Mesmo com indicadores piores, Pelotas passou para bandeira laranja

Ao comentar o retorno de Pelotas à bandeira laranja do contágio por covid-19, nesta sexta-feira (17), a prefeita Paula Mascarenhas afirmou que isso não deve ser interpretado como vitória sobre a pandemia. Como ela bem diz, não há de fato motivos para cantar vitória. A depender de si mesma, a cidade não teria conseguido sair da bandeira vermelha.

O único ponto ao nosso favor, segundo ela, foram duas internações a menos em UTI e enfermaria; fossem duas a mais, o que pode ocorrer amanhã, por exemplo, Pelotas teria continuado vermelha, alto risco de contágio. Só conseguiu migrar para laranja graças a Bagé, que aumentou seu número de leitos. Bagé ajudou Pelotas porque o governo do estado, em seu Plano de Distanciamento, considera que Pelotas e Bagé fazem parte de uma mesma macrorregião e que a conquista de um município influencia positivamente os demais de toda a macrorregião.

Sendo assim, Pelotas foi beneficiada indiretamente.

Analisando o Plano original do estado, que balizou o regime das bandeiras, o retorno de Pelotas à cor laranja, nestas condições, parece precário, pelos motivos citados: Bagé, decisivo em nossa vida, e dois leitos ocupados a menos em Pelotas. Mesmo com o impulso de Bagé, Pelotas passou raspando para a bandeira laranja, situada numa gradação de cor instável, camaleônica.

Outro ponto importante: pela regra original do Plano do estado, uma cidade que ficasse duas semanas numa mesma cor, caso de Pelotas na vermelha, teria forçosamente de permanecer uma terceira semana na mesma bandeira. Isso foi pensado com o seguinte raciocínio: se uma cidade permanece duas semanas, digamos, em vermelho, como ficou Pelotas, é porque sua situação exige atenção maior, um esforço próprio de superação triplicado.

Ocorre que a prefeita Paula recorreu para derrubar a regra acima, e, surpreendentemente, conseguiu, mostrando que o Plano é tão flexível quanto uma rede de pesca.

Ao abrir mão do raciocínio original, o governador Eduardo Leite acabou abrindo espaço para que Pelotas pudesse migrar para bandeira mais branda, mesmo sem uma melhora consistente dos seus próprios e principais indicadores que fundamentam as bandeiras. Nas duas últimas semanas, o quadro, naqueles indicadores, piorou. O número de infectados aumentou. Aumentou também o número de internados, ultrapassando, pela primeira vez, 50% dos leitos de UTI disponíveis. E, igualmente, o número de mortes progrediu, sem que a estrutura de atendimento de saúde fosse melhorada.

Se a mudança de bandeira fará bem ou não a Pelotas, descobriremos nos próximos dias.

Obviamente, Deus queira que sim.

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