Dona Maricota, um papagaio de pirata virtual

No episódio anterior, devem lembrar que Dona Maricota desapareceu, ficando apenas seu celular no chão do Armazém do Zé. Quando isto ocorreu, surpresos com o desaparecimento, não perceberam de imediato que o celular estava próximo ao local onde se dera o sumiço da Dona Maricota, só perceberam quando o celular começou a tocar.

Neiff

O Zecão, que estava mais próximo e era mais curioso, imediatamente atendeu e….surpresa!!!! …. era a Dona Maricota querendo falar com o pessoal. Claro que o Zecão atirou o celular longe, assustado e branco de medo, correu para trás do balcão.

Peguei o telefone e comecei a conversar com ela. Foi uma conversa complicada, pois ela não estava em lugar nenhum, parecia que somente estava dentro do celular. “estranho”, pensei. Como pode ser? Mas era verdade, todos ali puderam comprovar.

O Zecão correu em minha direção, arrancou o telefone de minha mão e atirou pela janela. Saltou bateria para um lado e celular para outro. Corri, peguei o danado e … seguia funcionando! Olhamo-nos todos sem entender nada, um pouco assustados, é claro, pois era muita coisa para absorvermos.

Fizemos uma breve reunião e decidimos que eu ficaria com o aparelho e iria ver o que estava acontecendo. Quase que de imediato, nossos celulares tocaram, atendemos e era “ela”, a Maricota. Disse “que estaria, a partir daquele momento, interferindo e dando “pitaco” em todas as postagens no Facebook de todos”…ela disse: “de todos”!

Imediatamente abrimos nossos Faces e ela lá estava palpitando, do que entendia e do que não entendia. Para nos deixar mais intrigados, passaria a ser chamada de PAPAGAIO DE PIRATA VIRTUAL!!!! “Isto é coisa de espírito”, disse o Bexiga, que até então estava quieto que nem criança de fralda cheia… “Coisa de espírito”? “Bem, então vamos conversar como Padre”, disse o Zé. Assim fizemos.

O Padre nos atendeu com sua natural paciência. Contamos o ocorrido, mas ele ficou um pouco cético, “que história é essa de espírito falando ao celular? Acho que beberam além da conta”! Fatos são fatos e ouvindo a Dona Maricota, que todos sabiam que já havia desaparecido. O Padre fez umas orações, jogou água benta e nada da Maricota parar de falar e até rir das tentativas de fazê-la calar a boca. O Padre pediu licença, foi até seu quarto, trocou de roupa e disse: “melhor ir â casa do Januário”, Pai de Santo respeitado, “e pedir ajuda, pois o caso é de reza forte”.

O Seu Januário já estava se preparando para ir para a cama, com seus 80 e muitos anos, tinha que deitar-se cedo, Mas, em vista da qualidade da turma, recebeu-os, ouviu tudo de novo, apavorou-se com as fofocas e intromissões impertinentes da Dona Maricota nos assuntos dos outros e, até para eles, tinham sobrados algumas farpas. Nada que Seu Januário fizesse, ele tinha muita experiência no assunto de desmanchar “coisa ruim”, como ele mesmo dizia, deu qualquer resultado.

O PAPAGAIO DE PIRATA, codinome adotado por Dona Maricota, seguia sua tarefa de desagradáveis consequências à todos os envolvidos, que já eram muitos. Mais de mil acessos de pessoas indignadas, e crescendo, davam sinais de uma terrível viralização. Até membros do Congresso Nacional já estavam querendo interferência do STF para estagnar “fake news espirituais”.

Já era de manhã cedo. O PAPAGAIO DE PIRATA não parava de interferir nos perfis do país inteiro. Um reboliço!

O Seu Januário convida a todos para um café da manhã e depois saírem em busca de ajuda, quando, repentinamente, entra na sala um menino e pede para usar o Computador.

O menino, mais ou menos com 8 anos de idade, viu a Dona Maricota falando, não gostou, e pediu para que desligassem o celular, que ele precisava trabalhar em uma tarefa remota da Escola.

Explicaram-lhe a situação, que era impossível contê-la. Então o menino, com a maior inocência, própria de quem tem tão pouca idade, resolveu o problema: “Excluam Dona Maricota do Facebook, é só apertar esta tecla aqui! Pronto”.

Dona Maricota desapareceu. A nova geração começa a aprender como tratar PAPAGAIOS DE PIRATA…excluir!

Neiff Satte Alam é professor Universitário Aposentado – UFPEL Biólogo e Especialista em Informática na Educação

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