diverso como só a cidade de São Paulo oferece. Neste sentido, endosso as manifestações de extrema credibilidade e boas intenções que tenho visto, vozes que só emergem numa cidade plural e muito contribuem com a visão da empresa para seus próximos passos. Conhecer o seu buddy, fazendo uma referência ao ebook, será sempre melhor nos botecos e esquinas da cidade.

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Fabiano de Marco é Cliente XP, advogado, sócio da Idealiza Urbanismo e Diretor do Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário (Sinduscon) de Pelotas e Região.

 

2 Comments

2 Comments

  1. Alfonso Montone

    16/07/20 at 18:11

    Maravilha de texto!

  2. Mauricio Wortmann Marques

    15/07/20 at 23:45

    Texto impecável!

Obrigado por participar. Comentários podem ser rejeitados ou ter a redação moderada. Escreva com civilidade, por favor.

Brasil e mundo

Ciclone chega hoje com vento intenso e ameaça de danos

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Luiz F. Nachtigall, Metsul

O ciclone Yakecan alcança nesta terça (17) a costa do Rio Grande do Sul e vai trazer vento muito forte a intenso que, localmente, pode ser extremamente forte em pontos do Leste gaúcho, com rajadas perto e acima de 100 km/h em grande parte da costa e da área da Lagoa dos Patos e entorno. Em algumas localidades, os ventos podem exceder 120 km/h (força de furacão). A tempestade marítima deve ainda trazer chuva, que, no Leste gaúcho, por vezes será de forte e até torrencial em diversas cidades.

Uma vez que o sistema deverá se deslocar muito rapidamente pela costa, menos de doze horas entre a sua aproximação pelo Sul gaúcho e distanciamento pelo Norte, os acumulados de precipitação não deverão ser extremos na maior parte das cidades do Leste gaúcho. Mesmo assim haverá pontos com 50 mm a 100 mm.

O ciclone é classificado como subtropical (centro quente em superfície em superfície e frio em altitude) pela Marinha do Brasil. Uma vez que se trata de um ciclone anômalo (subtropical ou tropical), e não o convencional e frequente extratropical, que não é nomeado, o sistema recebe o nome de Yakecan, o “som do céu” na língua tupi-guarani. Já a Meteorologia nos Estados Unidos e experts internacionais entendem que o sistema na costa gaúcha será potencialmente um ciclone tropical (centro quente). A MetSul entende que o sistema na costa será inicialmente subtropical e ganhará características tropicais. Considerando as projeções de vento sustentado, que definem o subtipo de ciclone tropical, a tendência é de forte tempestade tropical na costa gaúcha, podendo trazer rajadas de vento com força de furacão (acima de 120 km/h).

A atuação deste ciclone ocorre sob a influência de uma massa de ar frio e a ocorrência de vento forte e chuva, com sensação térmica desconfortável para quem estiver na rua. Valores de sensação térmica negativa devem ser esperados na Serra e Aparados da Serra, além do Planalto Sul Catarinense.

O que esse ciclone tem de diferente

Primeiro, ciclones na nossa região se deslocam de Oeste para Leste, mas este fará o caminho contrário de Leste para Oeste, ou seja, do oceano para o continente. Mais, este ciclone vai margear o litoral gaúcho de Sul a Norte, eventualmente tocando terra entre Rio Grande e Mostardas, o que igualmente escapa muito ao que costuma se observar.

Segundo, é muito intenso. Quanto menor a pressão no centro da tempestade, mais forte será. A pressão no centro de Yakecan na costa gaúcha estará ao redor de 985 hPa a 990 hPa, o que quase nunca se observa nas latitudes do território gaúcho junto ao litoral. Os modelos chegaram a indicar nos últimos dias pressão tão excepcionalmente baixa quanto 972 hPa na orla, logo pressão mais perto de 990 hPa como a projetada nas saídas dos modelos madrugada desta terça é ainda incomum e muitíssimo baixa, com alto potencial de trazer transtornos, mas é um cenário muito melhor que sob pressão junto ao litoral inferior a 980 hPa, como dados chegaram a mostrar.

Terceiro, a natureza deste sistema foge ao habitual por ser subtropical ou tropical. Somente três ciclones subtropicais ou tropicais avançaram tão rente à costa como este neste século: furacão Catarina (2004), tempestade tropical Anita (2010) e tempestade tropical Raoni (2021).

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A quanto o vento pode chegar

Grande parte do interior gaúcho terá vento de 50 km/h a 60 km/h, mas o Sul e o Leste do Rio Grande do Sul devem ter vento de muito forte a intenso, com rajadas perto ou acima de 100 km/h em toda a faixa costeira do Sul ao Norte, assim como na região da Lagoa dos Patos, áreas que serão as mais afetadas por Yakecan entre hoje e amanhã. O vento no Sul e no Leste gaúcho deve atingir em m´édia 80 km/h a 100 km/h, mas vários pontos devem ter rajadas de 100 km/h a 120 km/h, com risco de marcas isoladas na Lagoa dos Patos e na costa de até 130 km/h ou 140 km/h.

A região de Mostardas a Palmares do Sul e Cidreira deve ser a região com vento mais intenso, com força de furacão em alguns momentos. Esta região entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, que vai de Rio Grande a área de Palmares do Sul, Quintão, Pinhal e Cidreira, deve ser a mais castigada por vento, com rajadas com força de furacão (acima de 120 km/h em alguns momentos). Modelo WRF da MetSul em sua saída da 0Z de hoje indica vento de 126 km/h no Porto de Rio Grande (esquerda) e 104 km/h em Capão da Canoa (direita)

Em Porto Alegre, a estimativa da MetSul é de rajadas, em média, de 80 km/h a 90 km/h, mas, adverte-se, a topografia da cidade (morros e prédios que canalizam vento) e a presença da lagoa ao Sul e do Guaíba a Oeste podem resultar em vento perto ou superior a 100 km/h, sobretudo em pontos mais ao Sul da cidade e próximos da Lagoa dos Patos.

Cidades mais ao Sul da área metropolitana como Guaíba, Eldorado do Sul e Viamão podem igualmente ter vento muito forte. O Vale do Sinos, pelo seu relevo, costuma ter vento menos forte. O Litoral Norte gaúcho, de maior população que o Sul, terá vento muito forte a intenso, com rajadas localmente extremamente fortes e potencial de danos. São esperadas rajadas perto ou acima de 100 km/h e potencialmente mais intensas em praias e municípios mais ao Sul da região. Em alguns balneários, o vento pode ficar entre 110 km/h e 120 km/h na beira da praia.

Mais ao Norte, embora se preveja vento muito forte a intenso em alguns momentos, as rajadas seriam menos violentas que em praias mais ao Sul da região. Em Santa Catarina, o vento pode ser muito forte também no Sul do estado, com as rajadas mais intensas ocorrendo no Litoral Sul, onde em alguns pontos devem ficar próximas ou acima de 100 km/h, como nas áreas de Passo de Torres, Balneário Rincão e Laguna.

O vento nas montanhas do Planalto Sul Catarinense, como no Morro da Igreja, e em elevações na borda da Serra nos Aparados, pode atingir velocidades altíssimas.

Cidades de maior risco

Os municípios de maior risco no Rio Grande do Sul por vento muito forte a intenso e localmente extremo são Chuí, Santa Vitória do Palmar, Pelotas, Rio Grande, Capão do Leão, São José do Norte, Piratini, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Morro Redondo, Turuçu, São Lourenço do Sul, Cristal, Camaquã, Mostardas, São José do Norte, Tapes, Camaquã, Sertão Santana, Cerro Grande do Sul, Sentinela do Sul, Mariana Pimentel, Guaíba, Barra do Ribeiro, Eldorado do Sul, Viamão, Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada, Glorinha, Osório, Tavares, Santo Antônio da Patrulha, Palmares do Sul, Balneário Pinhal, Cidreira, Tramandaí, Xangri-lá, Imbé, Capão da Canoa, Arroio do Sal, Maquiné, Terra de Areia, Três Cachoeiras, e Torres.

O ciclone hora a hora

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O dia inteiro será ventoso a por vezes muito ventoso no Sul e no Leste gaúcho, incluindo Porto Alegre. Entretanto, espera-se que as rajadas aumentem demais em intensidade entre a tarde e a noite de hoje e o começo da quarta-feira. Serão horas de vento muito forte e rajadas nas cidades atingidas pelo ciclone no Leste gaúcho, mas, como o campo de vento intenso se desloca rapidamente de Sul para Norte o período de vento mais extremo, não deve exceder seis horas na maioria das cidades.

A estrutura de nuvens ao redor do centro da tempestade, que pode desenvolver um olho, vai ser a região de vento mais intenso. Ela vai percorrer o litoral gaúcho de Sul a Norte. Bandas de nebulosidade derivadas do centro do ciclone passarão pelo Leste gaúcho, além de chuva forte, trarão rajadas de vento, em alguns momentos intensas. No decorrer da tarde, especialmente de 15h em diante, o centro da tempestade começará o seu ingresso no território gaúcho a Leste do Chuí e Santa Vitória. No fim da tarde e no início da noite vai estar no Sul da Costa Doce e imediatamente a Leste de Pelotas e Rio Grande, podendo tocar terra (landfall) entre São José do Norte e Mostardas. No fim da terça, o centro da tempestade estará sobre o Nordeste da Lagoa dos Patos e o Sul do Litoral Norte. Na madrugada de amanhã, o centro de Yakocan vai estar localizado sobre o Atlântico a Leste do Litoral Norte, entre Capão da Canoa e Torres.

Já na manhã desta quarta-feira, a tempestade, mais enfraquecida, tende a se localizar sobre o Oceano Atlântico a Leste do Sul catarinense e de Florianópolis, iniciando a partir deste ponto uma trajetória de afastamento do continente para Leste.

Em Porto Alegre, a terça inteira será ventosa, com rajadas frequentes e por vezes fortes de 50 km/h a 70 km/h. O pior do vento na capital e cidades vizinhas é esperado na noite de hoje, especialmente depois das 21h ou 22h e no começo da madrugada da quarta-feira, com rajadas de até 90 km/h e superiores a 100 km/h em alguns pontos da cidade.

Impacto do ciclone pode ser significativo

Há alta probabilidade de danos na passagem deste ciclone pelo Sul e o Leste do Rio Grande do Sul, possibilidade elevada de destelhamentos, quedas de árvores, quedas de postes, colapso de estruturas como placas, etc. Prédios mais altos nas cidades de médio e grande porte por onde passará o ciclone devem ter vento mais intenso nos andares elevados que no nível térreo e há risco de quebras de vidros e quedas de estruturas.

Espera-se um impacto muito alto no serviço de energia com a esmagadora maioria dos pontos sem luz na área de concessão da CEEE Equatorial, onde, considerada a projeção de vento, elevado número de clientes deve ficar sem luz. Na área de concessão da RGE, embora se preveja vento forte em áreas do Centro para o Leste gaúcho, as consequências devem ser menos graves que na região de atuação da CEEE.

Com falta de luz, há risco de falta de água, uma vez que as estações de DMAE, CORSAN e outros serviços de saneamento são dependentes de energia. Adverte-se ainda para a ocorrência de ressaca de grandes proporções na costa do Rio Grande do Sul. A Marinha do Brasil está projetando ondas de 4 a 6 metros junto ao litoral gaúcho, com aviso de mar muito grosso. A MetSul alerta que a ressaca pode ser muito forte, com elevação da maré, o que pode trazer danos em áreas costeiras e erosão na costa, havendo risco em especial para estruturas na beira das praias como guaritas, quiosques e calçadões.

A reprodução em parte dos conteúdos da MetSul é autorizada desde que citada a fonte e publicado o hyperlink para o original https://metsul.com/ciclone-yakecan-chega-hoje-com-vento-muito-intenso-e-risco-de-danos/ .

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Brasil e mundo

Congresso prorroga MP que amplia margem do crédito consignado

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O Congresso Nacional prorrogou a medida provisória que amplia a margem de crédito consignado para aposentados e pensionistas e autoriza pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Auxílio Brasil a fazerem o empréstimo.

Segundo ato do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, publicado hoje (13) no Diário Oficial da União, a prorrogação é de 60 dias.

O crédito consignado é aquele concedido com desconto automático em folha de pagamento. Por ter como garantia o desconto direto no salário ou benefício, esse tipo de operação de crédito pessoal é uma das que oferecem os menores juros do mercado.

A MP, publicada no Diário Oficial da União no dia 17 de março, ampliou o acesso ao crédito consignado aos beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil, além de ampliar a margem consignável de 35% para 40% da renda, reinstituindo o percentual que vigorou ao longo de quase todo o ano passado.

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Brasil e mundo

Nova pesquisa Quaest mostra vitória de Lula no primeiro turno

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Nova pesquisa Quaest mostra vitória de Lula no primeiro turno

Pesquisa Quaest/Genial divulgada nesta quarta-feira, 11, mostra o ex-presidente Lula com chances de vitória no primeiro turno. Ele tem 46% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro, o segundo colocado, chega a 29%. 

Com 46%, Lula possui mais votos que todos os outros candidatos somados (44%) e, portanto, há a possibilidade de vitória no primeiro turno. No entanto, considerando a margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, a disputa também pode seguir para o segundo turno. 

Atrás de Bolsonaro aparecem: Ciro Gomes (7%), André Janones (3%), João Doria (3%), Simone Tebet (1%), Felipe D’Ávila (1%) e Luciano Bivar (0%). A categoria ‘branco/nulo/não vai votar’ chega a 6%, enquanto 3% estão indecisos. Em todos os cenários considerados, Lula lidera com ampla vantagem.

O favoritismo de Lula nas eleições presidenciais, assim como sua estabilidade nas pesquisas, se deve à “relevância da economia real na vida do cidadão”, afirmou o diretor Quaest, Felipe Nunes.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 11, que mostra Lula com chances de vencer no primeiro turno em um cenário de estabilidade, 50% dos eleitores acreditam que a economia é o principal problema do país, enquanto 13% apontam para a pandemia/saúde, 11% para questões sociais e 9% para a corrupção. 

Entre os que se preocupam com a economia, combater a inflação é prioridade. Segundo Nunes, o protagonismo da inflação é “preditor de eleição de mudança”, o que favorece Lula. 

No segundo turno, Lula também vence em todos os cenários. Veja:

Cenário 1: 

  • Lula: 54% 
  • Jair Bolsonaro: 34% 
  • Branco/nulo/não vai votar: 9% 
  • Indecisos: 2% 

Cenário 2: 

  • Lula: 53% 
  • Ciro Gomes: 24% 
  • Branco/nulo/não vai votar: 21% 
  • Indecisos: 2% 

Cenário 3: 

  • Lula: 58% 
  • Simone Tebet: 17% 
  • Branco/nulo/não vai votar: 22% 
  • Indecisos: 3%.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas de 27 estados, face a face, entre os dias 5 a 8 de maio. O índice de confiança, segundo o instituto, é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01603/2022.

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